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A maior SLR do mundo vai na direção contrária da fotografia de 2026

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A Smartflex 8x10 aposta no grande formato, no filme de folha e até em colódio úmido em um momento dominado por câmeras compactas, inteligência artificial e produção rápida de imagens

Fotos: Smartflex
Fotos: Smartflex


Enquanto boa parte do mercado fotográfico olha para câmeras compactas, sensores cada vez menores, inteligência artificial embarcada e fluxos de trabalho mais rápidos, uma startup japonesa resolveu caminhar na direção oposta. A Smartflex apresentou uma câmera SLR de grande formato 8x10 que parece mais próxima de um objeto de museu do que de uma câmera pensada para 2026.


E talvez seja justamente isso que torna a história interessante.


A Smartflex 8x10 é uma câmera de filme de grande formato, compatível com chapas 8x10, Polaroids 8x10 e também processos de colódio úmido. Segundo a empresa, trata-se da maior câmera SLR já produzida e da primeira SLR 8x10 construída por uma empresa em mais de 100 anos. A referência histórica citada é a Graflex 810, de 1901.



O termo SLR vem de single-lens reflex. Em vez de usar apenas o vidro despolido típico das câmeras de grande formato, a Smartflex 8x10 utiliza um sistema interno de espelho e prisma, com visor na altura da cintura. A empresa também afirma que haverá a opção de um visor em nível dos olhos.


Os números ajudam a explicar o caráter quase teatral da câmera. Ela mede 310 mm de largura, 380 mm de altura e 410 mm de profundidade. Pesa 5,6 kg sem lente. E foi projetada para lidar com lentes grandes, inclusive ópticas que podem chegar à faixa de 8 a 10 kg. Não é exatamente o tipo de equipamento que alguém coloca na bolsa para fotografar a rua no fim da tarde.



A câmera usa fole para foco, como nas câmeras históricas de grande formato, mas com um projeto de trilhos múltiplos para suportar lentes mais pesadas. Também traz obturador focal de cortina de tecido, com velocidades entre 1/40s e 1/1000s, além de modo T para processos como o colódio úmido.



O ponto curioso é que a Smartflex não está tentando competir com o mercado de massa. Pelo contrário. A empresa parece mirar um território extremamente específico: fotógrafos interessados em retrato de grande formato, processos analógicos, estética histórica, profundidade de campo incomum e experiências fotográficas que não cabem na lógica da velocidade.


Em uma época em que a imagem ficou abundante, rápida e cada vez mais automatizada, esse tipo de lançamento funciona quase como uma provocação. Não porque vá mudar o mercado principal de câmeras. Provavelmente não vai. Mas porque mostra que há uma parte da fotografia que continua se movendo por desejo, ritual, objeto, processo e presença física.



A Smartflex 8x10 não é uma câmera prática. Essa talvez seja sua melhor definição. Ela exige tempo, planejamento, transporte, conhecimento técnico e uma disposição rara para transformar o ato fotográfico em acontecimento. Para alguns, isso pode soar como excesso. Para outros, é justamente o antídoto contra a imagem descartável.


Há também uma camada comercial interessante. A empresa já havia lançado uma câmera Smartflex 4x5 via Kickstarter e agora produziu inicialmente 15 unidades da versão 8x10. A continuidade do projeto dependerá da demanda. O preço inicial informado para os primeiros exemplares é de US$ 5.715 com lente.


É um nicho dentro de outro nicho. Mas nichos assim ajudam a lembrar algo importante sobre fotografia: tecnologia não avança apenas em direção ao menor, ao mais rápido e ao mais automático. Às vezes, ela também retorna ao grande, ao lento e ao difícil, não por nostalgia pura, mas porque essas escolhas criam outro tipo de experiência.



A Smartflex 8x10 talvez seja inviável para quase todo mundo. Mas como sinal cultural, ela diz bastante. Mesmo em 2026, ainda existe espaço para câmeras que não querem simplificar o ato de fotografar. Querem torná-lo mais raro. Smartflex 8x10 SLR – SmartflexCamera


Na Fotograf.IA + C.E.Foto, acompanhamos movimentos como esse de perto: câmeras, inteligência artificial, mercado, cultura visual e as mudanças que parecem pequenas, mas ajudam a entender para onde a fotografia está indo.


Para quem vive da imagem, essas curiosidades não são só curiosidades. Elas revelam desejos, nichos e caminhos possíveis.


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