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A Copa do Mundo também chegou ao filme analógico

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A Ilford lançou edições especiais de HP5+ e XP2 Super com fotos do Expired Film Club. Mais do que uma embalagem temática, o movimento mostra como o analógico voltou a ser cultura, comunidade e objeto de desejo.

(Image credit: Ilford • Miles Myerscough-Harris)
(Image credit: Ilford • Miles Myerscough-Harris)

A Copa do Mundo também chegou ao filme analógico. A Ilford entrou no clima do torneio com uma ação simples, mas reveladora: lançou embalagens especiais de dois de seus filmes 35mm mais conhecidos, o HP5+ e o XP2 Super, em colaboração com Miles Myerscough-Harris, fotógrafo esportivo conhecido como Expired Film Club. As caixas trazem fotografias em preto e branco ligadas ao futebol e chegaram às lojas poucas semanas antes da Copa do Mundo de 2026.


À primeira vista, é apenas uma edição limitada. Uma embalagem temática. Um produto para aproveitar a febre do futebol. Mas a notícia diz algo maior sobre o momento da fotografia analógica. O filme deixou de ser apenas insumo técnico e voltou a ocupar também o lugar de objeto cultural.



Quem compra um rolo de filme hoje não compra somente ISO, latitude, contraste e granulação. Compra um ritual. Compra uma relação com o tempo. Compra a espera, o acaso, a materialidade e a sensação de participar de uma comunidade que ainda encontra sentido em fotografar de um jeito menos imediato.



A escolha do Expired Film Club não é casual. Miles Myerscough-Harris construiu uma presença forte justamente usando o analógico como desafio técnico e performance cultural. Ele já fotografou futebol com câmeras antigas, levou uma câmera panorâmica de 130 anos para Old Trafford e recriou retratos esportivos com equipamentos de outra época. Em um mercado dominado por sensores rápidos, autofoco avançado e transmissão instantânea, ele faz o caminho oposto: transforma limitação em linguagem.


(Image credit: Ilford • Miles Myerscough-Harris)
(Image credit: Ilford • Miles Myerscough-Harris)

A Copa do Mundo é um cenário perfeito para isso. O futebol é memória coletiva. É arquivo. É fotografia de jornal. É pôster no quarto. É álbum de família. É imagem granulada de estádio, torcedor, camisa, expressão e movimento. Ao conectar filme preto e branco, embalagem colecionável e futebol, a Ilford não está apenas vendendo rolos de 35mm. Está ativando uma cadeia de lembranças visuais.


Essa é a parte mais interessante da história. A fotografia analógica não voltou porque é mais prática, barata ou previsível. Ela voltou, em parte, porque oferece atrito. E esse atrito virou valor. O erro, a espera, o gesto manual e a estética menos controlada funcionam como contraponto a um ambiente visual cada vez mais rápido, automatizado e abundante.



Para fotógrafos, essa notícia serve como leitura de mercado. Há uma revalorização clara de processos que parecem lentos ou imperfeitos quando comparados ao fluxo digital. O ponto não é defender que todo mundo volte ao filme. O ponto é perceber que a força do analógico hoje está menos na técnica isolada e mais no imaginário que ele cria.


A edição especial da Ilford provavelmente será comprada por quem vai fotografar com ela, mas também por quem vai guardar a caixa, postar o rolo, colecionar a embalagem ou simplesmente participar da conversa. Isso não diminui o valor fotográfico do produto. Ao contrário. Mostra que a fotografia, quando tem cultura ao redor, consegue ir além da imagem final.


No mundo das imagens infinitas, ainda existe espaço para aquilo que parece raro, físico, limitado e feito para durar um pouco mais na memória.


Na Fotograf.IA+C.E.Foto, esse tipo de notícia vira leitura de mercado. A edição especial da Ilford não é só uma embalagem de Copa. É um sinal de como o analógico, o colecionismo e a cultura visual continuam criando desejo em um mundo saturado de imagens.


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