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IA troca rostos de noivos e expõe um novo tipo de roubo fotográfico

há 8 horas
2 min de leitura

Estúdio sul-coreano encontrou uma fotografia de casamento reproduzida quase integralmente por outro negócio. Pose, vestido, acessórios e composição foram mantidos; apenas os rostos haviam sido alterados com inteligência artificial.



Um estúdio de casamento da Coreia do Sul encontrou nas redes sociais uma fotografia praticamente idêntica a uma imagem produzida por sua equipe. A pose dos noivos, o vestido, os acessórios e a composição eram os mesmos. A principal diferença estava nos rostos, substituídos com inteligência artificial generativa.


O caso foi relatado em 18 de setembro pelo jornal sul-coreano Asia Business Daily.


Segundo a reportagem, a proprietária do estúdio Newilmui não reconheceu imediatamente a própria fotografia. A suspeita surgiu quando uma integrante da equipe percebeu que o vestido exibido na imagem era igual a um modelo produzido pelo próprio estúdio. A comparação com o arquivo original mostrou outros elementos idênticos, incluindo a pose e uma pequena pulseira usada pela noiva.


A fotografia havia sido usada por outro estúdio como material publicitário. De acordo com a proprietária da Newilmui, o responsável inicialmente afirmou que a imagem era própria e pediu desculpas depois que foram apresentadas as evidências do trabalho original.


O episódio mostra uma dificuldade crescente para fotógrafos com portfólios públicos. Ferramentas de edição generativa permitem modificar partes específicas de uma imagem e preservar grande parte do restante do trabalho, incluindo direção, composição, cenário, iluminação e styling.


Nesse caso, a alteração dos rostos foi suficiente para dificultar a identificação imediata da fotografia até mesmo por quem havia participado de sua produção.


A cópia pode deixar de parecer cópia


O problema não se limita a fotografias de casamento. Retratos, moda, publicidade, arquitetura e outros trabalhos publicados online podem ser modificados sem que toda a imagem precise ser recriada.


A reportagem sul-coreana cita também casos de remoção de marcas d'água e alterações parciais feitas com ferramentas generativas para dificultar a identificação da origem do material.


Os pedidos de mediação por disputas de copyright recebidos pela Comissão de Copyright da Coreia passaram de 103 em 2022 para 175 em 2025, uma alta de 69,9%. O dado, porém, abrange diferentes tipos de disputa autoral. A própria comissão afirma que não separa estatisticamente os casos relacionados à inteligência artificial, portanto o crescimento não pode ser atribuído diretamente à tecnologia.


Trocar o rosto não apaga necessariamente o trabalho original


A presença de IA também não cria automaticamente uma nova obra nem determina, por si só, que houve infração.


Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a análise jurídica continua considerando se o trabalho original foi utilizado e se elementos criativos relevantes permanecem substancialmente semelhantes. Em fotografia, composição, iluminação, posicionamento das pessoas, cenário, objetos e direção podem fazer parte dessas escolhas criativas.


As regras variam entre países e cada situação depende do contexto. O caso da Newilmui é um relato de disputa e não uma decisão judicial que estabeleça precedente.


Para fotógrafos, porém, há uma consequência prática que independe desse desfecho: quando uma imagem pode ser parcialmente modificada para esconder sua origem, manter evidências do processo de criação e da publicação original passa a ter ainda mais importância.


No Essencial


Preparei um material complementar com um checklist de documentação do portfólio na era da IA, incluindo arquivos, metadados, publicações e registros que vale preservar antes de surgir uma disputa.



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