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A próxima fase da IA na fotografia pode ser menos automática

há 11 horas
5 min de leitura

Depois da corrida para automatizar seleção, edição e outras etapas do trabalho fotográfico, algumas empresas começam a enfatizar outra promessa: usar inteligência artificial sem tirar do fotógrafo o controle sobre as decisões.


Durante os últimos anos, boa parte das ferramentas de inteligência artificial para fotografia foi apresentada a partir de uma mesma promessa: automatizar tarefas. Selecionar imagens, identificar problemas, editar arquivos e reduzir o tempo gasto diante do computador passaram a fazer parte do discurso de empresas de software.


Esse movimento continua. O que começa a mudar é a forma como algumas dessas empresas apresentam a tecnologia. Em vez de destacar apenas o que a IA consegue decidir sozinha, cresce a ênfase em assistência, revisão e controle do fotógrafo.

A Narrative é um exemplo recente dessa mudança.


A Narrative mudou o centro da mensagem


Na comunicação atual, a empresa continua falando em inteligência artificial, mas coloca o fotógrafo no centro da proposta. A página principal usa expressões como “Your instinct. Backed by AI” e “AI for your tasks. Not your craft”.


A mensagem é direta: a tecnologia deve ajudar nas tarefas repetitivas, sem substituir as decisões criativas do profissional. Isso aparece principalmente na forma como a empresa apresenta sua ferramenta de seleção.


O AI First Pass analisa um trabalho, organiza as imagens, cria classificações e ajuda a identificar problemas como foco, olhos fechados ou repetições. O fotógrafo pode ajustar o nível de rigor da análise e revisar os resultados antes de tomar a decisão final.

Isso é diferente de simplesmente entregar uma seleção pronta.


Foi algo que percebi no meu primeiro teste


Em agosto, publiquei aqui no blog um teste do Narrative com uma galeria real de 318 fotografias.


A interface preserva classificações manuais por estrelas, mantendo o fotógrafo no controle da seleção.
A interface preserva classificações manuais por estrelas, mantendo o fotógrafo no controle da seleção.

Naquele momento, um dos pontos que mais me chamou atenção foi justamente a possibilidade de usar a análise automática como apoio. O sistema organiza sequências, compara imagens semelhantes e apresenta uma primeira leitura do material, mas continua permitindo que o fotógrafo revise e mantenha uma imagem que o algoritmo avaliaria de outra forma.


No artigo “Narrative: testei a IA que promete acelerar a seleção de fotos sem tirar o fotógrafo do controle”, mostrei como esse processo funcionou na prática e onde a ferramenta pareceu mais útil.


Esse modelo ganhou mais recursos desde então. A Narrative passou a permitir diferentes níveis de seletividade no AI First Pass, dando ao fotógrafo mais controle sobre como a análise inicial será feita.


Uma campanha da própria Narrative ajuda a entender o posicionamento


Em agosto, a Narrative e o MODE Festival, do Flickr, lançaram o concurso “So Wrong, It’s Right”.


A proposta era selecionar fotografias que poderiam ser consideradas tecnicamente erradas. Imagens desfocadas, inclinadas, captadas durante um piscar ou fora de padrões convencionais de composição podiam participar.

A seleção final foi feita por pessoas.


Para uma empresa que vende tecnologia de seleção automática, a campanha é significativa. Ela reforça uma distinção importante entre detectar características técnicas de uma imagem e decidir se aquela fotografia tem valor.


Um sistema pode reconhecer falta de foco ou exposição fora do padrão. Isso não significa necessariamente que a imagem deva ser descartada.



O problema da confiança entrou na discussão


A própria Narrative também publicou recentemente um texto voltado a fotógrafos que dizem não confiar em inteligência artificial.


A empresa diferencia dois tipos de resistência. Há profissionais que simplesmente preferem não utilizar algoritmos na seleção. Há também aqueles que aceitam utilizar inteligência artificial, mas querem entender o que o sistema está fazendo e manter a possibilidade de revisar cada decisão.


Essa segunda questão provavelmente será cada vez mais importante.


À medida que a IA entra no fluxo profissional, o fotógrafo passa a precisar de respostas mais concretas. Quais critérios estão sendo usados? É possível alterar esses critérios? A classificação pode ser revista? Uma fotografia marcada como fraca continua disponível?

Nesse cenário, controle e transparência deixam de ser apenas questões técnicas e passam também a fazer parte da disputa comercial entre softwares.


Lightroom e Capture One seguem uma direção parecida


A Narrative não está sozinha nessa abordagem.


O Lightroom Classic chama sua ferramenta de seleção de “Seleção Assistida”. O recurso pode analisar foco, olhos e exposição, mas permite que o fotógrafo defina critérios, ajuste parâmetros e revise os resultados.


O Capture One adotou lógica semelhante com o Assisted Review. A ferramenta identifica possíveis problemas, como olhos fechados ou perda de foco, e transforma essas informações em critérios que podem ser combinados com estrelas, cores e outras formas tradicionais de seleção.


As três soluções não funcionam da mesma maneira e têm propostas diferentes. O ponto em comum está na forma como começam a ser apresentadas.

A tecnologia analisa. O fotógrafo revisa.


A IA pode estar ficando mais integrada ao fluxo


Essa mudança de discurso não significa que a inteligência artificial esteja perdendo espaço na fotografia.


Na prática, pode estar acontecendo o contrário.


Quanto mais a tecnologia entra no Lightroom, Capture One, Narrative e outras ferramentas, menos ela precisa aparecer como produto isolado. Para muitos fotógrafos, o benefício concreto não está em “usar IA”, mas em reduzir o tempo necessário para selecionar duas mil imagens, encontrar problemas de foco ou localizar rapidamente determinados arquivos.

Nesse cenário, a inteligência artificial passa a funcionar como uma camada do software.


O que tende a diferenciar as ferramentas é o quanto elas aceleram o trabalho sem dificultar a revisão e sem retirar do fotógrafo decisões que ele considera importantes.


É também o que tenho acompanhado como Ambassador


Depois do primeiro teste, publiquei outro artigo sobre minha entrada no Narrative Ambassador Crew.



No texto “Narrative Ambassador Crew: quando a IA deixa de ser curiosidade e entra no fluxo do fotógrafo”, expliquei que meu interesse na aproximação com a empresa estava ligado principalmente às mudanças no trabalho profissional.

Essa continua sendo a parte mais interessante para mim.


Ferramentas de seleção com IA já existem. A discussão agora começa a ficar mais específica: onde realmente economizam tempo, quais decisões conseguem apoiar e em quais momentos o fotógrafo prefere continuar fazendo a avaliação sozinho.


A mudança recente na comunicação da Narrative torna esse debate ainda mais visível.


Quer testar em um trabalho real?


Para quem trabalha com casamento, eventos, esportes, fotografia escolar ou qualquer produção com grande volume de arquivos, uma forma prática de avaliar esse tipo de ferramenta é utilizá-la em um trabalho real.


O Narrative pode ser testado pelo meu link de Ambassador. Minha sugestão é observar principalmente três coisas: quanto tempo a primeira seleção economiza, quais escolhas você precisa corrigir e quanto controle continua tendo sobre o resultado final.




Transparência


Faço parte do Narrative Ambassador Crew, tenho acesso aos produtos da empresa e participo de seu programa de afiliados.


Se uma assinatura paga for realizada por meio do link publicado neste artigo, posso receber comissão, sem custo adicional para o leitor. Essa relação comercial não interfere nas avaliações e opiniões publicadas no blog.

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