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Narrative: testei a IA que promete acelerar a seleção de fotos sem tirar o fotógrafo do controle

  • há 9 horas
  • 10 min de leitura

O Narrative organiza cenas, analisa foco, olhos e expressões e sugere as imagens mais fortes. Mas a escolha final continua nas mãos de quem fotografou.

 Imagem ilustrativa. As fotografias do teste principal não são reproduzidas neste artigo.
 Imagem ilustrativa. As fotografias do teste principal não são reproduzidas neste artigo.

Selecionar fotografias pode ser uma das etapas mais demoradas do trabalho profissional.

Depois de um evento, o fotógrafo precisa atravessar sequências muito parecidas, conferir foco, comparar expressões, identificar olhos fechados, eliminar repetições e decidir qual imagem representa melhor cada momento.


Foi nessa etapa que comecei a testar o Narrative, uma plataforma criada na Nova Zelândia para auxiliar fotógrafos na seleção inicial de fotografias (o chamado culling) e na edição de grandes volumes de imagens com inteligência artificial.


Este conteúdo faz parte de uma parceria editorial paga com a empresa. O acesso completo à plataforma foi fornecido para o teste, mas as observações e conclusões são independentes.


Uma galeria real, usada apenas no teste

Para evitar uma demonstração artificial, utilizei, com autorização, uma galeria real produzida pela fotógrafa brasileira Ana Campbell.


O conjunto tinha 318 fotografias de um evento, com pessoas, grupos, cenas sociais, mudanças de expressão e imagens semelhantes produzidas em sequência.

Esse tipo de material ajuda a observar justamente o que uma ferramenta de seleção precisa resolver: repetição, diferenças discretas, problemas técnicos e decisões entre fotografias muito parecidas.


Neste primeiro teste, não apliquei estrelas, rejeições ou escolhas em nome da fotógrafa. As imagens não são minhas e eu não estava presente no evento. Portanto, seria inadequado afirmar quais momentos deveriam ser entregues ao cliente ou tentar reproduzir o olhar autoral da Ana.


O objetivo foi observar como o Narrative organiza a galeria antes da decisão humana. As fotografias usadas no teste não são reproduzidas nesta matéria.


Como começa o uso

O Narrative inicia o uso com uma sequência visual de orientação e perguntas sobre o volume de trabalho.
O Narrative inicia o uso com uma sequência visual de orientação e perguntas sobre o volume de trabalho.

Na primeira abertura, o Narrative apresenta uma introdução visual dividida em pequenas etapas.


O aplicativo pergunta aproximadamente quantas fotografias o usuário produz em um mês movimentado. As opções vão de menos de mil até dez mil ou mais imagens.

Em seguida, explica os fundamentos da seleção, os atalhos de teclado e a lógica da organização por cenas.


As setas para cima e para baixo permitem navegar entre fotografias. As setas laterais fazem o usuário avançar de uma cena para outra.

A plataforma também mostra como aplicar estrelas, etiquetas coloridas e as marcações (picked e rejected) escolhida e rejeitada.


Essas classificações são decisões manuais do fotógrafo. Elas não devem ser confundidas com o treinamento automático da inteligência artificial. A IA oferece informações e organiza o material; o fotógrafo continua registrando quais imagens pretende manter ou descartar.


A interface preserva classificações manuais por estrelas, mantendo o fotógrafo no controle da seleção.
A interface preserva classificações manuais por estrelas, mantendo o fotógrafo no controle da seleção.

A escolha da pasta

Depois das telas introdutórias, o usuário escolhe uma pasta local com as fotografias.

A abertura da galeria e a análise inicial foram rápidas, mesmo em um notebook comum e fora da minha estrutura habitual de trabalho. A navegação também se mostrou direta e responsiva.


Isso importa porque parte do desgaste da seleção não está apenas na decisão criativa. Ele também nasce da espera para carregar arquivos, ampliar rostos e alternar entre imagens semelhantes.


O que a inteligência artificial analisa

O Narrative não observa apenas se uma imagem está focada ou desfocada. A plataforma cruza diferentes sinais, entre eles foco nos rostos e nos principais sujeitos, olhos abertos ou no meio de uma piscada, expressão facial, comparação entre pessoas na mesma fotografia, diferenças entre imagens semelhantes e existência de alternativas melhores dentro da mesma sequência.


O recurso Close-ups, ou ampliação de rostos, mostra automaticamente detalhes das pessoas encontradas na imagem. Em fotografias com várias pessoas, isso evita que o usuário precise ampliar e arrastar manualmente a foto para conferir cada rosto.

O Face Assessments, recurso de avaliação de rostos, sinaliza situações como mid-blink (durante uma piscada) e soft focus, ou foco suave.


O sistema também atribui notas de foco de 1 a 10. No teste, 278 das 318 imagens receberam alguma pontuação. Outras 40 ficaram sem nota desse tipo.

Isso não significa necessariamente que essas 40 fotografias estavam desfocadas. Em algumas imagens, a ferramenta pode não encontrar um rosto ou sujeito adequado para gerar a avaliação. A pontuação funciona como mais uma informação para a decisão, e não como sentença definitiva.


O sistema apresenta avaliações de foco e pose como apoio à triagem, sem substituir a interpretação do fotógrafo.
O sistema apresenta avaliações de foco e pose como apoio à triagem, sem substituir a interpretação do fotógrafo.

Scenes View: a visualização por cenas

Um dos principais recursos é o Scenes View, ou visualização por cenas.

A plataforma identifica fotografias semelhantes, agrupa essas imagens em cenas e cria uma ordem dentro de cada sequência. As candidatas consideradas mais promissoras costumam aparecer no início do grupo.


Isso pode ser especialmente útil em eventos, casamentos, esportes e retratos, nos quais o fotógrafo produz várias versões de um mesmo momento.


O termo “melhor”, porém, precisa ser interpretado com cuidado. A inteligência artificial está procurando a candidata tecnicamente mais forte dentro daquele conjunto. Isso não significa necessariamente a imagem mais importante emocionalmente, a mais representativa para o cliente ou a escolhida final pelo fotógrafo.


A visualização permite navegar pela galeria e filtrar as imagens pelas categorias sugeridas pelo Narrative.
A visualização permite navegar pela galeria e filtrar as imagens pelas categorias sugeridas pelo Narrative.

O resultado da primeira análise

Depois de analisar as 318 imagens, o Narrative distribuiu a galeria em cinco categorias:

Classificação no Narrative

Tradução

Imagens

Percentual

Best in Scene

Melhor da cena

155

48,7%

Above Average

Acima da média

49

15,4%

Average

Média

53

16,7%

Below Average

Abaixo da média

43

13,5%

Undesirable

Indesejável

18

5,7%


 Distribuição automática das 318 imagens nas cinco categorias do Narrative.
 Distribuição automática das 318 imagens nas cinco categorias do Narrative.

Quase metade da galeria recebeu a classificação Best in Scene, ou melhor da cena.

Isso não significa que o sistema considerou metade das fotografias pronta para ser entregue. Best in Scene indica que a imagem aparece como uma das candidatas mais fortes dentro do seu respectivo grupo.


Como a galeria contém muitas pessoas, momentos e sequências diferentes, é natural que várias imagens ocupem essa posição em cenas distintas.


Best in Scene: candidata mais forte dentro de uma sequência.

Above Average: imagem com bom potencial e sem problemas relevantes aparentes.

Average: fotografia utilizável, mas possivelmente acompanhada de alternativas melhores.

Below Average: imagem com alguma fragilidade técnica ou comparativa.

Undesirable: fotografia com problemas mais significativos ou claramente inferior a outra opção da mesma cena.


A plataforma não exclui automaticamente as imagens das categorias inferiores. O fotógrafo continua livre para revisar tudo, mudar classificações e preservar uma fotografia por razões que a inteligência artificial não conhece.


Controle em vez de piloto automático

Esse foi o ponto mais interessante do primeiro contato.

O Narrative não esconde completamente a lógica da seleção atrás de uma lista pronta. O usuário consegue observar a posição da fotografia dentro da cena, a nota de foco, os rostos ampliados, sinais relacionados aos olhos e à expressão, a classificação automática e as alternativas semelhantes.


Depois disso, decide quais estrelas, cores e marcações aplicar.

Essa abordagem pode ser especialmente relevante para fotógrafos brasileiros que observam com cautela ferramentas excessivamente automáticas.


Uma fotografia tecnicamente imperfeita pode conter o gesto mais importante de uma sequência. Uma imagem com leve perda de foco pode registrar uma expressão única. Uma fotografia considerada inferior pelo algoritmo pode ter valor emocional, narrativo ou comercial para o cliente.


A inteligência artificial não conhece sozinha esse contexto. O Narrative parece buscar um meio-termo: organiza e sugere, mas preserva o fotógrafo dentro do processo.





A percepção da fotógrafa

Para fazer uma checagem externa, enviei à fotógrafa Ana Campbell uma pequena amostra da seleção, sem informar quais imagens haviam sido melhor ou pior avaliadas pelo Narrative.


Depois de observar o conjunto, ela considerou que a sequência fazia sentido como storytelling, embora pudesse ajustar algumas escolhas após rever a galeria completa.


“A seleção fez sentido como storytelling. Mesmo com algumas imagens parecidas, a história do evento aparece: a transmissão do leilão, a curiosidade das pessoas, o gesto de cheirar as trufas, a demonstração do chef e, no final, os compradores. Eu talvez acrescentasse alguma imagem depois de rever a galeria inteira, mas a sequência contou a história”, avalia Ana Campbell.


A resposta não significa que a IA reproduziu integralmente o olhar da fotógrafa. Mostra, porém, que a primeira triagem conseguiu preservar elementos importantes da sequência e oferecer uma base coerente para revisão humana.


Ship: enviando a seleção para a edição

Depois de concluir a seleção, o fotógrafo pode usar o recurso Ship, ou enviar para edição.

Esse comando encaminha as imagens escolhidas para a próxima etapa do fluxo. A documentação atual da empresa apresenta integração com Lightroom, Photoshop e Capture One; no caso de aplicação de presets de IA durante o envio, o fluxo está ligado ao Lightroom.


Na prática, o processo fica assim: o usuário escolhe a pasta; o Narrative agrupa imagens semelhantes em cenas; a IA avalia foco, olhos, expressões e qualidade relativa; o fotógrafo revisa o resultado; aplica estrelas, cores, aprovações e rejeições; e envia as imagens selecionadas ao programa de edição.


O Narrative não substitui necessariamente o Lightroom ou outro editor. Ele tenta diminuir o trabalho anterior à edição.


O Ship + Pre-edit encaminha a seleção para a próxima etapa do fluxo de edição.
O Ship + Pre-edit encaminha a seleção para a próxima etapa do fluxo de edição.


Train AI Preset: o treinamento está ligado à edição

O botão Train AI Preset, ou treinar preset de IA, pode gerar alguma confusão no primeiro contato. Esse recurso não serve para ensinar à plataforma quais fotografias devem ser escolhidas. Ele está relacionado à edição.


O Narrative procura catálogos do Lightroom no computador, identifica conjuntos de fotografias já tratadas e tenta aprender padrões consistentes de exposição, balanço de branco, cor e outros ajustes. A partir disso, cria um preset pessoal de inteligência artificial.

Portanto, existem duas camadas distintas: a IA de seleção organiza, avalia e sugere; a IA de edição tenta aprender como o fotógrafo costuma tratar suas imagens.


A documentação atual indica que o treinamento de um Personal AI Preset exige um portfólio de pelo menos 1.500 imagens editadas de forma consistente.

No meu caso, iniciei a procura por catálogos disponíveis no computador. A plataforma informou que a análise poderia levar algumas horas.


Qualquer preset criado nesse processo não pode ser atribuído ao estilo de Ana Campbell, pois o computador e os catálogos analisados não representam necessariamente o histórico de edição dela.


A barreira do inglês

As telas iniciais são visuais, progressivas e bem explicadas. Mesmo assim, toda a interface observada está em inglês.


Termos como culling (seleção inicial), ratings (classificações), Best in Scene (melhor da cena), Face Assessments (avaliação de rostos), Close-ups (ampliação de rostos), Scenes View (visualização por cenas), Undesirable (indesejável) e Ship (enviar para edição) podem ser familiares para fotógrafos acostumados com programas internacionais.


Para outra parte do mercado brasileiro, podem representar uma barreira. Como o Narrative é um aplicativo instalado no computador, não é possível simplesmente utilizar a tradução automática de uma página no navegador.


No meu caso, o idioma não impediu o uso. Mas essa é uma percepção pessoal. Para profissionais com pouca familiaridade com inglês, configurações, mensagens sobre privacidade e recursos avançados podem exigir mais esforço.


Isso revela uma oportunidade para a empresa: interface em português, conteúdo educativo local, suporte e aproximação com profissionais brasileiros.


Privacidade e envio de prévias

No Narrative Culling, todo o processamento de IA relacionado à seleção acontece localmente no computador do usuário. Separadamente, o fotógrafo pode optar por compartilhar prévias de suas imagens para ajudar a Narrative a desenvolver e melhorar o serviço. Esse compartilhamento é opcional e fica desativado por padrão: se o usuário não autorizar ativamente, as imagens permanecem no computador e não são enviadas para essa finalidade.


Na pré-edição com presets Core ou Artist, o processamento também ocorre localmente e as imagens permanecem no dispositivo. O treinamento de um Personal AI Preset é um processo diferente: somente quando o fotógrafo escolhe criar esse preset pessoal suas imagens são enviadas para que o sistema aprenda o estilo de edição daquele profissional.


Segundo a Narrative, as imagens enviadas para treinar um Personal AI Preset são usadas somente para aprender o estilo de edição daquele fotógrafo e não para outra finalidade. Isso vale independentemente do conteúdo das imagens, inclusive quando aparecem crianças. A empresa não coleta consentimento diretamente de cada pessoa fotografada; cabe ao profissional garantir que possui as autorizações, consentimentos e demais permissões necessárias para utilizar essas imagens no treinamento do preset pessoal.


Esses dois fluxos não devem ser confundidos. O compartilhamento de prévias para melhoria do produto é opcional e depende de autorização ativa do usuário; já o envio de imagens para treinamento ocorre quando o próprio fotógrafo decide criar um Personal AI Preset para aprender o seu estilo de edição. Assim, o uso do Narrative para seleção ou para pré-edição com presets Core ou Artist não significa, por padrão, enviar fotografias de clientes para treinar um modelo pessoal.


Em caso de encerramento da conta, a Narrative informa que os dados, incluindo imagens, são eliminados em até 30 dias. Os termos também preveem uma janela de 30 dias após suspensão ou término para que o usuário acesse ou baixe seus dados, seguida de esforços razoáveis para a exclusão permanente.


Para dúvidas adicionais sobre o tratamento das imagens, a empresa orienta o contato pelo e-mail hello@narrative.so. Como em qualquer fluxo profissional que envolva fotografias de clientes, cabe ao fotógrafo analisar os termos e confirmar que possui as autorizações necessárias antes de enviar material para o treinamento de um preset pessoal.


Teste gratuito e custo no Brasil

A Narrative oferece um teste gratuito de 14 dias do plano Ultra, sem exigir cartão de crédito no cadastro. Ao criar a conta pelo link de afiliado indicado neste artigo, o usuário recebe 10% de desconto aplicado no momento da inscrição.


Para o fotógrafo brasileiro, o custo final também depende do câmbio, de possíveis impostos e dos encargos do cartão ou do meio de pagamento. Esse valor precisa ser considerado junto com o volume de imagens processadas e o tempo que a plataforma efetivamente economiza.


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Para quem a proposta parece mais relevante


O ganho tende a ser maior para profissionais que trabalham com muitas imagens, como casamentos, festas e eventos, formaturas, esportes, fotografia escolar, retratos corporativos em escala, famílias, grupos e ensaios com muitas variações semelhantes.


Para quem produz poucas fotografias cuidadosamente construídas, o benefício pode ser menor.


A ferramenta faz mais sentido quando existe um grande volume de decisões repetitivas antes da escolha autoral.


Primeira conclusão

Neste primeiro contato, o Narrative se mostrou rápido, intuitivo e mais amplo do que uma simples ferramenta de detecção de foco.


A plataforma abriu uma galeria real, agrupou imagens semelhantes, analisou rostos, olhos, expressões e nitidez, criou uma primeira hierarquia e apresentou ferramentas claras para revisar o resultado.


Ela não entregou uma seleção final que pudesse ser aceita sem análise. E talvez essa não seja a melhor maneira de compreender sua proposta.


O Narrative funciona como uma camada de inteligência antes da decisão autoral. Ele indica onde olhar, aproxima rostos, organiza alternativas e reduz parte do esforço mecânico.

O fotógrafo continua responsável por dizer o que importa.


Para um mercado que observa com cautela tecnologias que prometem substituir escolhas criativas, esse equilíbrio entre assistência e controle pode ser justamente o aspecto mais relevante da plataforma.


Nota visual: as fotografias exibidas nos screenshots pertencem a um projeto demonstrativo separado, produzido com imagens licenciadas do Burst. Os dados, conclusões e a avaliação de Ana Campbell permanecem baseados na galeria real de 318 imagens, que não é reproduzida neste artigo.


Nota de transparência: este conteúdo faz parte de uma parceria editorial paga com a Narrative. A empresa forneceu acesso completo à plataforma para o teste, mas as observações e conclusões apresentadas são independentes. A análise utilizou internamente uma galeria real de 318 imagens. As fotografias do evento não são reproduzidas neste artigo. O artigo também inclui um link de afiliado; se um leitor se tornar assinante pago por meio desse link, o blog pode receber comissão, sem custo adicional para o leitor.




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