Só mesmo um fotógrafo para sair fotografando com uma escova de dentes
A nova Dyson CameraJet tem uma câmera "fraquinha". Uma fotógrafa decidiu levá-la para as ruas de Copenhague e descobrir o que aconteceria.

Enquanto fabricantes de câmeras e smartphones disputam mais resolução, sensores melhores, foco mais rápido e imagens cada vez mais perfeitas, uma fotógrafa resolveu seguir exatamente na direção contrária.
Ela saiu para fazer fotografia de rua com uma escova de dentes.
A responsável pelo experimento é a criadora conhecida como All Gear No Skill. O equipamento escolhido foi a recém-lançada Dyson CameraJet, uma escova elétrica de US$ 499 que traz uma pequena câmera integrada. A função original, naturalmente, não tem nenhuma relação com fotografia de rua.
A CameraJet usa uma câmera macro de 100 mil pixels (algo próximo de 0,1 megapixel) combinada a machine learning para identificar os espaços entre os dentes. A partir disso, o aparelho direciona pequenos jatos de enxaguante para esses pontos durante a escovação. A imagem também pode ser acompanhada ao vivo pelo aplicativo MyDyson.
E foi aí que surgiu a ideia.
Se transmite imagem, por que não fotografar?
All Gear No Skill levou a escova para uma caminhada pelas ruas de Copenhague e começou a apontá-la para prédios, ruas, grafites e paisagens.
Há um problema: a CameraJet não foi projetada para funcionar como uma câmera fotográfica convencional. A própria Dyson afirma que as imagens da câmera não são gravadas nem armazenadas no aparelho ou na nuvem. Para transformar o experimento em fotografias, a autora usou screenshots da transmissão exibida pelo aplicativo.
O resultado é estranho.
E justamente por isso interessante.
A lente produz uma distorção forte de fisheye. A resolução é baixíssima para os padrões atuais. As cores mudam de forma imprevisível e algumas cenas parecem ter sido registradas com uma câmera infravermelha.
A fotógrafa contou ao PetaPixel que a câmera precisa de bastante luz, mas também não lida bem quando recebe luz demais. Ao ser retirada do ambiente para o qual foi projetada, todas essas limitações começam a criar uma estética própria.
No Reddit, ela resumiu a experiência dizendo que gostou das cores estranhas e do fisheye, embora provavelmente volte para a Leica na próxima saída fotográfica. A publicação passou de mil votos, e alguém já perguntou se ela aceitaria fotografar um casamento com a CameraJet.
Talvez a câmera ruim seja justamente a graça
A história parece apenas uma brincadeira de sexta-feira. Só que toca em algo curioso na fotografia atual.
Nunca tivemos tanto acesso a imagens tecnicamente impecáveis. Câmeras corrigem ruído, lentes, exposição e foco. Smartphones processam praticamente tudo. A IA já consegue criar ou reconstruir imagens extremamente convincentes.
Ao mesmo tempo, continuam ganhando espaço as digicams antigas, o filme, câmeras lo-fi e processos que produzem justamente aquilo que a tecnologia passou décadas tentando eliminar: ruído, distorção, erros de cor e imprevisibilidade.
Agora podemos acrescentar uma escova de dentes à lista.
Talvez porque, quando praticamente qualquer equipamento consegue produzir uma imagem correta, o defeito volte a ter personalidade.
Ou talvez a explicação seja mais simples.
Como disse a própria autora do experimento: “Photography should be fun.”
E, convenhamos, sair pelas ruas de Copenhague fotografando com uma Dyson na mão parece cumprir muito bem essa função.
Toda semana eu separo histórias, movimentos e ideias que ajudam a entender para onde a fotografia está indo: das câmeras improváveis à IA, negócios e novos mercados.
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