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GABRIEL CHAIM: 10 ANOS DE GUERRAS SEM FIM

O fotodocumentarista brasileiro, que oferece perspectiva única sobre guerras recentes, ganha sua primeira retrospectiva em forma de livro e de exposição


Como premiado fotógrafo e cinegrafista, o paraense Gabriel Chaim documenta há uma década guerras e crises humanitárias no Oriente Médio, na Europa e na África. Em maio, o lançamento do livro Gabriel Chaim: 10 anos de Guerras Sem Fim, pela Editora Vento Leste, e a abertura da exposição homônima, no MIS, em São Paulo, trazem ao público um conjunto de imagens que sintetizam sua trajetória e sua visão dos conflitos recentes ou em curso na Síria, no Iêmen, na Líbia, na Armênia, no Iraque e na Ucrânia.


Com curadoria do jornalista Fernando Costa Netto, o livro e a exposição ressaltam a perspectiva única sobre o conturbado panorama internacional desse início de século, além de reafirmar sua relevância como documento histórico, já reconhecida inclusive no cenário internacional. Entre 2016 e 2018, suas coberturas dos conflitos na Síria e no Iraque, para emissoras como CNN, Spiegel TV, History Channel, HBO e BBC, ganharam dois prêmios Emmy, três distinções do New York Festivals e uma medalha de ouro do Clube de Imprensa Internacional. Suas fotografias de guerra também apareceram nos telões das turnês mundiais da banda irlandesa U2, conhecida por defender a paz.


Vocação e risco

Gabriel Chaim descobriu sua vocação há dez anos durante uma visita a um dos maiores campos de refugiados do mundo, o de Zaatari, na Jordânia. Após a Guerra da Síria, sua primeira cobertura importante, seguiram-se confrontos com o Estado Islâmico no Iraque, e missões para registro de refugiados no Oriente Médio e na África. Nos últimos dois anos, cobriu o início das guerras da Ucrânia – foi o primeiro jornalista brasileiro a entrevistar, com exclusividade, o Presidente Volodymyr Zelensky, em 2023.


Acompanhou a Polícia Federal brasileira em missões contra o garimpo ilegal em terras Ianomâmi, no Amazonas. Seu trabalho envolve negociações complexas, longas esperas e riscos consideráveis. É realizado de forma independente, em meio a cenários caóticos de exceção e hostilidade, em busca de um olhar próximo e da face humana das guerras e dos conflitos.


Para a jornalista Ana Célia Aschembach, que assina um dos textos do novo livro, ao revelar histórias humanas entrelaçadas para além dos dados frios e impessoais de uma guerra, sua obra nos lembra da relevância histórica do documentarismo. "As histórias capturadas por Chaim servem como um poderoso lembrete do papel essencial do fotojornalismo e do documentário para iluminar as realidades muitas vezes esquecidas ou negligenciadas", escreve. "Através de seu olhar, somos convidados a refletir sobre as complexidades da guerra, a fragilidade da vida e a importância da empatia e do entendimento mútuo. Suas imagens e relatos promovem um diálogo necessário sobre conflito, humanidade e esperança".


Linha do tempo

As imagens de Gabriel Chaim: 10 anos de Guerras Sem Fim organizam-se no livro em torno de conflitos específicos, compondo uma linha do tempo do trajeto do fotógrafo. No livro, cada conjunto de fotos é acompanhado por comentários do próprio Chaim. Na Guerra da Síria (2013), que nasceu de escaramuças revolucionárias no contexto da Primavera Árabe, ele conta que teve seu primeiro contato com o assassinato indiscriminado de civis. "Sobrevivi por sorte", diz. Na Líbia, onde atuou em 2019, experimentou a sensação de insegurança de estar em "um país mergulhado no caos, sem um governo efetivo, sem lei e muito perigoso". No Iêmen, em 2018, testemunhou pela primeira vez a escassez de comida e a fome. Na Armênia, em 2020, durante a tentativa de invasão do Azerbaijão, viu cidadãos queimando as próprias casas antes de abandoná-las. Entre 2015 e 2020, cobrindo o confronto entre o exército iraquiano e o Estado Islâmico – que cresceu em resposta à carnificina de civis promovida pelo ditador Bashar Al-Assad para tomar várias cidades –, locomovia-se em ambulâncias, os únicos veículos que ainda gozavam de algum salvo-conduto. Em Kyiv, na Ucrânia, onde se estabeleceu a tempo de documentar o início do conflito com a Rússia, viu a descrença inicial dos moradores e, logo em seguida, a vida que migrava para os bunkers subterrâneos.


Vidas que seguem

Na contramão de reportagens breves e monitoradas sobre guerras, as imagens de Gabriel Chaim lançam um olhar aprofundado para a realidade cotidiana das zonas de conflito, captando com frequência a força da vida que segue sob condições desesperadoras. Em Hraytan, perto de Alepo, alvo frequente de bombardeios, crianças assistem aula no subterrâneo de um edifício, em plena Guerra da Síria. Em Raqqa, um franco-atirador usa o antigo apartamento de uma família como base em ofensiva contra o Estado Islâmico. Em Borodianka (Ucrânia) uma jovem aguarda, com o namorado, os bombeiros que buscam o corpo da mãe sob os escombros. No Iraque, civis, entre eles crianças, fogem de operação das Forças Especiais Iraquianas em Mossul.

"Quando vejo que cheguei perto do perigo, que realmente consegui captar a realidade de um conflito, aí eu me realizo", diz o fotógrafo na apresentação do novo livro. Ofício arriscado, custoso e cheio de sacrifícios, a fotografia de guerra é, para ele, "a denúncia singular de uma parte do mundo que não vai bem".


Para Mônica Schalka, Editora da Vento Leste, é no desconcerto provocado pelas imagens de Chaim que uma parte essencial de seu trabalho se realiza, ao trazer para diante de nossos olhos realidades que tendemos a evitar. "Gabriel Chaim nos mostra que a guerra tem rostos, famílias e um futuro destroçado", diz Mônica, destacando que "partilhar esse martírio, com olhos e corações abertos, é nossa sina e redenção".


Sobre Gabriel Chaim

Gabriel Chaim (1981) é documentarista e fotógrafo brasileiro, dedicado a coberturas em áreas de conflito e crises humanitárias. Reconhecido com dois Emmy Awards, em 2018, foi laureado em sete edições no NY Film Festival, recebendo três prêmios de ouro em 2016, 2017 e 2018. Seu trabalho recebeu outros reconhecimentos de prestígio, como a medalha de ouro no Deutscher Fernsehpreis (2018), Overseas Press Club Awards (2018) e Peabody Awards (2018 e 2020).


Colaborador regular de veículos jornalísticos renomados como BBC, RTL, CNN, NBC, Spiegel TV e TV Globo (Brasil), Chaim ofereceu ao mundo perspectivas únicas e diferentes pontos de vista da Guerra da Síria (2013). Seu foco concentrou-se nos esforços de libertação do país tomado pelo Estado Islâmico, sob a ótica dos soldados curdos. Em Alepo, passou quase dois anos documentando a cidade sitiada contra o regime de Bashar al-Assad. Num trabalho inovador, incluiu a utilização de um drone para revelar a destruição da cidade de Kobani, a partir de uma perspectiva nunca antes vista numa zona de guerra. Em 2018 esteve no Iêmen para registrar durante dois meses a catástrofe humanitária que estava em curso. Em 2019, capturou o fluxo de civis na Líbia e a situação dos refugiados presos em centros de detenção na capital, Trípoli. A documentação desses dramáticos eventos continuou em 2020, quando ele visitou Nagorno-Karabakh (Artsakh) do lado armênio, e produziu reportagens impactantes para a BBC, que se tornaram virais.   


Chaim também cobriu a invasão russa na Ucrânia desde os primeiros dias, e mostrou o drama dos civis que perderam tudo em seu último documentário Shelter, Innocents under Fire, que ganhou medalha de prata no NY Film Festival em 2022. Entre seus filmes mais impactantes estão Syria on the Run (2014), Kobani Lives On (2015), Trenchers in the Desert (2016), Mossul, Margins of War (2017), Iemen, a Forgotten Country (2018), Allies (2019), e Shelter, Innocents under Fire (2022), e Blood Gold para a BBC (2021), cada um lançando luz sobre diferentes aspectos dos conflitos em todo o mundo. Seu trabalho também chamou a atenção da banda de rock irlandesa U2, com quem colaborou durante as turnês mundiais Innocence and Experience e Joshua Tree, utilizando imagens de drone da Síria e do Iraque, que adicionaram um elemento visual poderoso às performances da banda.

A busca incansável de Gabriel Chaim pela verdade e pela humanidade diante da adversidade deixou uma marca indelével no mundo do documentário, tornando-o uma voz respeitada e influente na reportagem de conflitos. Foi o primeiro jornalista brasileiro a ser recebido pelo presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, encontro transmitido pela TV Globo em julho de 2023.


Este ano, foi um dos 12 fotógrafos do mundo selecionados para o Global Focus Project, festival em Sharjah, nos Emirados Árabes, onde irá apresentar a série Amazon and the Gold of Hunger". Agora, em maio de 2024, Gabriel Chaim apresenta com destaque seu novo livro pela Editora Vento Leste e sua exposição Gabriel Chaim: 10 Anos de Guerras Sem Fim pelo Museu da Imagem e do Som – MIS-SP, para marcar seus dez anos na cobertura de conflitos armados.


Sobre o Maio Fotografia no MIS

Criado em 2012, o projeto Maio Fotografia no MIS dedica um período de sua programação à fotografia, com todos os espaços do Museu tomados por exposições e atividades temáticas paralelas. Desde a primeira edição, figuraram importantes artistas, nacionais e internacionais, como André Kertész, Andy Warhol, Carlos Eber, Chico Albuquerque Claudio Edinger, Gregory Crewdson, Josef Koudelka, Martin Parr, Mauricio Lima, Valdir Cruz, Vivian Maier e Willy Ronnis.


Sobre o MIS

O Museu da Imagem e do Som (MIS), instituição ligada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, foi inaugurado em maio de 1970. Seu acervo abriga mais de 200 mil itens entre fotografias, filmes, vídeos e cartazes. O MIS é, atualmente, um dos centros culturais mais movimentados e reconhecidos de São Paulo. Além de grandes exposições nacionais e internacionais, oferece uma grande variedade de programações culturais, com eventos em todas as áreas e para todos os públicos: cinema, música, vídeo e fotografia estão presentes no dia a dia do museu. O MIS é gerido pela ACCIM – Associação Cultural Ciccillo Matarazzo, também responsável pela gestão do Paço das Artes e do MIS Experience. Mais informações no site: www.mis-sp.org.br. MIS - Avenida Europa, 158 (SP). Horário de funcionamento: De Terça à sexta, das 10h às 19h. Sábado, das 10h às 20h. Domingo, das 10h às 18h.


Sobre a Vento Leste

A Vento Leste é uma plataforma facilitadora de projetos culturais – livros, exposições, filmes e registros importantes para o acervo da memória da sociedade contemporânea. Atua com os profissionais mais qualificados para oferecer produtos de excelência curatorial e de execução, com total respeito à autoria do artista. Com isso, a Vento Leste vem se firmando no mercado editorial e de comunicação como um polo de conteúdos relacionados à ESG (sigla de Environmental, Social and Governance). Abrigando em seu portfólio nomes importantes da fotografia documental brasileira, a editora empreende para aliar causas importantes a empresas interessadas em divulgar sua marca como símbolo de responsabilidade e atuação consciente na sociedade.


Projetos como Terra d'água Pantanal, de Luciano Candisani; Água Brasil e Do Desespero à Dignidade, de Érico Hiller; Treelogia, de Cristiano Xavier; Reentrâncias – Maretório da Costa Amazônica, de Enrico Maroni e  Planet@ Subzero, de João Paulo Barbosa, todos com conteúdo da máxima importância para a pauta socioambiental, são exemplos claros da consonância com a agenda do meio ambiente e estão disponíveis para parcerias com empresas que priorizam o tema em sua comunicação. Para mais informações, acesse www.ventoleste.com.


Fichas técnicas

EXPOSIÇÃO GABRIEL CHAIM

Gabriel Chaim – 10 Anos de Guerras Sem Fim é uma das exposições que compõem o Maio Fotografia no MIS. Com curadoria do jornalista Fernando Costa Netto e produção da Vento Leste Editora, traz imagens captadas desde 2013 na guerra da Síria e em coberturas feitas no Iraque, Armênia e Iêmen de 2015 a 2020, quando Chaim esteve focado na guerra das forças de coalização contra o Estado Islâmico, até o conflito na Ucrânia. Chaim construiu uma brilhante e corajosa carreira captando, em foto e vídeo, imagens dos principais conflitos e guerras dessa última década, assim como crises humanitárias nos dois hemisférios. É um dos fotógrafos brasileiros mais premiados internacionalmente e um artista com obras nas principais coleções de arte do Brasil. Seu trabalho mostra o que muitos preferem ignorar – para que a verdade não seja mais uma vítima silenciosa. A exposição, que reúne uma década de imagens de guerras, estará registrada no novo livro da Editora Vento Leste, a ser lançado também durante o evento Maio Fotografia, no MIS - Av. Europa, 158 (SP). www.mis-sp.org.br.


LANÇAMENTO DO LIVRO CONVERSA COM GABRIEL CHAIM E FERNANDO COSTA NETTO

22 de maio, 19h no MIS

Gabriel Chaim – 10 Anos de Guerras sem Fim é o novo livro produzido pela Editora Vento Leste a ser lançado em 22 de maio de 2024, com sessão de autógrafos e conversa com o autor e o curador Fernando Costa Netto no auditório. Dentro da programação do Maio Fotografia, o MIS abriga a exposição homônima, de grande impacto. O livro reúne imagens captadas desde 2013, com um capítulo sobre a guerra da Síria, e segue cronologicamente com coberturas feitas no Iraque, Armênia e Iêmen no período entre 2015 e 2020, quando Chaim esteve focado na guerra das forças de coalização contra o Estado Islâmico. Também aborda a Ucrânia e, recentemente, a cobertura da crise em solos israelense e palestinos. Chaim construiu uma brilhante e corajosa carreira captando, em foto e vídeo, imagens dos principais conflitos dessa última década, assim como crises humanitárias nos dois hemisférios. É um dos fotógrafos brasileiros mais premiados internacionalmente e um artista com obras nas principais coleções de arte do Brasil. Seu trabalho mostra o que muitos preferem ignorar – para que a verdade não seja mais uma vítima silenciosa. MIS - Av. Europa, 158 (SP). www.mis-sp.org.br

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