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Fujifilm cresce e revela um público diferente: mais jovem e com forte presença feminina

há 8 horas
3 min de leitura

Mais de 70% dos usuários da linha X estão na faixa dos 30 anos ou abaixo dela e cerca de 40% são mulheres. Em evento recente em Tóquio, 90% dos participantes nunca haviam usado uma câmera Fujifilm.



A Fujifilm registrou forte expansão no mercado de câmeras digitais nos últimos anos e novos dados ajudam a mostrar quem está chegando à marca.


Segundo informações do Nikkei Asia reproduzidas pela imprensa especializada, mais de

70% dos usuários da linha X estão na faixa dos 30 anos ou abaixo dela e aproximadamente 40% são mulheres. Os números foram fornecidos por Kouji Matsumoto, vice-presidente corporativo da Fujifilm.


Os dados aparecem em um período de crescimento expressivo da empresa. Os embarques totais de câmeras digitais Fujifilm passaram de aproximadamente 430 mil unidades em 2023 para 740 mil em 2024 e 1,16 milhão em 2025, segundo dados do Nikkei.


Na linha X, a produção também avançou. Foram cerca de 380 mil unidades em 2023 e 750 mil em 2025, de acordo com os números reportados a partir dos levantamentos japoneses. É importante separar os dois indicadores: os 1,16 milhão incluem o conjunto de câmeras digitais da empresa, não apenas os modelos da linha X.


Um evento em Tóquio mostra quem a marca está alcançando


Outro dado ajuda a entender a estratégia.


Em uma experiência realizada recentemente pela Fujifilm em Tóquio, aproximadamente 1.400 pessoas participaram durante quatro dias. Segundo o Nikkei, a maioria estava na faixa dos 20 e 30 anos, 70% eram mulheres e cerca de 90% nunca haviam usado anteriormente uma câmera Fujifilm.


O evento permitia testar equipamentos em diferentes situações fotográficas. A estratégia não se limita aos grandes encontros Fujikina: a empresa vem utilizando experiências presenciais menores para colocar as câmeras diretamente nas mãos de potenciais consumidores.


O dado dos 90% merece atenção porque indica que a marca não está falando apenas com sua base tradicional. A Fujifilm está colocando seus produtos diante de um público que ainda não tinha relacionamento com a empresa.


Isso não permite concluir que todos sejam novos usuários de câmeras dedicadas — alguém pode usar Canon, Sony, Nikon ou outra marca e nunca ter fotografado com Fujifilm. Mas mostra capacidade de alcançar pessoas fora da própria base instalada.



Mais do que nostalgia


Parte da popularidade recente das câmeras Fujifilm costuma ser associada ao design inspirado em equipamentos analógicos e à procura crescente por uma estética retrô.


A própria empresa, porém, descreve uma estratégia mais ampla.


Em entrevista ao DPReview neste ano, executivos da Fujifilm destacaram a importância da experiência de fotografar, especialmente para consumidores mais jovens. Simulações de filme, controles físicos, design, tamanho dos equipamentos e a maneira como a fotografia é vivenciada fazem parte dessa proposta.


A X half é um exemplo mais evidente dessa abordagem. A câmera foi desenvolvida com limitações deliberadas e forte referência à experiência da fotografia analógica, enquanto a empresa dizia querer mostrar que fotografar também poderia ser uma atividade menos técnica e mais ligada à experiência.


Os eventos presenciais acrescentam outra camada. Produto, linguagem de marca e comunidade passam a funcionar juntos para apresentar a câmera dedicada a públicos que cresceram fotografando principalmente com smartphones.



O que esses números dizem sobre o mercado fotográfico


Os dados são específicos da Fujifilm e não devem ser tratados como retrato de todo o mercado de fotografia.


Ainda assim, mostram que uma fabricante conseguiu crescer enquanto alcançava um público significativamente jovem e com participação feminina relevante.

Isso interessa para além das vendas de câmeras.


Um novo público entrando ou retornando à fotografia movimenta também ensino, workshops, impressão, acessórios, viagens fotográficas, comunidades, experiências, serviços e produtos ligados à imagem.


E existe uma questão particularmente importante para quem trabalha profissionalmente no setor: esse público pode não chegar à fotografia com as mesmas referências, expectativas e linguagem das gerações anteriores.


A oportunidade, portanto, não está apenas em saber qual câmera está vendendo. Está em observar quem começou a se interessar novamente por fotografar com uma câmera e o que essa pessoa procura na experiência fotográfica.


Momento R.U.M.O.


Mercados não mudam apenas quando aparece uma tecnologia nova. Eles também mudam quando entra um cliente diferente.


No Mapa R.U.M.O., uma das análises é justamente essa: entender para quem seu trabalho faz sentido hoje, como esse público está mudando e se seu posicionamento, sua comunicação e sua oferta continuam conversando com ele.


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