Fujifilm lança câmera de bolso e nova impressora Instax. O interessante é o que existe entre elas
Instax Pal 2 fotografa sem imprimir; Link Wide 2 transforma arquivos digitais em fotos instantâneas. Juntas, as novidades mostram como a Fujifilm continua aproximando câmera, celular e fotografia física.

A Fujifilm apresentou nesta terça-feira, 15 de setembro, duas novidades para a linha Instax: a pequena câmera digital Instax Pal 2 e a impressora portátil Instax Link Wide 2.
São produtos bastante diferentes, mas que ajudam a entender uma mesma estratégia da empresa: fazer a fotografia circular entre câmera, smartphone e impressão física.

A Pal 2 é a segunda geração da câmera de bolso lançada originalmente em 2023. Ela não imprime fotos. É uma câmera digital compacta, feita para fotografar e depois transferir os arquivos para o celular ou enviá-los a equipamentos compatíveis do ecossistema Instax.
A nova geração ganhou visor óptico, uma pequena tela LCD de 1 polegada, controles físicos e capacidade para registrar imagens de até 10 megapixels. Há ainda 30 efeitos divididos em cinco temas e um modo que combina até dez fotografias consecutivas em uma pequena animação.



Outro detalhe importante é a possibilidade de fotografar pensando nos formatos Mini, Square ou Wide da própria Instax.
A Fujifilm está, portanto, usando uma câmera digital para levar o usuário de volta ao seu negócio de fotografia instantânea.
Do celular para o papel
A outra novidade faz o caminho inverso. A Instax Link Wide 2 recebe imagens do smartphone e produz fotografias no filme Instax Wide, com aproximadamente 86 x 106 mm. É a sucessora da Link Wide apresentada em 2021.

Uma das principais novidades está no aplicativo. O recurso Photo Mixer combina imagens da galeria e propõe composições no formato de colagem. O usuário pode editar a montagem antes da impressão.
Também é possível acrescentar textos, molduras, filtros, emojis e adesivos. QR codes impressos podem apontar para links, localizações, mensagens ou arquivos de áudio. O aplicativo ainda permite extrair uma imagem de um vídeo para impressão.

A Link Wide 2 também conversa diretamente com algumas câmeras. Entre elas está justamente a linha Instax Pal. É essa conexão que torna os dois lançamentos mais interessantes quando observados juntos.
Fotografar, circular e imprimir
A Fujifilm não está tentando substituir o smartphone com a Pal 2.
Também não está propondo uma volta pura e simples à fotografia analógica.
O que aparece é um percurso híbrido: fotografar com uma câmera pequena, transferir para o celular, editar ou compartilhar digitalmente e, quando fizer sentido, transformar aquela imagem novamente em um objeto físico.
A própria Fujifilm descreve a Pal como uma câmera cuja função de impressão foi retirada para manter o equipamento pequeno, enquanto a integração com impressoras e câmeras híbridas permite posteriormente produzir uma fotografia Instax.
Isso ajuda a explicar por que a marca continua conseguindo tratar a impressão instantânea como algo contemporâneo, mesmo em um mercado dominado pelo smartphone.
Não é apenas uma questão de qualidade de imagem.
Existe também uma disputa pela experiência de fotografar e compartilhar.
A Pal 2 introduz visor, botões e controles físicos deliberadamente associados à experiência de usar uma câmera. A Link Wide 2 pega uma imagem que poderia permanecer indefinidamente na galeria do celular e oferece um motivo para transformá-la em objeto.
Há algo importante aí para o mercado fotográfico. Enquanto boa parte da indústria trabalha para manter cada vez mais imagens dentro das telas, a Fujifilm continua criando pequenos rituais para fazê-las sair delas.
A Instax Pal 2 e a Link Wide 2 chegam ao mercado europeu no fim de setembro, com preços sugeridos de €169,99 e €174,99, respectivamente. No Japão, os dois produtos têm lançamento previsto para 9 de outubro. A Fujifilm não informou nesses anúncios preços ou disponibilidade para o mercado brasileiro.
No Essencial
Nem toda mudança relevante na fotografia começa em uma câmera profissional.
Ela também aparece na forma como as pessoas fotografam, imprimem, compartilham e atribuem valor às imagens.
No Essencial, acompanho tecnologia, comportamento, novos produtos e modelos de negócio para entender o que esses movimentos podem representar para quem trabalha profissionalmente com fotografia.
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