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Apple contrata fotógrafos para mostrar o que o novo iPhone consegue fazer

há 1 dia
3 min de leitura

Jake Michaels e Jason Nocito assinam nova campanha “Shot on iPhone Duo”. Em um smartphone cada vez mais dependente de hardware, software e IA, a Apple continua recorrendo à autoria fotográfica para demonstrar o valor de suas câmeras.



A Apple voltou a contratar fotógrafos para apresentar a câmera de um novo iPhone. Jake Michaels e Jason Nocito assinam seis imagens produzidas com o iPhone Duo e divulgadas no perfil oficial da empresa no Instagram como parte da campanha “Shot on iPhone”. A iniciativa foi publicada pelo 9to5Mac em 1º de outubro. Leia a matéria original no 9to5Mac


O projeto mantém uma estratégia que acompanha o iPhone há aproximadamente uma década. A Apple já utilizou trabalhos de usuários, fotógrafos e cineastas para divulgar diferentes gerações do aparelho, associando novos recursos de câmera a imagens produzidas em situações reais ou em trabalhos encomendados. Segundo o 9to5Mac, a campanha também já recebeu prêmios em Cannes e indicações ao Emmy.


O iPhone Duo chega com uma câmera cada vez mais computacional


Apresentado em setembro, o iPhone Duo é o primeiro smartphone dobrável da Apple. O aparelho traz uma câmera principal Fusion de 48 MP e utiliza as duas telas para criar novas formas de fotografar, incluindo pré-visualização para quem está diante da câmera e possibilidade de usar as câmeras traseiras para selfies acompanhando o enquadramento pela tela externa.


Há também recursos que mostram o peso crescente do software na produção da imagem. Na chamada Captura Inteligente, modelos de IA executados no próprio aparelho analisam a cena e podem disparar automaticamente quando identificam que as pessoas estão prontas para a fotografia. A Apple também destaca processamento pelo chip A20 Pro e diferentes recursos computacionais para foto e vídeo.


É nesse contexto que a escolha de fotógrafos para a campanha ganha relevância. Em vez de apresentar somente especificações de câmera, a empresa utiliza imagens produzidas por profissionais para demonstrar visualmente o que o sistema pode entregar.


A campanha mostra o aparelho, mas também mostra quem está fotografando


As seis imagens de Jake Michaels e Jason Nocito não devem ser interpretadas como um teste neutro da câmera. São trabalhos encomendados a fotógrafos experientes, com escolhas de luz, enquadramento, momento, edição e seleção que fazem parte do resultado final.


Essa distinção importa porque campanhas de smartphones frequentemente colocam a fotografia pronta como evidência da capacidade técnica do aparelho. A câmera participa do resultado, mas não trabalha sozinha. O repertório e as decisões do fotógrafo continuam presentes nas imagens utilizadas pela própria fabricante para divulgar o produto.


No caso do iPhone Duo, isso fica ainda mais evidente porque a Apple está vendendo justamente um sistema no qual hardware, software e inteligência artificial trabalham juntos. A fotografia produzida pelo smartphone depende cada vez menos de uma relação simples entre lente, sensor e disparo e passa por diferentes etapas de processamento antes de chegar à tela.


Fotógrafos continuam fazendo parte da estratégia da Apple


A permanência do “Shot on iPhone” também mostra que fotografia profissional e smartphone não aparecem necessariamente como campos opostos. A Apple, uma das empresas que mais contribuiu para tornar o celular a câmera cotidiana de bilhões de pessoas, continua recorrendo a fotógrafos para construir a percepção de qualidade de seus equipamentos.


Isso não significa que o mercado profissional permaneceu igual. Smartphones absorveram uma parcela enorme das situações que antes dependiam de câmeras dedicadas, enquanto fotografia computacional e IA ampliaram a capacidade técnica disponível para usuários comuns. O que a campanha evidencia é que capacidade técnica e autoria visual continuam sendo coisas diferentes.


Essa relação entre captura, processamento e intervenção computacional faz parte do território que aprofundo no Fotografia Expandida, dedicado às mudanças entre a imagem real, híbrida e sintética e ao impacto dessas transformações no trabalho de quem produz imagens.


A nova campanha do iPhone Duo oferece um exemplo concreto dessa transição. A Apple apresenta uma câmera marcada por IA, processamento e novas possibilidades de software, mas escolhe trabalhos de fotógrafos identificados pelo nome para mostrar ao público o que essa tecnologia é capaz de produzir.


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