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Huawei transforma o celular em uma câmera modular com sensor de 1 polegada

há 2 dias
3 min de leitura

Novo XMAGE Z10 tem sensor próprio de 50 MP, zoom óptico de 24–240 mm e mostra até onde pode avançar a aproximação entre smartphones e câmeras



A Huawei apresentou nesta quinta-feira, 1º de outubro, uma solução que vai além das lentes adicionais que já começaram a aparecer nos smartphones mais avançados. O novo XMAGE Z10 é um módulo fotográfico completo, com sensor e óptica próprios, conectado diretamente ao celular.


O acessório foi anunciado junto com a nova família Mate 90 e utiliza um sensor CMOS de 1 polegada e 50 megapixels, acompanhado de uma objetiva com zoom motorizado equivalente a 24–240 mm e abertura variável de f/2 a f/4,5. São 19 elementos ópticos distribuídos em seis grupos.


Na prática, a proposta se aproxima mais de uma câmera compacta acoplada ao smartphone do que de uma simples lente complementar.


Não é apenas uma lente no celular


Essa diferença é importante. Acessórios ópticos usados por outras fabricantes ampliam o alcance de uma das câmeras que já estão dentro do aparelho. No Z10, o sensor que registra a imagem também está no módulo.


O smartphone continua necessário. Ele fornece energia e assume processamento, armazenamento, interface e compartilhamento das imagens. Portanto, o Z10 não funciona como uma câmera independente: câmera e telefone formam um único sistema durante o uso.


O módulo também grava vídeo em até 4K/60p, oferece foco automático e manual, estabilização óptica, anel físico de controle e compatibilidade com filtros de 77 mm por meio de adaptador. Fotografias podem ser registradas inclusive em DNG.


Há um preço físico para isso. O Z10 pesa aproximadamente 346 gramas. Somado ao Mate 90 Pro Max Collector's Edition, o conjunto chega perto de 581 gramas antes mesmo da instalação de uma empunhadura. O acessório parte de 5.999 yuans no mercado chinês.



Uma ideia antiga retorna em outro mercado


A tentativa de separar a câmera do corpo do smartphone não é nova.


Em 2013, a Sony apresentou as QX10 e QX100, câmeras em formato de lente criadas para trabalhar conectadas ao celular. A QX100 também utilizava um sensor de 1 polegada, tinha zoom óptico e podia transformar o smartphone em monitor e interface de controle.

Treze anos depois, porém, o contexto mudou.


O smartphone se tornou a câmera dominante para bilhões de pessoas, o processamento computacional passou a participar diretamente da construção da imagem e fabricantes começaram a procurar novas maneiras de superar as limitações físicas impostas pela espessura dos aparelhos.


O Z10 é uma resposta bastante literal: se não cabe uma câmera desse tamanho dentro do telefone, ela pode ser colocada do lado de fora.



Onde termina o smartphone e começa a câmera?


Talvez esse seja o ponto mais interessante do lançamento. O Mate 90 Pro Max já possui um sistema interno com câmera principal de 50 MP, ultrawide de 40 MP e teleobjetiva periscópica de 200 MP. Ainda assim, a Huawei criou outro sistema de captura inteiro para ser conectado ao aparelho.


Isso não significa que câmeras dedicadas estão prestes a desaparecer. Pelo contrário: um módulo de quase 350 gramas mostra que sensor, lente, estabilização e distância focal continuam submetidos às mesmas limitações físicas da fotografia tradicional. Mas mostra que a divisão entre câmera e smartphone pode ficar menos rígida.


Em vez de tentar fazer o celular substituir sozinho todos os equipamentos fotográficos, fabricantes podem começar a tratá-lo como o centro de um sistema: tela, computador, conexão, inteligência computacional e distribuição de um lado; sensores e ópticas especializados do outro.


Para fotógrafos, talvez a parte mais importante do Z10 nem seja saber se ele produz imagens melhores do que determinada câmera.


É observar que a indústria continua redesenhando aquilo que chamamos de câmera.



Acompanhar produto é diferente de acompanhar o mercado


Novos equipamentos aparecem o tempo todo. O que me interessa no Essencial é observar o que esses lançamentos revelam sobre fotografia, tecnologia, comportamento e negócios — e o que começa a mudar antes de isso virar consenso.


É esse tipo de leitura que compartilho com os membros, junto com análises, referências e outros movimentos que estão alterando o mercado da imagem.

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