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Vivo X500 avança em vídeo e alcance dinâmico, mas muda a fórmula do X300 Ultra

há 9 minutos
4 min de leitura

Nova geração chega à China com 4K a 240 fps, sensor principal com 17 EV e tele de 200 MP. A comparação com o JOVI X300 Ultra vendido no Brasil mostra que a evolução não acontece apenas aumentando resolução.



Pouco depois de o JOVI X300 Ultra chegar ao Brasil, a Vivo apresentou na China a nova série X500. O destaque para fotografia e vídeo é o X500 Pro Max, que mantém parte da arquitetura criada na geração anterior, mas muda significativamente a câmera principal e avança sobretudo em alcance dinâmico e vídeo.


Isso torna a comparação especialmente interessante para o mercado brasileiro. A propósito, a JOVI é a marca usada pela vivo no mercado brasileiro.


O X300 Ultra desembarcou aqui em agosto por R$ 19.999, acompanhado de um kit fotográfico e com uma proposta pouco comum em smartphones: câmera principal de 200 MP e 35 mm, teleobjetiva de 200 MP e acessórios ópticos capazes de ampliar o alcance para 200 e 400 mm.


No X500 Pro Max, a Vivo não simplesmente repetiu essa receita com números maiores.



De 200 MP para 50 MP na câmera principal


A mudança mais evidente está justamente na câmera principal.


O X300 Ultra utiliza um sensor Sony LYTIA 901 de 200 MP e 1/1,12 polegada, combinado a uma lente equivalente a 35 mm. É um sensor grande para os padrões de smartphones e uma escolha de distância focal que aproxima o aparelho de uma linguagem mais documental.


No X500 Pro Max, a principal passa para 50 MP, 1/1,28 polegada e 24 mm equivalente. Em resolução e tamanho físico do sensor, portanto, os números diminuíram. A novidade está na tecnologia por trás dele.



O novo sensor, desenvolvido em conjunto com a Sony, utiliza estrutura LOFIC, tecnologia capaz de armazenar carga fotoelétrica excedente em vez de simplesmente descartá-la quando áreas da imagem recebem muita luz. A Sony anuncia 100 dB de faixa dinâmica para o LYTIA L910, enquanto a Vivo declara até 17 EV no modo Log do X500 Pro Max.


Na prática, o objetivo é preservar simultaneamente mais informação nas altas luzes e nas sombras, uma das limitações históricas dos pequenos sensores utilizados em smartphones.


A evolução, portanto, não está em colocar mais megapixels no aparelho. A Vivo está trocando parte dessa resolução por outra prioridade: quanto de luz o sensor consegue registrar em uma única cena.






A tele de 200 MP permanece


Em outro ponto importante, a empresa decidiu não mexer tanto.


O X500 Pro Max mantém uma teleobjetiva equivalente a 85 mm, com 200 MP e sensor de 1/1,4 polegada, configuração muito próxima da encontrada no X300 Ultra. O sistema tem estabilização de nível CIPA 7.0 e também permite fotografia macro a 15 centímetros.


Os extensores ópticos desenvolvidos para a geração X300 também continuam presentes. O acessório Gen 2 Ultra leva o conjunto a um equivalente de 400 mm, reforçando uma característica que diferencia essa linha de boa parte da fotografia móvel atual: o smartphone passa a funcionar como um sistema ao qual se adicionam componentes ópticos.


Ou seja, o 400 mm não é exatamente uma novidade do X500. É uma ideia da geração anterior que a Vivo decidiu preservar.



O salto mais evidente está no vídeo


É no vídeo que a diferença entre as duas gerações fica mais clara.


O JOVI X300 Ultra vendido no Brasil já grava 4K a 120 fps nas três câmeras traseiras, além de oferecer Log de 10 bits, monitoramento de LUTs e integração com o padrão ACES para gerenciamento de cores.


O X500 Pro Max leva a câmera principal a 4K a 240 fps em câmera lenta, além de oferecer 4K a 120 fps com rastreamento de foco e gravação 10-bit Log. A Vivo também mantém ferramentas destinadas a produção e pós-produção profissional.


É uma diferença importante porque mostra onde a empresa está concentrando parte do desenvolvimento. O smartphone já não disputa apenas quem produz a fotografia mais impressionante computacionalmente. Ele começa a disputar recursos tradicionalmente associados a câmeras dedicadas para produção audiovisual.



Não é uma evolução linear


Olhar apenas para a ficha técnica poderia produzir uma conclusão curiosa: em alguns aspectos, o X300 Ultra vendido hoje no Brasil continua sendo mais radical.


Sua câmera principal tem 200 MP contra 50 MP, utiliza um sensor maior e adota 35 mm em vez dos 24 mm do novo aparelho.


O X500 Pro Max responde com outra estratégia: LOFIC, 17 EV anunciados de alcance dinâmico, 4K a 240 fps e uma nova geração de processamento.


Não existe, portanto, uma simples substituição de “bom por melhor”. Existe uma mudança no que a Vivo considera mais importante.


E talvez esse seja o aspecto mais interessante do lançamento.



O smartphone começa a assumir a lógica de um sistema fotográfico


Durante anos, a principal promessa da fotografia móvel foi eliminar equipamentos. Um dispositivo no bolso substituiria câmera, lentes e vários acessórios. O caminho seguido pela Vivo começa a produzir o movimento inverso.

Há grip dedicado, extensores ópticos de 200 e 400 mm, Log, LUTs, gerenciamento de cores, estabilização avançada e diferentes sensores especializados. O telefone continua no centro, mas ao redor dele começa a surgir algo parecido com um sistema fotográfico modular.


A diferença é que processamento computacional e inteligência artificial continuam trabalhando junto com esse hardware.


O X500 Pro Max, por enquanto, foi lançado apenas na China, com preços a partir de 6.999 yuans, e ainda não há anúncio de disponibilidade no Brasil.


Por aqui, o X300 Ultra oferece uma referência concreta do que essa estratégia representa. E talvez seja exatamente por isso que a nova geração mereça atenção: menos de dois meses depois de a Vivo colocar no mercado brasileiro um smartphone com duas câmeras de 200 MP e lente de até 400 mm, ela já mostra qual será o próximo campo de disputa.

Não necessariamente mais resolução.


Mais informação capturada, mais controle de vídeo e um smartphone cada vez mais parecido com um sistema de produção de imagem.


A câmera também está mudando.


No Fotografia Expandida, analiso como fotografia real, produção híbrida, inteligência artificial e novos sistemas de captura estão alterando o trabalho de quem produz imagens.



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