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JOVI traz ao Brasil um celular que quer ser câmera profissional. O preço chega a quase R$ 20 mil com o kit completo

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Com duas câmeras de 200 megapixels, lentes equivalentes a até 400 mm e acessórios próprios, o X300 Ultra amplia as opções para fotografia móvel no país. A proposta é interessante. O valor, porém, restringe o aparelho a um mercado muito pequeno.


O mercado brasileiro ganhou uma alternativa relevante para quem acompanha a aproximação entre smartphones e câmeras dedicadas.


A JOVI, nome usado pela fabricante chinesa vivo no Brasil, lançou por aqui a linha X300 com uma proposta explicitamente voltada à fotografia. O destaque é o X300 Ultra, aparelho que pode receber grip, controles físicos e teleconversores capazes de levar o conjunto a distâncias focais equivalentes a 200 mm e 400 mm.


A chegada é positiva. Apple, Samsung e Motorola dominam boa parte da conversa sobre celulares premium no país. Ter uma nova fabricante disputando esse espaço com um sistema construído ao redor da imagem aumenta a concorrência e oferece outra referência para fotógrafos e criadores. O problema aparece no preço.


O JOVI X300 Ultra Photographer Kit chega ao Brasil por R$ 19.990. É um valor próximo ao de conjuntos completos formados por câmera mirrorless, lente e acessórios. Nesse nível, a

comparação deixa de acontecer apenas entre smartphones.



Um smartphone construído ao redor das câmeras

O X300 Ultra possui três câmeras traseiras desenvolvidas em parceria com a ZEISS.


A principal usa distância focal equivalente a 35 mm e sensor de 200 megapixels. A telefoto também possui 200 megapixels, com enquadramento equivalente a 85 mm e estabilização descrita pela empresa como “gimbal-grade”. A ultrawide oferece 50 megapixels e campo de visão correspondente a 14 mm.


A escolha dos 35 mm para a câmera principal chama atenção. A maioria dos smartphones utiliza uma lente principal mais aberta, próxima dos 23 ou 24 mm. Os 35 mm se aproximam de uma linguagem comum na fotografia de rua, no documental e em retratos ambientais.



O telefone também grava em 4K a 120 quadros por segundo, com LOG de 10 bits e suporte a Dolby Vision. São recursos destinados a quem pretende editar cor, trabalhar com câmera lenta ou integrar o material a uma produção mais estruturada.

A ambição fica mais evidente quando o kit entra em cena.


Além da capa e dos adaptadores, o Photographer Kit adiciona um grip com botão físico de disparo, controles, suporte para tripé e bateria própria. O teleconversor aumenta o alcance da câmera de 85 mm e oferece opções equivalentes a 200 mm ou 400 mm.


Não é apenas um celular com boa câmera. A JOVI está tentando criar um pequeno sistema fotográfico modular.



O aparelho foi colocado à prova em Xangai

Uma campanha recente da vivo nas Filipinas levou o X300 Ultra para as ruas de Xangai.

A atriz e apresentadora Anne Curtis usou o smartphone para fotografar a cidade em dois ambientes bastante diferentes: a paisagem contemporânea de North Bund e as construções históricas de Shikumen.



Em uma das cenas, Curtis fotografou de longe a Oriental Pearl Tower usando a câmera telefoto de 200 megapixels e 85 mm. A campanha explorou justamente a capacidade de

isolar detalhes urbanos sem carregar uma câmera e uma teleobjetiva convencionais.




O ensaio contou com a participação do fotógrafo de moda filipino BJ Pascual, responsável pelas imagens da campanha. Pascual já havia comparado o X300 Ultra a uma câmera mirrorless durante uma apresentação realizada em Manila, usando os dois equipamentos em uma sessão de moda.


Naturalmente, trata-se de uma ação publicitária. As condições são controladas, existe uma equipe envolvida e as imagens selecionadas servem para valorizar o produto.


Ainda assim, a campanha mostra onde a fabricante deseja posicionar o aparelho: viagens, fotografia de rua, moda, retratos e produção de conteúdo com aparência profissional.


Uma boa notícia para o mercado brasileiro

A chegada oficial da linha X300 importa para além das especificações.

Durante muito tempo, alguns dos smartphones mais avançados para fotografia ficaram restritos ao mercado chinês. Importar significava assumir riscos relacionados a garantia, compatibilidade, assistência técnica e funcionamento de aplicativos.



A presença oficial da JOVI coloca esse tipo de tecnologia em circulação no Brasil, com suporte local e homologação.


Também pressiona as marcas que já atuam no segmento premium. O X300 Ultra traz sensores grandes, uma câmera principal de 35 mm, telefoto dedicada, acessórios físicos e uma comunicação quase inteiramente organizada em torno da fotografia.


Mesmo quem nunca comprará o aparelho pode ser beneficiado pela disputa. Recursos que começam como diferenciais de um modelo tendem a influenciar concorrentes e, com o tempo, chegar a faixas mais acessíveis.



O preço muda a conversa

O entusiasmo diminui quando o valor é colocado ao lado das alternativas disponíveis.

Por R$ 19.990, o X300 Ultra com Photographer Kit passa a disputar orçamento com câmeras mirrorless de ótima qualidade, lentes intercambiáveis, computadores para edição e até conjuntos profissionais usados.


O smartphone oferece vantagens reais. Ele está sempre conectado, processa e publica rapidamente, grava vídeos, edita no próprio aparelho e reúne diversas distâncias focais em um objeto relativamente compacto.


Uma câmera dedicada oferece outras vantagens: sensor maior, ergonomia, arquivos mais flexíveis, controles consistentes, lentes substituíveis, melhor desempenho em situações extremas e vida útil que pode ultrapassar várias gerações de celulares.

Não existe uma equivalência simples.


Para quem precisa simultaneamente de telefone, câmera, vídeo e distribuição, o X300 Ultra pode concentrar tarefas que exigiriam vários equipamentos. Para um fotógrafo interessado principalmente em qualidade de imagem e longevidade, gastar quase R$ 20 mil em um smartphone é uma decisão difícil de justificar.


O preço também expõe uma contradição. A fotografia móvel cresceu associada à democratização da imagem. Agora, alguns de seus aparelhos mais ambiciosos são apresentados como objetos de luxo.



O X300 FE tenta ampliar o alcance da proposta

A JOVI também anunciou o X300 FE, modelo de entrada da família, por R$ 7.999.

Ele mantém a parceria com a ZEISS e traz câmera principal de 50 megapixels, telefoto de 50 megapixels com zoom óptico de 3x, ultrawide de 8 megapixels e frontal de 50 megapixels.

Um kit de extensão vendido separadamente por R$ 1.499 adiciona um teleconversor equivalente a 200 mm. A soma chega a aproximadamente R$ 9.500.


Ainda é caro, mas coloca parte da experiência fotográfica da linha em uma faixa mais próxima de outros smartphones premium comercializados no Brasil.


Talvez seja justamente o FE que revele melhor o potencial da estratégia. O Ultra funciona como vitrine tecnológica. O modelo inferior pode transformar essa vitrine em volume de mercado, especialmente depois que o preço de lançamento começar a cair.



Câmera ou celular deixou de ser a única pergunta

O X300 Ultra não substitui automaticamente uma câmera profissional. Também seria limitado tratá-lo apenas como mais um telefone caro. O aparelho representa uma mudança maior.


Fabricantes de smartphones passaram a adotar distâncias focais da fotografia tradicional, grips, botões físicos, perfis LOG, teleconversores e parcerias com empresas ópticas. Ao mesmo tempo, vendem a conveniência de fotografar, editar e distribuir usando o mesmo dispositivo.


Essa convergência cria uma nova categoria de ferramenta. Ela pode fazer sentido para jornalistas, produtores de conteúdo, fotógrafos de viagem, profissionais de bastidores e pessoas que precisam trabalhar com discrição e velocidade.


A chegada da JOVI ao Brasil amplia essa discussão e melhora a diversidade do mercado.

O preço de quase R$ 20 mil, no entanto, transforma uma novidade tecnicamente interessante em produto de demonstração para a maioria dos fotógrafos brasileiros.

A tecnologia aponta para o futuro. O valor ainda parece desconectado da realidade de quem poderia colocá-la para trabalhar.


O que esse lançamento muda para quem vive de fotografia?

O avanço dos smartphones não elimina a câmera dedicada, mas muda o comportamento do cliente, a velocidade de produção e a expectativa sobre o que uma imagem precisa entregar.


No Fotograf.IA Essencial, essas transformações são discutidas a partir do impacto real sobre o trabalho do fotógrafo: posicionamento, mercado, ferramentas, riscos e novas possibilidades de atuação.


A proposta não é acompanhar cada novidade por curiosidade. É entender quais mudanças merecem atenção e como elas podem afetar suas decisões profissionais.

Conheça o Fotograf.IA Essencial e acompanhe de perto a nova fase da fotografia.


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