O tempo como matéria-prima da fotografia
- Leo Saldanha

- há 4 dias
- 2 min de leitura
O que a fala de Annie Leibovitz revela sobre permanência, confiança e valor em um mundo saturado de imagens

Durante décadas, Annie Leibovitz fotografou pessoas que já eram públicas. Ainda assim, suas imagens não ficaram presas ao instante. Elas atravessaram o tempo e se tornaram referências culturais duradouras.
Ao revisitar sua trajetória recente, fica evidente que o valor dessas imagens não nasce da urgência nem da busca por impacto imediato, mas da relação construída entre fotógrafo, sujeito e contexto. Confiança, leitura de ambiente e disposição para resolver problemas no momento da fotografia aparecem como elementos centrais do trabalho.
Esse tipo de construção contrasta com o cenário atual, marcado por produção constante, circulação acelerada e imagens que se esgotam rapidamente. A fotografia que permanece raramente tenta dizer tudo de uma vez. Ela se sustenta porque foi feita com atenção, mesmo quando o tempo disponível era curto.
Leibovitz fala com naturalidade sobre processos que hoje parecem exceção: entrar e sair de mundos diferentes, começar do zero a cada trabalho, construir familiaridade antes de disparar. Nada disso é romântico. Na verdade, tudo questão de método.
👉 Essa diferença entre produzir imagens e construir significado é um dos temas recorrentes do Primeiro Plano, uma leitura editorial voltada a quem precisa decidir com mais clareza em meio ao excesso de referências.
Ao longo da carreira, o trabalho da fotógrafa também revela algo menos discutido: a importância do silêncio visual. Entre retratos icônicos, há paisagens, interiores, imagens que não pedem atenção imediata. Elas ajudam a entender que nem toda fotografia precisa performar. Algumas precisam apenas existir para que outras façam sentido.

Em um mercado cada vez mais orientado por velocidade, alcance e resposta instantânea, essa postura ajuda a recolocar uma pergunta essencial: o que, afinal, faz uma imagem durar?
Talvez a resposta esteja menos na ferramenta e mais na intenção. Menos na técnica isolada e mais na coerência entre olhar, tempo e escolha.
Esse tipo de leitura costuma ganhar outra camada quando discutido em grupo, entre fotógrafos que enfrentam dilemas semelhantes e precisam tomar decisões reais sobre trabalho, posicionamento e direção.
No dia 25 de fevereiro, essas questões estarão no centro do encontro presencial Fotografia humana em tempos de IA, uma conversa focada em decisões práticas e leitura de contexto para quem vive da imagem em 2026.
A reflexão parte de uma entrevista recente concedida por Annie Leibovitz à revista Legend



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