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Quando imagens perfeitas param de funcionar

Existe uma diferença clara entre mostrar algo e fazer alguém sentir algo.


Durante muito tempo, esperava-se que a fotografia fosse direta.

Que mostrasse tudo, resolvesse a leitura e seguisse adiante.


Esse modelo funcionou enquanto produzir imagens exigia tempo, técnica e acesso. Hoje, esse contexto não existe mais. Imagens tecnicamente perfeitas são abundantes. E, curiosamente, passam rápido.


O que começa a ganhar atenção não é a imagem que explica melhor. É a imagem que provoca alguma reação antes da explicação. Às vezes é a textura, outras vezes a proximidade ou a atmosfera. Em muitos casos, são fragmentos. O efeito vem antes da estética.


Não é o assunto fotografado que muda o impacto. É a intenção por trás da imagem.

Algumas imagens não querem informar. Elas querem ser sentidas.


E quando isso acontece, o olhar fica mais tempo do que deveria.

Mas esse tipo de imagem não nasce de técnica específica. Tampouco nasce de moda. Quando vira fórmula, perde força.


O que está mudando não é a fotografia em si. É o critério com que ela é percebida.

A pergunta que fica não é técnica. É de decisão. Ou seja: O que suas imagens fazem alguém sentir antes de qualquer explicação?


Essa reflexão faz parte de uma discussão mais ampla que venho desenvolvendo dentro da comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto.


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