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Quando uma marca de luz fala de IA, o que ela está realmente dizendo?

O post da Profoto, a reação dos fotógrafos e o desconforto de uma indústria em transição



Nas últimas horas, um post publicado pela Profoto em suas redes sociais provocou reações intensas entre fotógrafos profissionais. A marca, historicamente associada ao domínio técnico da luz em estúdio, apresentou a ideia de que apenas quem entende luz de verdade consegue fazer imagens geradas por inteligência artificial parecerem convincentes.


A mensagem, acompanhada de um exemplo prático, defendia três pilares clássicos da fotografia direção da luz, contraste e intenção agora aplicados a um contexto híbrido, em que a IA interpreta e estende a imagem original.



Para parte da comunidade, isso soou como uma afronta direta ao fazer fotográfico. Para outros, como um movimento previsível em um mercado que tenta se reorganizar.


O texto crítico publicado pelo The Phoblographer adotou um tom mais duro, interpretando o gesto como uma quebra simbólica. Uma empresa que construiu sua autoridade vendendo luz física estaria, ainda que indiretamente, legitimando ferramentas que substituem o processo fotográfico tradicional. A reação emocional é compreensível, mas talvez não seja a única leitura possível.


Aqui vale uma pausa mais estratégica.


A Profoto não afirma que a luz deixou de importar. O que o discurso sugere é o oposto. Em um cenário onde qualquer pessoa pode gerar imagens em segundos, o diferencial não está mais apenas na ferramenta, mas no repertório visual que orienta decisões. A IA não cria do nada. Ela responde a critérios. E esses critérios continuam sendo profundamente fotográficos.


É exatamente nesse ponto que muitos fotógrafos se sentem perdidos hoje. Não por falta de ferramentas, mas por excesso de possibilidades e ausência de clareza estratégica. Quem quiser aprofundar essa discussão, de forma prática e sem ruído, encontra esse tipo de conversa acontecendo de maneira contínua dentro da comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto, onde a tecnologia é sempre analisada a partir de decisões reais de negócio e posicionamento.


Isso não elimina o desconforto. Existe uma tensão concreta entre uso assistivo e substituição total. A diferença entre ajustar uma imagem, estender uma cena ou gerar tudo a partir de um prompt ainda é confusa para o público e, muitas vezes, mal explicada pelas próprias marcas. Quando essa mediação falha, o espaço é ocupado por interpretações extremadas.


Há também uma contradição estratégica difícil de ignorar. Se a luz pode ser criada virtualmente, onde fica o valor de equipamentos premium? Essa pergunta não invalida a Profoto, mas escancara o dilema central da fotografia em 2026 como vender ferramentas físicas em um ecossistema cada vez mais simbólico, híbrido e imaterial.


Marcas tradicionais estão tentando reposicionar seu discurso antes de serem empurradas para a irrelevância. Algumas erram o tom. Outras erram o timing. Quase todas erram em algum ponto do processo. O problema talvez não seja falar de IA, mas não deixar claro qual continua sendo o papel do fotógrafo nesse novo cenário.


No fim, a pergunta mais produtiva não é se uma marca traiu seus usuários. É se fotógrafos, empresas e plataformas estão conseguindo redefinir, juntos, o que ainda é inegociável na fotografia intenção, critério, olhar e responsabilidade autoral.


Essa é exatamente a conversa que será aprofundada no encontro presencial do dia 25 de fevereiro, em São Paulo. Um grupo pequeno, um dia inteiro de discussão honesta sobre o que muda, o que permanece e quais decisões realmente importam para quem vive da imagem hoje. Mais informações estão disponíveis no link do evento.


A tecnologia muda rápido. O ruído também. Mas a disputa central continua sendo a mesma quem decide o que a imagem quer dizer.

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