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O que aparece quando fotógrafos têm três minutos para falar sobre o próprio trabalho

há 8 horas
3 min de leitura

No terceiro encontro do Palco 2026, os primeiros ensaios abriram conversas sobre posicionamento, marketing, dinheiro, carreira, legado e o que realmente merece entrar em uma apresentação.



Três minutos parecem pouco até alguém precisar decidir o que realmente quer dizer.

No terceiro encontro do Palco 2026, realizado em 29 de setembro, propus aos participantes um exercício simples: apresentar uma ideia em até três minutos, sem telas e sem a obrigação de entregar uma palestra pronta. O objetivo era trabalhar síntese, ritmo, começo, desenvolvimento e conclusão.    

Na prática, o exercício acabou mostrando muito mais.


As apresentações abriram conversas sobre fotografia como negócio, trajetória profissional, construção de marca, relacionamento com clientes, presença digital, inteligência artificial, dinheiro, memória e até sobre o desgaste provocado pela obrigação de estar permanentemente visível.


Quando a palestra encontra a experiência


Alyson Carvalho levou para o ensaio uma abordagem ligada à fotografia como transformação e autopercepção. Giulianna Conte falou sobre imagens como memória e legado, pensando no valor que uma fotografia pode adquirir muitos anos depois de ter sido produzida.    


Marina Cadore começou a trabalhar outra direção: o silêncio como contraste diante do excesso de estímulos e da pressão por presença constante nas redes. A discussão passou também pelo uso de imagens e frases como apoio à fala, sem transformar a apresentação em uma sequência de telas cheias de texto.    


Michele Sautner partiu de três décadas de atuação profissional para falar de carreira, transformação e do impacto acumulado de mudanças que foram do filme ao digital e chegaram à pandemia. Gustavo Camponogara conectou trajetória, marca e propósito à necessidade de traduzir melhor a história e os valores de quem está diante da câmera.


São temas diferentes, mas que revelam uma questão comum: uma boa apresentação não nasce necessariamente de uma ideia grandiosa. Muitas vezes ela começa quando o profissional identifica, dentro da própria trajetória, uma experiência que merece ser organizada e compartilhada.


Marketing além do Instagram


Outro tema forte do encontro foi a dependência das redes sociais.


Ana Campbell apresentou uma reflexão sobre marketing sem depender do Instagram e sobre a importância de diversificar os caminhos pelos quais um fotógrafo pode ser encontrado. Google, LinkedIn, site próprio, conteúdo e outras formas de presença passaram pela conversa.    


O assunto se encontrou com outra discussão do grupo: o retorno do contato presencial.

Visitas a clientes, materiais físicos, pequenas lembranças, conversas pessoais e ações de relacionamento apareceram como contraponto a um mercado cada vez mais automatizado. Para quem presta serviços, estar presente não significa necessariamente publicar todos os dias. Também pode significar construir relações que sobrevivem à plataforma da vez.



E dinheiro também entrou na conversa


Camilla Mello levou o encontro para um território que muitas vezes recebe menos atenção em eventos de fotografia: planejamento financeiro.


Fotógrafa há cerca de 20 anos e com experiência na área de finanças aplicada ao negócio fotográfico, ela trouxe questões como precificação, reservas e aposentadoria para profissionais autônomos. A conversa avançou para um ponto importante: ter agenda cheia não significa necessariamente ter um negócio financeiramente saudável.    


É uma discussão particularmente relevante em uma atividade que depende do corpo, de equipamentos, deslocamentos e de uma capacidade contínua de produzir.

Pensar no futuro também faz parte do preço cobrado hoje.


O trabalho agora é escolher


Talvez esse tenha sido o principal aprendizado do terceiro encontro.


Quando alguém tem três minutos para falar, fica impossível colocar toda a trajetória, todos os conhecimentos e todas as histórias dentro da mesma apresentação. É preciso escolher.

E isso também vale para os próximos ensaios.


O Palco 2026 começa agora a avançar para apresentações mais estruturadas, chegando gradualmente ao formato de 6 minutos e 40 segundos do Foto Talks 20×20. O apoio visual passa a entrar no processo, mas não para substituir a fala: imagens e telas precisam ajudar a conduzir a narrativa, não competir com ela.    


Veja a programação completa aqui: Foto Talks 20×20 2026: participantes, temas e data


Paralelamente, os participantes também começam a aparecer em outras frentes. Nas próximas semanas serão publicadas matérias individuais no blog, conectando trajetória, trabalho e tema da apresentação, e alguns deles também participarão das conversas do C.A.O.S. Fotográfico, ao vivo às segundas-feiras, às 21h.


O evento público acontece em 3 de novembro, quando essas ideias chegam ao Foto Talks 20×20.


Ainda dá tempo de entrar no Palco 2026


O processo já começou, mas ainda é possível participar desta etapa do Palco 2026.


Quem entrar agora terá acesso aos encontros e materiais já realizados e participa da sequência de ensaios, da preparação da apresentação para o Foto Talks 20×20 e das ações de visibilidade ligadas ao projeto, incluindo matérias no blog e oportunidades de participação no C.A.O.S. Fotográfico.


O investimento é de R$ 497 e inclui também 6 meses do Essencial.


Se quiser entender como funciona a entrada nesta fase do Palco 2026, fale comigo.


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