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O que estou lendo: Steve McCurry, prêmio de R$ 74 mil, Tamron e fotografia em debate

  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

Uma seleção sobre repertório, oportunidades, equipamentos, mercado e a responsabilidade de quem transforma o mundo em imagem.


Algumas leituras desta semana apontam para o futuro das câmeras. Outras lembram que a fotografia continua dependendo de decisões bastante humanas.


Há uma nova câmera que sai da mão e começa a voar, um equipamento de bolso com duas lentes, uma fabricante independente que conquistou boa parte do mercado mundial e uma premiação brasileira que distribuirá R$ 74 mil.


Também aparecem questões que nenhuma especificação técnica resolve: por que repetimos regras fotográficas que talvez nem existam? Todo lugar deve servir como cenário? E o que permanece depois de 45 anos atravessando o mundo com uma câmera?

Aqui está o que estou lendo.


Steve McCurry e o que a fotografia ainda pode oferecer

Depois de 45 anos de carreira, Steve McCurry continua falando da fotografia como uma forma de atravessar culturas, conflitos e experiências humanas.


Seu percurso inclui imagens produzidas nas Américas, na África e na Ásia, passando por tempestades de areia no Rajastão, pescadores no Sri Lanka e animais das Ilhas Galápagos.

A entrevista publicada pela Grazia India interessa menos como retrospectiva de uma carreira famosa e mais pela permanência de uma ideia: fotografar ainda pode ser uma maneira de observar o mundo com atenção, curiosidade e presença.


Em uma época fascinada por velocidade, automação e produção constante, vale ouvir alguém cuja obra foi construída pela capacidade de permanecer diante das pessoas e das situações.


Uma premiação distribuirá R$ 74 mil para fotógrafos brasileiros

O Prêmio Mário de Andrade de Fotografias Etnográficas está com inscrições gratuitas abertas até 4 de agosto.

Promovido pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, ligado ao Iphan, o edital busca reconhecer trabalhos relacionados às culturas populares brasileiras.

Existem duas categorias: fotografia individual e série fotográfica composta por cinco a dez imagens.

Em cada categoria, o primeiro colocado receberá R$ 15 mil, o segundo R$ 12 mil e o terceiro R$ 10 mil. Ao todo, serão distribuídos R$ 74 mil.

É uma oportunidade relevante para fotógrafos documentais, pesquisadores visuais e profissionais que desenvolvem trabalhos sobre festas, rituais, ofícios, territórios, comunidades e manifestações culturais brasileiras.

O prazo está próximo e exige atenção às condições completas do edital.


Afinal, é proibido sorrir na fotografia da CNH?

O fotógrafo mineiro Filipe Chaves decidiu questionar uma regra que muita gente conhece, mas quase ninguém sabe explicar: a suposta proibição de sorrir na fotografia da Carteira Nacional de Habilitação.

Segundo o esclarecimento atribuído ao Detran, não existe impedimento geral para que o cidadão sorria na foto.


O relato ultrapassou 17 mil compartilhamentos e mostra algo curioso sobre a fotografia institucional. Muitas orientações são repetidas como determinações técnicas ou legais, mesmo quando podem ser apenas hábitos adotados por atendentes, estúdios e sistemas de identificação.


A história é simples, mas levanta uma boa pergunta: quantas regras fotográficas seguimos sem verificar de onde vieram?


A DJI colocou duas lentes numa câmera de bolso

A DJI apresentou a Osmo Pocket 4P, câmera compacta voltada principalmente à produção de vídeo e conteúdo.


O principal diferencial é o conjunto formado por duas câmeras instaladas no gimbal. Uma utiliza lente equivalente a 20 mm e sensor de uma polegada. A outra combina lente equivalente a 60 mm com um sensor próprio.


Isso significa que a mudança de enquadramento não depende apenas de um recorte digital da imagem captada pela lente mais aberta. A segunda câmera oferece uma mudança real de perspectiva.


A solução responde a uma limitação recorrente das câmeras compactas para criadores: a dependência de uma única lente grande-angular, que funciona bem para gravações pessoais, mas restringe retratos, detalhes e planos mais fechados.

Equipamentos pequenos estão assumindo tarefas que antes exigiam câmera, lentes, estabilizador e uma operação mais complexa.





Uma câmera de bolso que ganha asas

A HoverAir apresentou a Versa, uma câmera portátil com gimbal de três eixos que pode se transformar em uma câmera aérea.


Na configuração convencional, ela se parece com outras câmeras compactas voltadas a criadores. Ao receber um conjunto modular de asas, passa a voar e acompanhar automaticamente o usuário.


A fabricante promete modos autônomos de voo, rastreamento de pessoas e um recurso capaz de realizar um movimento de 360 graus para registrar imagens usadas na reconstrução tridimensional de um ambiente.

Ainda faltam informações importantes sobre sensor, lente, qualidade final e preço. Mesmo assim, o conceito merece atenção.


A câmera deixa de ser definida por uma posição fixa. O mesmo equipamento pode ser segurado, apoiado ou lançado no ar conforme a imagem desejada.


A Tamron diz controlar cerca de 60% do mercado de lentes independentes

Um relatório da Tamron afirma que a empresa alcançou aproximadamente 60% do mercado de lentes intercambiáveis produzidas por fabricantes independentes.


O cálculo exige uma ressalva. Ele inclui tanto as lentes vendidas com a marca Tamron quanto os produtos fabricados pela companhia para outras empresas. Em 2025, os modelos próprios representaram 59% dos números da fabricante, enquanto a produção para outras marcas respondeu por 41%.


Ainda assim, o dado ajuda a dimensionar o peso da Tamron dentro da indústria óptica.

A empresa saiu de aproximadamente cinco lançamentos anuais em 2023 para mais de dez produtos programados para 2026. Também pretende consolidar sua presença em quatro sistemas de montagem, incluindo Canon RF.


O relatório ganhou importância adicional depois que a Tamron confirmou ter recebido da Sony uma proposta não vinculante para se tornar uma subsidiária integral do grupo.

Não se trata apenas da possível compra de uma fabricante de lentes. A negociação envolve uma empresa que ocupa uma posição central no fornecimento de óptica para diversas partes da indústria.


Quando um lugar de memória vira cenário para conteúdo

Um ensaio realizado no Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau provocou críticas depois de circular nas redes sociais.


A discussão vai além do comportamento específico das pessoas envolvidas. Ela toca numa questão que acompanha a popularização da produção de conteúdo: a facilidade de transformar qualquer território em cenário.


Fotografar em um lugar marcado pelo extermínio de mais de um milhão de pessoas exige consciência histórica e responsabilidade. O problema surge quando poses, roupas, direção e linguagem visual parecem deslocar o significado daquele espaço para priorizar a performance diante da câmera.


A fotografia pode documentar, preservar e ajudar a elaborar a memória. Também pode esvaziar um lugar quando o utiliza apenas como fundo visual.

Nem toda imagem possível precisa ser produzida. E ter permissão para carregar uma câmera não elimina a responsabilidade sobre o modo como ela será usada.


IA na fotografia: criação, mercado e valor profissional

No dia 8 de agosto, das 10h às 17h, conduzo no Foto Cine Clube Bandeirante, em São Paulo, um workshop presencial sobre inteligência artificial aplicada à fotografia.

A proposta não é apresentar uma maratona de ferramentas.


Vamos trabalhar criação visual, comunicação e negócio fotográfico para entender onde a IA pode fortalecer o trabalho e onde pode produzir padronização, ruído ou perda de identidade.

Cada participante também construirá um plano prático de sete dias para começar a testar o que foi discutido. A turma será pequena e as vagas são limitadas.




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São Paulo, SP

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