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O que estou lendo: fotografia que documenta, experimenta e muda de perspectiva

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Nesta seleção: Lalo de Almeida e a fotografia diante da crise climática, o processo de reinvenção da Kodak, uma câmera analógica de meio quadro e os vencedores de um concurso internacional de fotografia aérea.



Nesta edição de O que estou lendo, reuni quatro conteúdos que tratam de questões diferentes, mas conectadas ao momento atual da fotografia. Há espaço para discutir o papel documental das imagens, a transformação de uma marca histórica, a retomada do filme por meio de produtos simples e as possibilidades criativas abertas pela fotografia aérea.


Lalo de Almeida: fotografar também é uma forma de reagir

Em entrevista ao Clube de Criação, Lalo de Almeida fala sobre o poder da fotografia para tornar concretos temas que muitas vezes parecem distantes ou abstratos, como a emergência climática.


Ao acompanhar por anos as transformações na Amazônia e no Pantanal, o fotógrafo construiu uma produção que não se limita ao registro dos acontecimentos. Suas imagens relacionam destruição ambiental, vida humana, território e consequências políticas.


Outro ponto interessante está no projeto de transformar parte desse trabalho em livro. Depois de uma trajetória fortemente ligada à circulação das imagens em jornais e revistas, Lalo busca organizar o material de forma mais permanente, combinando fotografia, contexto e memória.


A entrevista reforça uma questão que atravessa o trabalho documental: uma imagem pode responder ao presente, mas também precisa encontrar formas de sobreviver à velocidade das notícias.


O CEO da Kodak explica como tentou reconstruir a identidade da empresa

Em entrevista à BBC, Jim Continenza, CEO da Kodak, fala sobre o processo de transformação de uma das marcas mais reconhecidas da história da fotografia.



A ascensão da fotografia digital ajudou a provocar uma das quedas empresariais mais emblemáticas das últimas décadas. A Kodak entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos em 2012, depois de perder mercado, consumir recursos e não conseguir transformar sua importância histórica em um modelo sustentável para o novo cenário.


Continenza participou do conselho da empresa durante esse processo e assumiu posteriormente sua liderança. Na conversa, ele afirma que uma das dificuldades era responder a uma pergunta aparentemente básica: o que a Kodak fazia naquele momento?


A reconstrução passou por abandonar a tentativa de viver apenas da memória da marca e reafirmar competências industriais. Hoje, a empresa atua em áreas como impressão comercial, materiais, produtos químicos e soluções industriais, embora o nome Kodak continue profundamente associado à fotografia.


A entrevista é especialmente interessante porque mostra que reinvenção não significa apenas lançar produtos diferentes. Também envolve recuperar clareza sobre identidade, capacidades e posição no mercado.


Esse raciocínio vale para empresas centenárias, mas também para pequenos negócios de fotografia. Quando ninguém consegue explicar com precisão o que uma marca faz, para quem trabalha e por que ainda é relevante, o problema costuma ser maior do que comunicação.



Uma câmera simples para fazer cada filme render mais

A Lomography apresentou uma câmera analógica reutilizável de meio quadro, criada para oferecer uma entrada mais acessível e simples na fotografia com filme.


O formato half-frame divide cada fotograma de 35 mm em duas imagens verticais de 17 × 24 mm. Isso permite produzir aproximadamente o dobro de fotografias com um rolo e também estimula a criação de pares, pequenas narrativas e dípticos.


A câmera chega carregada com 40 exposições de filme colorido LomoChrome Classicolor ou preto e branco Lady Grey. Depois do primeiro uso, o corpo pode ser recarregado com outros filmes convencionais de 35 mm. O modelo possui lente de 21 mm, abertura fixa de f/9, flash integrado e filtros em gel ciano, amarelo e magenta.


Mais do que o aspecto divertido do produto, o lançamento mostra uma estratégia clara. Em vez de disputar desempenho técnico, a Lomography reduz o custo de entrada e vende experimentação, imprevisibilidade e uma experiência analógica menos intimidante.


Quando a fotografia aérea reorganiza o mundo

Os vencedores do International Aerial Photographer of the Year 2026 mostram como uma mudança de ponto de vista pode revelar formas, relações e padrões invisíveis a partir do solo.

A segunda edição do concurso recebeu 1.587 inscrições de fotógrafos de diferentes países. O fotógrafo de Bangladesh Azim Khan Ronnie foi escolhido Fotógrafo Aéreo do Ano por um portfólio com imagens produzidas na Suíça, Índia e Bangladesh. Já Vitaly Golovatyuk venceu a categoria de fotografia individual com uma imagem de uma ave sobre um lago imóvel, cercado por vegetação vermelha.


A seleção inclui paisagens naturais, rituais, agricultura, migrações de aves, ocupações humanas e cenas próximas da abstração. O resultado demonstra como drones, helicópteros e outros meios de captura aérea deixaram de representar apenas uma forma de obter imagens espetaculares. Nas mãos certas, altura e distância se transformam em linguagem.


O que conecta essas leituras

Lalo de Almeida aponta para a fotografia como documento, reação e memória. Jim Continenza mostra o desafio de reconstruir a identidade de uma empresa que se tornou maior do que os próprios negócios. A nova câmera da Lomography recupera a limitação e a simplicidade como parte da experiência. O concurso aéreo revela como a mudança de perspectiva pode reorganizar visualmente aquilo que parecia conhecido.


Os quatro conteúdos tratam, de maneiras diferentes, de uma mesma necessidade: compreender o que permanece relevante quando ferramentas, mercados e hábitos estão mudando.


Na fotografia, tradição não garante futuro. Tecnologia também não garante significado. Entre as duas coisas estão identidade, intenção e capacidade de adaptação.


No Fotograf.IA Essencial, acompanho mudanças que estão transformando a fotografia, da inteligência artificial aos novos produtos, linguagens e modelos de negócio. A comunidade reúne conteúdos exclusivos, encontros e análises para quem busca interpretar esses movimentos e aplicá-los ao trabalho real.



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