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O que estou lendo: a fotografia brasileira além do mercado

  • 2 de jul.
  • 3 min de leitura

Projetos em Corumbá, Campinas, Belo Horizonte, Rio Grande do Norte, Campina Grande, Sorocaba e USP mostram a fotografia como formação, memória, território e presença pública.



A fotografia brasileira segue aparecendo em lugares muito diferentes. Não apenas em premiações, lançamentos de equipamento ou debates sobre inteligência artificial, mas em projetos locais, exposições, ações públicas, fotolivros e plataformas de memória.


Nesta seleção do O que Estou Lendo, o recorte é brasileiro: iniciativas que ajudam a entender como a fotografia circula fora do eixo mais óbvio do mercado.


Em Corumbá, o Instituto Moinho Cultural ampliou a formação oferecida a adolescentes e jovens com o projeto “A Fotografia Iluminando Sonhos e Transformando Vidas”. A iniciativa atende participantes de 12 a 17 anos, moradores de Corumbá e Ladário, e inclui desde fundamentos de câmera até edição de imagem. Mais do que técnica, o projeto aponta para a fotografia como linguagem de autoestima, território e possibilidade profissional. Leia mais


Em Campinas, a exposição do Coletivo Olho da Rua segue aberta ao público até 26 de agosto. A mostra reúne fotografia de rua em preto e branco e em cores, com imagens feitas em Campinas, em outras cidades brasileiras e também no exterior. O interesse está menos na rua como cenário e mais na rua como espaço de observação, contraste, personagem e narrativa cotidiana. Leia mais


Em Belo Horizonte, o Quarta Parede Estúdio Criativo será inaugurado na Savassi reunindo artes visuais, fotografia, música, oficinas, cursos e ações formativas. O espaço também terá estúdio fotográfico equipado para produções audiovisuais. É mais um sinal de que espaços culturais híbridos podem funcionar como pontos de encontro entre criação, formação e produção. Leia mais


No Rio Grande do Norte, o projeto “Enquanto houver maré”, idealizado pelo jornalista e fotógrafo Malu Didier, transforma o cotidiano de comunidades pesqueiras em fotolivro artístico e documental. A obra nasce em diálogo com estudantes de Maxaranguape, Touros e Rio do Fogo, a partir de oficinas realizadas em escolas públicas. O projeto interessa porque combina imagem, formação e preservação de culturas tradicionais. Leia mais


Em Campina Grande, o fotógrafo Francisco Andrade pesquisa visualmente o Maior São João do Mundo. Depois de projetos ligados ao Carnaval de Veneza, ele volta o olhar para a cultura popular nordestina e para as manifestações juninas, com a intenção de transformar essa investigação em livro. É um bom exemplo de fotografia documental como pesquisa de longo prazo, não apenas cobertura de evento. Leia mais


Em Sorocaba, a Secretaria da Mulher realizou uma nova edição de ensaio fotográfico para gestantes no Jardim Botânico. A ação combina registro, autoestima, acolhimento e orientação em saúde. É um uso simples, mas relevante, da fotografia como serviço público e memória familiar para quem talvez não conseguisse acessar esse tipo de experiência pelo mercado tradicional. Leia mais


O Arquigrafia incentiva o registro de ruas, casas, praças e outros espaços do cotidiano, valorizando arquiteturas que frequentemente passam despercebidas – Foto: Acervo Arquigrafia
O Arquigrafia incentiva o registro de ruas, casas, praças e outros espaços do cotidiano, valorizando arquiteturas que frequentemente passam despercebidas – Foto: Acervo Arquigrafia

Na USP, a plataforma Arquigrafia segue incentivando o registro fotográfico da arquitetura do cotidiano. O projeto reúne mais de 14 mil imagens de espaços urbanos do Brasil e de países da comunidade lusófona, com participação colaborativa dos usuários. Também usa inteligência artificial para apoiar a organização inicial do acervo, mas preserva a dimensão humana da curadoria, da memória e do reconhecimento dos lugares. Leia mais


O conjunto dessas notícias mostra uma fotografia menos preocupada em provar relevância pela tecnologia e mais ligada a território, memória, circulação e vínculo. Para fotógrafos, há uma leitura importante aqui: valor não aparece apenas no equipamento, no portfólio ou na estética. Ele também aparece na forma como uma imagem se conecta a uma comunidade, a um lugar, a uma história e a uma necessidade real.


No  Desafio R.U.M.O., essa é uma das perguntas centrais: que lugar o seu trabalho ocupa para além da foto bonita? Durante cinco dias, a proposta é olhar para percepção, valor, oferta e posicionamento com mais clareza. Se você vive da fotografia ou quer organizar melhor sua direção, acompanhe a próxima turma.


Para quem quer uma leitura mais individual, o Mapa R.U.M.O. aprofunda esse diagnóstico com foco no negócio fotográfico.

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