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O legado do fotógrafo que esteve em todos os Super Bowls

Da primeira final em 1967 ao espetáculo hipercontrolado de hoje, a trajetória de John Biever acompanha a transformação da fotografia esportiva profissional.



Ontem, durante o Super Bowl LX, não foi apenas mais uma edição do maior evento esportivo dos Estados Unidos que chegou ao fim. Para John Biever, foi o encerramento de uma carreira que atravessou toda a história do Super Bowl. Aos 74 anos, ele registrou sua 60ª e última final, um feito sem precedentes no fotojornalismo esportivo.



Biever esteve presente desde antes de o evento receber o nome que o tornaria mundialmente famoso. Em 1967, aos 15 anos, ele acompanhava o pai, Vernon Biever, fotógrafo oficial do Green Bay Packers, no jogo inaugural disputado entre Packers e Kansas City Chiefs, no Los Angeles Memorial Coliseum. Naquele dia, o estádio tinha arquibancadas parcialmente vazias e o campo era um espaço muito mais aberto do que se imagina hoje.


O acesso era direto e quase informal. As orientações para fotografar resumiam-se a uma regra básica: não atrapalhar Vince Lombardi. Segundo o próprio Biever, todos tinham receio do lendário treinador. Ainda assim, fotógrafos circulavam livremente, celebridades caminhavam pelo campo e o evento estava longe do aparato midiático que o cerca atualmente.


Foi nesse cenário que o jovem John Biever registrou um momento histórico. Ele fotografou o primeiro touchdown da história do Super Bowl, marcado por Max McGee após um passe de Bart Starr. A imagem mostra não apenas a jogada, mas também algo impensável hoje: fileiras de assentos vazios ao fundo. Um detalhe que, segundo ele, sempre funcionou como lembrete visual do quanto o evento ainda cresceria.


Ao longo das décadas seguintes, o Super Bowl se transformou em um espetáculo global. O que antes era um jogo acompanhado por poucos fotógrafos se tornou uma operação altamente controlada, com milhares de profissionais credenciados, zonas restritas, protocolos rígidos e uma engrenagem de mídia que funciona como indústria. O campo continua sendo o centro da ação, mas o acesso e a liberdade diminuíram drasticamente.


Paralelamente, Biever atravessou a maior mudança técnica da fotografia esportiva. Começou no filme, adaptou-se à transição para o digital e acompanhou a aceleração dos fluxos de produção e entrega. A fotografia deixou de ser apenas captura e passou a integrar sistemas complexos de publicação imediata, direitos e distribuição em escala global.


Formado pela Universidade de Wisconsin-Milwaukee, John Biever construiu uma carreira sólida no fotojornalismo. Trabalhou por mais de duas décadas na Sports Illustrated e teve uma de suas imagens estampando a primeira capa digital da revista, um marco simbólico da virada tecnológica no jornalismo esportivo.


Ao se despedir no Super Bowl LX, Biever não encerra apenas uma longa trajetória individual. Seu percurso funciona como uma linha do tempo da fotografia esportiva profissional. Ele representa uma geração que viveu o esporte de dentro, quando estar à beira do campo significava proximidade real com a história, não apenas cobertura mediada por sistemas e barreiras.


Em um evento que cresce a cada ano em audiência, investimento e complexidade, o legado de John Biever lembra que as transformações mais profundas da fotografia nem sempre acontecem diante das câmeras principais. Muitas delas se revelam nas margens do campo, através das lentes de quem esteve lá desde o começo.


Essas transições não são apenas técnicas.

No Mapa R.U.M.O. 2026, histórias como a de John Biever ajudam a entender como mudanças de tecnologia, acesso e mercado impactam diretamente o trabalho, o valor e a presença de quem vive da imagem.

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