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O que O Grito de Munch tem a dizer sobre fotografia impressa

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

O Grito, de Edvard Munch, não é a mesma obra que era em 1893. E nunca mais será.


Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia desenvolveram uma ferramenta chamada Light Damage Estimator para simular como obras de arte físicas mudam ao longo do tempo. O primeiro grande teste foi aplicado a um dos quadros mais reconhecíveis do mundo.


O resultado é perturbador à sua maneira. Em 300 anos, a obra deve aparecer mais apagada. O amarelo de cádmio e o vermelho de cinábrio, que dão ao céu em espiral aquela intensidade quase agressiva, são pigmentos sensíveis à luz e à umidade. O azul ultramarino também deve desbater. O verde, paradoxalmente, é o mais estável e deve sobreviver com mais fidelidade ao original. A simulação mostra uma versão mais suave, mais silenciosa, do mesmo quadro.


O que os pesquisadores descrevem como degradação é, em outra leitura, uma forma de acúmulo. A tela continua mudando em nível microscópico mesmo dentro de um museu climatizado, mesmo longe da luz direta, mesmo sob todos os cuidados que uma instituição pode oferecer. Ela não está estática. Está envelhecendo.

Isso é o que os objetos físicos fazem: atravessam o tempo e mostram as marcas da travessia.


A fotografia digital não faz isso. Uma imagem armazenada em servidor existe em estado permanente de presentismo. Ela não amarela, não perde saturação, não desenvolve craquelê. Ou está intacta ou desapareceu. Não há estado intermediário. Não há história visível no suporte.


A impressão fotográfica em papel fine art de qualidade, por outro lado, entra no mesmo continuum em que O Grito está. Papéis de algodão com tintas de pigmento têm projeções de durabilidade que chegam a 200 anos em condições adequadas de armazenamento. Não é eternidade, mas é tempo suficiente para que a foto atravesse gerações. Para que alguém que ainda não nasceu a encontre com as marcas do que ela atravessou.

Isso muda o que a foto significa.



Uma imagem impressa é uma declaração implícita de que aquilo importa o suficiente para ser confiado ao tempo. Não ao algoritmo de uma plataforma, não à política de armazenamento de uma empresa de tecnologia, não à continuidade de uma assinatura de nuvem. Ao tempo mesmo, com tudo que isso implica de vulnerabilidade e de permanência.


Numa era em que modelos de inteligência artificial geram milhares de imagens por minuto, a impressão passou a ser um ato de curadoria radical. Não do assunto da foto. Do próprio tempo que ela vai ocupar.


O fotógrafo que imprime está dizendo alguma coisa diferente do fotógrafo que apenas arquiva. Está dizendo que aquela imagem tem peso. Que ela merece envelhecer.


Munch não escolheu seus pigmentos pensando em 300 anos. Mas as escolhas que fez em 1893 estão sendo examinadas em 2026 exatamente porque a obra sobreviveu para ser examinada. O que vai acontecer com as imagens produzidas hoje depende, em parte, de quem vai tomar decisões semelhantes sobre o que merece durar.


Se a sua fotografia hoje existe principalmente como arquivo, vale a pergunta: o que, no seu trabalho, realmente merece durar?

O Mapa R.U.M.O. foi desenvolvido para ajudar a responder exatamente isso. Não sobre técnica, mas sobre posicionamento, valor e direção do seu negócio.

Mais informações em Mapa R.U.M.O.

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