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A câmera que virou instrumento científico: como o Nikon Z9 ajudou a estudar o Sol na missão Artemis II

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Fotos feitas por astronautas durante um eclipse lunar geraram um artigo científico publicado no The Astrophysical Journal Letters e mostram o potencial de câmeras de consumo em missões espaciais



Em abril de 2026, durante o sobrevoo lunar da missão Artemis II, a tripulação da NASA registrou um eclipse solar visto a partir da órbita da Lua. As imagens, feitas com um Nikon Z9, acabaram de render algo além do impacto visual: pesquisadores da Tokyo City University usaram esse material para produzir um estudo científico sobre a estrutura da coroa solar, publicado no The Astrophysical Journal Letters.


O trabalho, assinado por Kohji Tsumura e Ko Arimatsu, analisou uma imagem em grande angular do eclipse total capturada durante o sobrevoo, na qual o disco solar aparece completamente ocultado pela Lua. Essa condição permitiu observar com clareza a chamada F-corona, a camada da coroa solar formada pela dispersão da luz da fotosfera por partículas de poeira interplanetária.




Uma câmera não calibrada, mas cientificamente aproveitável


O Nikon Z9 usado pelos astronautas não havia sido calibrado fotometricamente para esse tipo de observação científica. Ainda assim, os pesquisadores conseguiram contornar essa limitação usando um método batizado de "calibração estelar": as estrelas visíveis ao fundo da imagem serviram como referência de luminância para corrigir a curva gama do arquivo. Essa solução possibilitou medições detalhadas da forma, do tamanho e da intensidade da F-corona.


'Artemis II em Eclipse' — Nikon Z9 com lente adaptada Nikon AF-D 35mm f/2 em f/2, 2s, ISO 1600 | Cred: NASA
'Artemis II em Eclipse' — Nikon Z9 com lente adaptada Nikon AF-D 35mm f/2 em f/2, 2s, ISO 1600 | Cred: NASA

Os resultados obtidos foram, em linhas gerais, consistentes com observações espaciais anteriores, mas trouxeram um dado novo: uma concentração de emissão mais forte na direção do plano da eclíptica, além de uma F-corona mais extensa do que a prevista pelo modelo de referência ZodiSURF, usado para comparação.


Por que isso importa além da astronomia


A proximidade da nave em relação à Lua, cerca de 6.545 km de altitude no momento do registro, fez o satélite natural parecer bem maior que o Sol no enquadramento, o que estendeu a duração da fase de totalidade do eclipse para quase uma hora, muito mais longa do que qualquer eclipse observado da Terra. Essa janela ampliada foi o que permitiu o nível de detalhe que tornou o estudo possível.


Para os autores, o resultado mais relevante não é apenas o dado astrofísico, mas a validação de um método: observações "oportunistas" feitas por tripulações em missões lunares podem gerar contribuições científicas reais sobre a estrutura da nuvem zodiacal interna, algo que reforça a viabilidade de futuras missões coronais em órbita lunar.


Para a Nikon, o caso reforça uma parceria histórica com a NASA que remonta à Apollo 15. Em declaração à PetaPixel, o executivo Hiroyuki Ikegami destacou o alto alcance dinâmico e o desempenho em baixa luminosidade do Z9 como fatores que ajudaram a tripulação a capturar detalhes relevantes para a pesquisa.


'O piloto da Artemis II, Victor Glover, o Comandante Reid Wiseman e o Especialista de Missão Jeremy Hansen se preparam para sua jornada ao redor do lado oculto da Lua, configurando seus equipamentos de câmera pouco antes de iniciar as observações lunares.' |Crédito da imagem: NASA
'O piloto da Artemis II, Victor Glover, o Comandante Reid Wiseman e o Especialista de Missão Jeremy Hansen se preparam para sua jornada ao redor do lado oculto da Lua, configurando seus equipamentos de câmera pouco antes de iniciar as observações lunares.' |Crédito da imagem: NASA

O recado para quem fotografa


Esse episódio é um lembrete direto de algo que vale para qualquer fotógrafo, não só para astronautas: equipamento de altíssimo desempenho, técnica e um momento irrepetível, quando combinados, podem gerar resultados que vão muito além do que se imaginava no instante do clique. Ciência, arte e domínio técnico não são mundos separados. Eles se cruzam exatamente no ponto em que a fotografia é levada a sério como instrumento, não só como registro.


É esse tipo de raciocínio estratégico, entender o valor real do que se produz e transformar isso em posicionamento, que trabalhamos dentro da Fotograf.IA Essencial. Se você quer discutir tendências como essa, tecnologia aplicada à fotografia e como isso impacta o mercado em que você atua, a comunidade está aberta. Conheça a Fotograf.IA Essencial.

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