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O que estou lendo: terremoto no Japão, a volta das câmeras panorâmicas e novos territórios para a fotografia

  • há 6 horas
  • 6 min de leitura

Nesta edição, as leituras passam pela indústria, pelo mercado e pela circulação da fotografia.



Um terremoto no Japão volta a revelar a dependência de poucas regiões produtoras. Três lançamentos sugerem um renascimento das câmeras panorâmicas de filme. No Brasil, fotografias de casamento deixam o território da entrega comercial e chegam a uma exposição, enquanto uma mostra coletiva reúne diferentes maneiras de representar o país.


Também entram no radar a trajetória de Carlo Borlenghi, a criação de uma agenda fotográfica voltada às eleições e oportunidades que aproximam fotografia, natureza e conservação ambiental.


Terremoto no Japão volta a atingir o centro da indústria fotográfica

O terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a região de Kumamoto, no sul do Japão, em 28 de julho, provocou interrupções e medidas de segurança em instalações ligadas à produção de sensores e semicondutores.


A região ocupa um lugar importante na cadeia de fornecimento utilizada por fabricantes de câmeras, celulares, automóveis e diferentes produtos eletrônicos. Mesmo quando os danos diretos são limitados, paralisações locais podem afetar cronogramas de produção, estoques e lançamentos em outros mercados.


A situação lembra o terremoto ocorrido em Kumamoto em 2016, que causou uma interrupção muito mais longa. Desta vez, as primeiras informações apontam para uma recuperação mais rápida, embora os efeitos completos ainda precisem ser acompanhados.


Por que estou lendo: já publiquei sobre isso nos últimos dias. Mas aqui é versão mais atualizada. Porque o mercado fotográfico também é definido por fábricas, logística, semicondutores e pela concentração da produção em poucos territórios.


Estamos vivendo um renascimento das câmeras panorâmicas de filme?

Em um intervalo de apenas oito meses, três novas câmeras panorâmicas de médio formato chegaram ao mercado.


O número é pequeno diante da indústria digital, mas significativo para uma categoria cara, especializada e que, alguns anos atrás, parecia destinada apenas aos equipamentos usados e projetos artesanais.


A PetaPixel interpreta esse movimento como um renascimento da fotografia panorâmica em filme. Mais do que nostalgia, existe uma busca por uma experiência que impõe decisões diferentes: menos fotografias, enquadramento mais consciente, custo por disparo e um formato visual difícil de reproduzir com a mesma sensação em uma câmera convencional.



A proximidade entre os lançamentos também indica que alguns fabricantes enxergam espaço econômico em públicos menores, desde que sejam suficientemente envolvidos com uma prática.


Por que estou lendo: porque o mercado não se move apenas em direção à velocidade, à automação e à inteligência artificial. Produtos mais lentos, limitados e especializados também podem encontrar valor.


Fotografias de casamento deixam o álbum e ocupam uma exposição

A exposição “Ser”, do fotógrafo Jotta, parte de fotografias produzidas ao longo de mais de uma década no universo dos casamentos.


Ao reorganizar essas imagens ao lado de poemas, o fotógrafo desloca o trabalho de seu contexto original. Gestos, abraços, encontros e pequenas situações deixam de funcionar apenas como lembranças de eventos específicos e passam a formar uma investigação sobre relações humanas.


A mostra, aberta em Natal, nasce dentro da fotografia de casamento, mas procura olhar para aquilo que aproxima as pessoas. O projeto também marca uma passagem importante na carreira de Jotta: o trabalho comercial começa a ser apresentado como pesquisa artística e corpo autoral.


Por que estou lendo: porque um arquivo profissional pode conter mais do que entregas concluídas. Edição, sequência, texto e contexto podem transformar anos de trabalho comercial em uma obra capaz de circular por outros espaços.


Sessenta imagens tentam representar um Brasil plural

A exposição “Retratos de um Brasil Plural: Origem, Território e Diversidade” abre em 4 de agosto no Museu Nacional da República, em Brasília.


A convocatória recebeu mais de 800 fotografias produzidas por artistas de diferentes regiões. Sessenta imagens foram selecionadas para formar uma leitura coletiva sobre identidades, territórios, pertencimentos e narrativas que atravessam o Brasil contemporâneo.


A curadoria foi conduzida por Denise Camargo, Maíra C. Gamarra e Henri Badaröh. A exposição integra a 11ª edição do Festival Mês da Fotografia.


Mais do que reunir boas imagens individualmente, uma mostra coletiva precisa construir relações entre trabalhos que nasceram em lugares, contextos e experiências diferentes.


Por que estou lendo: porque a circulação de uma fotografia também depende da capacidade de ela dialogar com outras imagens e participar de uma narrativa maior do que a história de seu próprio autor.


Carlo Borlenghi e a construção de um território visual

O fotógrafo italiano Carlo Borlenghi, uma das principais referências mundiais na fotografia de vela, morreu aos 72 anos.

Carlo Borlenghi
Carlo Borlenghi

Ele começou fotografando regatas locais e conquistou projeção internacional acompanhando grandes competições. Desde a década de 1980, seu nome esteve ligado à America’s Cup e a diferentes eventos do circuito náutico.


Seu diferencial não estava apenas no domínio técnico. Borlenghi conhecia as embarcações, as provas, os movimentos do mar e os instantes de tensão que poderiam se transformar em imagens importantes.


A especialização, nesse caso, nasceu da combinação entre permanência, conhecimento do assunto, acesso e capacidade de antecipação.


Por que estou lendo: porque ocupar um território profissional não significa apenas fotografar repetidamente um mesmo tema. Mas também compreender esse universo de uma maneira que alguém de fora dificilmente conseguiria reproduzir.



Um fotógrafo cria uma agenda exclusiva para as eleições

Com mais de 30 anos de atuação, o fotógrafo Ismael Neves abriu uma agenda específica para ensaios destinados a candidatos nas eleições de 2026.


A notícia tem caráter promocional, mas revela um movimento profissional interessante: transformar um período previsível de aumento da demanda em uma oferta claramente identificada.


Campanhas políticas precisam de retratos oficiais, bancos de imagens, registros de agenda, vídeos curtos e materiais adaptados a diferentes redes e formatos. Isso cria oportunidades para fotógrafos, produtores, videomakers, maquiadores e outros profissionais da imagem.


O trabalho também exige cuidados adicionais. Imagens políticas circulam intensamente, podem ser reutilizadas em diferentes contextos e precisam respeitar contratos, autorizações, regras eleitorais e limites relacionados à manipulação e ao uso de inteligência artificial.


Por que estou lendo: porque observar o calendário pode ajudar fotógrafos a criar ofertas temporárias. A oportunidade não está apenas em esperar um candidato pedir um orçamento, mas em preparar previamente serviço, portfólio, contrato e fluxo de atendimento.


Fotografia subaquática entra em projetos de conservação

O WWF Itália e o projeto ReMaRe lançaram um concurso fotográfico dedicado aos fundos marinhos do sul da Puglia.


A proposta aproxima produção visual, biodiversidade e conscientização ambiental. As fotografias selecionadas poderão participar da comunicação do projeto e de ações expositivas ligadas à conservação dos ecossistemas marinhos.


O ReMaRe atua em aproximadamente 190 quilômetros da costa da Puglia meridional e procura contribuir para a regeneração de habitats costeiros e marinhos do Adriático.

O caso mostra uma função da fotografia que ultrapassa a competição pela imagem mais impactante. Ela pode documentar transformações, ampliar o conhecimento público e aproximar pessoas de ambientes que raramente conseguem observar diretamente.


Por que estou lendo: porque projetos ambientais, científicos e institucionais também precisam de profissionais capazes de transformar pesquisa, território e biodiversidade em narrativas visuais.


Outros concursos com inscrições abertas em agosto

Uma seleção publicada pela Digital Camera World reúne dez concursos fotográficos com inscrições abertas ou prazos importantes ao longo de agosto.


As oportunidades envolvem áreas como natureza, clima, viagem, saúde, ciência e fotografia produzida com dispositivos móveis. Nem todas são adequadas para qualquer fotógrafo, e cada regulamento precisa ser lido com atenção, especialmente nos pontos relacionados a direitos autorais, licenciamento e uso posterior das imagens.


Ainda assim, acompanhar essas chamadas ajuda a entender quais temas, linguagens e campos de atuação estão recebendo investimento e visibilidade internacional.


Por que estou lendo: porque concursos não servem apenas para buscar prêmios. Eles também podem estimular a edição de portfólio, a construção de séries e a circulação de trabalhos fora das redes sociais.


O que conecta estas leituras

As notícias desta edição parecem distantes, mas todas falam sobre a construção de espaço para a fotografia.


Esse espaço pode estar na cadeia industrial que sustenta a produção de câmeras, em um pequeno mercado interessado em filme panorâmico, na transformação de um arquivo comercial em exposição ou na construção de uma carreira dentro de um território altamente especializado.


Também pode surgir em uma demanda sazonal, como as eleições, ou em projetos que precisam da fotografia para representar um país, documentar a biodiversidade e mobilizar o público.


O ponto em comum está na capacidade de perceber onde uma imagem pode ganhar valor, função e circulação antes mesmo de ela ser produzida.


IA na fotografia: criação, mercado e valor profissional

No dia 8 de agosto, em São Paulo, teremos um encontro presencial para discutir como a inteligência artificial está alterando a produção visual, o mercado e as decisões profissionais de quem vive da fotografia.



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São Paulo, SP

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