Apple lança seu primeiro iPhone dobrável e muda também a forma de fotografar
iPhone Duo usa duas telas e IA para criar novas formas de enquadrar e disparar, mas deixa alguns dos recursos fotográficos mais avançados para o iPhone 18 Pro

A Apple apresentou nesta quarta-feira, 9 de setembro, o iPhone Duo, seu primeiro smartphone dobrável. O aparelho abre como um livro, tem tela externa de 5,4 polegadas e interna de 7,6 polegadas e chega ao mercado americano a partir de US$ 1.999.
O Brasil está entre os primeiros mercados: a pré-venda começa em 16 de outubro e a disponibilidade está prevista para 23 de outubro. A Apple ainda não divulgou o preço brasileiro.
Para quem trabalha com imagem, a novidade mais interessante não está necessariamente na resolução das câmeras, mas no que o formato dobrável permite fazer com elas.
O Duo traz duas câmeras traseiras de 48 MP. A principal trabalha também com enquadramento equivalente a 2x com qualidade óptica, enquanto a ultra-angular permite fotografia macro. Não existe uma teleobjetiva dedicada.
A segunda tela cria possibilidades diferentes. É possível fotografar com as câmeras traseiras enquanto quem está sendo fotografado acompanha o enquadramento na tela externa. O recurso Duo Preview mostra essa visualização em tempo real.
Para autorretratos, o fotógrafo também pode usar as câmeras traseiras de maior resolução e enxergar a própria imagem na tela externa.
Outra novidade mistura câmera e inteligência artificial. No Smart Take, modelos de IA processados no próprio aparelho analisam a cena e podem registrar automaticamente a fotografia quando identificam que as pessoas estão posando. A Apple criou ainda o Kid Cue, que exibe animações dos personagens Peanuts na tela externa para tentar atrair o olhar de crianças para a câmera.
É uma aplicação aparentemente simples, mas mostra a IA entrando em uma etapa diferente da fotografia. Ela não atua apenas depois do clique, removendo elementos ou modificando uma imagem. Passa a participar também da decisão sobre quando fotografar.
No vídeo, a câmera principal grava em 4K a 120 fps com Dolby Vision. O formato dobrável permite ainda apoiar o aparelho parcialmente aberto para gravações e time-lapses sem um tripé separado.


O chip A20 Pro amplia o processamento de IA no próprio dispositivo. Entre os recursos do Apple Intelligence estão o novo Spatial Reframing, expansão de imagens, uma versão atualizada do Clean Up e geração fotorealista no Image Playground. O suporte ao SynthID, previsto para chegar posteriormente por atualização de software, pretende ajudar a identificar imagens criadas ou modificadas com IA.
Há, entretanto, uma distinção importante dentro da própria linha apresentada pela Apple.
O iPhone 18 Pro e Pro Max continuam sendo os modelos com maior ambição fotográfica. São eles que receberam a nova câmera principal de 48 MP com abertura física variável, controles manuais de abertura, velocidade e balanço de branco e histograma no aplicativo Câmera.
Também ficou restrito aos modelos Pro o Apple Reference Image, sistema apresentado pela empresa para registrar dados assinados do sensor e criar uma imagem de referência que possa ser comparada posteriormente com a fotografia editada.
Portanto, o iPhone Duo não substitui simplesmente o Pro como novo topo fotográfico da Apple. Sua proposta é diferente.

O que ele apresenta de novo para a fotografia está principalmente na relação entre câmera, duas telas, formato físico e inteligência artificial. Depois de anos em que a evolução dos smartphones foi medida principalmente por sensores, lentes e fotografia computacional, o dobrável tenta mudar também a maneira como a câmera é usada.
E talvez esse seja o ponto mais interessante do lançamento para fotógrafos.
Essencial
No Essencial, acompanho as mudanças em fotografia, inteligência artificial e tecnologia olhando menos para a novidade isolada e mais para o que ela muda no trabalho, no mercado e na cultura da imagem.



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