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Momento Rumo - Quando melhorar o produto não resolve o problema

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A empresa que inventou uma categoria, mas esqueceu para quem estava falando.



A GoPro está à beira do colapso. Não é manchete sensacionalista, na verdade é o que a própria empresa declarou em documento oficial enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, na semana passada. O texto usa uma expressão específica do mundo financeiro: going concern. Significa que há dúvida substancial sobre a capacidade da empresa de continuar operando.


Para quem acompanha o mercado de fotografia e imagem, é um momento estranho de se presenciar. A GoPro não é uma empresa qualquer. Ela criou uma categoria. Durante anos, "filmar com GoPro" era um estilo de vida, um verbo quase, o tipo de associação que marcas pagam fortunas para construir e nunca conseguem. O logotipo aparecia em capacetes de surfistas, no guidão de ciclistas, nas costas de alpinistas. A empresa abriu capital em 2014 avaliada em quase 4 bilhões de dólares.


Hoje vale 200 milhões. A ação, que chegou perto de 80 dólares, está em torno de 1,18.


O que aconteceu não tem uma resposta única. A empresa atribui parte da crise ao encarecimento da memória, puxado pela demanda de IA.... isso é dado real. Mas isso explica o momento, não a jornada. A trajetória da marca tem outra história.


A DJI e a Insta360 foram chegando devagar, com produtos tecnicamente comparáveis ou superiores, preços menores e uma presença agressiva exatamente nos cantos do mercado onde a GoPro havia construído seu território. A GoPro respondeu com o que sabia fazer: melhorou o produto. Lançou câmeras melhores, processadores mais rápidos, mais resolução, mais durabilidade. A nova linha Mission 1 tem vídeo em 8K e parece genuinamente impressionante.


O slogan deles era "Be a Hero". Três palavras que colocavam a câmera no lugar certo: como instrumento de quem filmava, não como objeto de admiração. O cliente era o herói, a GoPro era o que tornava isso possível. Em algum momento essa lógica se inverteu. Os lançamentos passaram a celebrar o produto, não o que o produto permitia fazer. A câmera virou protagonista. E quando a câmera vira protagonista, ela precisa vencer na comparação técnica, especificação por especificação, contra todo concorrente que aparecer. É uma guerra que não tem fim.


Tem algo nessa história que me interessa além do drama corporativo. A GoPro sabia fazer câmeras e ainda sabe. O problema foi ela não perceber que a percepção do mercado havia mudado sem que ela mudasse junto. Quando o cliente compara GoPro com DJI, a conversa não é mais sobre qual filma melhor. É sobre qual faz mais sentido para mim, hoje, no que eu quero fazer. E nessa conversa, a GoPro foi perdendo sem necessariamente perder em especificação técnica.


Aliás, isso acontece o tempo todo em escala menor, com fotógrafos individuais.


O fotógrafo que entrega um trabalho tecnicamente impecável e ainda assim perde cliente para alguém com portfólio mais fraco. O fotógrafo que não entende por que as pessoas consultam e somem, ou por que indicações param de chegar, ou por que o cliente escolheu outro mesmo depois de ver o trabalho. A qualidade está lá. O problema está em outro lugar... num ponto cego que é difícil de enxergar justamente porque está fora do campo de visão. Infelizmente, mais comum do que parece.


É exatamente isso que o Primeiro Desafio R.U.M.O. vai trabalhar durante cinco dias, a partir do dia 8 de junho.


O desafio tem uma pergunta central: por que clientes escolhem outros fotógrafos? Indo além da provocação, com foco em diagnóstico real. A ideia é criar distância suficiente para enxergar o que está acontecendo no seu mercado e o que a sua presença comunica, ou deixa de comunicar, antes mesmo de qualquer conversa sobre preço ou portfólio.


São cinco dias, num grupo de WhatsApp, com 30 participantes. São tarefas diárias para fazer no seu tempo e sem hora marcada. O investimento é de R$ 97.


As vagas estão abertas. Se quiser saber mais, o link para entrar está aqui: Desafio Rumo.


A GoPro demorou para perceber o que o mercado estava dizendo. Você não precisa esperar tanto.

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