Momento R.U.M.O. | A tentação do martelo
- há 2 dias
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Tensão verdadeira e barulho estratégico não são a mesma coisa.

Em Belfast, um festival de fotografia propõe destruir câmeras antigas sobre uma mesa entregando martelos para o público.
A proposta: lidar com sentimentos de luto, raiva e curiosidade diante da obsolescência das câmeras mecânicas. Inclusive com a opção de "resistir" e adotar uma câmera por cerca de £10.
Mas o que viralizou foi o martelo.
Isso não foi um acidente. Foi uma escolha. Uma cena construída para criar tensão suficiente para romper o ruído. E funcionou. O problema é que, quando a cena é mais forte do que o argumento, a cena vira o argumento.
O festival quer discutir o futuro da imagem. Boa parte do público viu apenas destruição.
No Brasil e lá fora, fotógrafos e marcas caem na mesma tentação com frequência. E se eu entrar nessa trend? E se eu chocar para engajar? E se eu fizer uma promessa mais agressiva, uma opinião mais forte, um post mais teatral?
Existe uma lógica aparente nisso. No curto prazo, pode funcionar. Mas para a marca que você está construindo, ou que gostaria de construir, raramente adiciona valor. Quase sempre corrói.
E aqui está o problema maior: se isso de fato desse certo, todo mundo estaria fazendo. Na prática, o efeito é quase sempre tóxico para quem faz e enjoativo para quem vê.
Depois reclamamos que as pessoas estão céticas com a internet e com as redes.
Mas quem criou esse ceticismo?
Isso não significa que tensão seja errada. Tensão verdadeira é parte de qualquer posicionamento que funciona. O fotógrafo que anuncia que só fotografa casamentos em preto e branco provoca reação, mas essa reação é consequência de uma escolha real, não uma estratégia para aparecer.
A diferença é simples de testar: isso é verdade e bate com o meu posicionamento, ou é só para aparecer por aparecer?
Quando a resposta é a segunda, o mercado sente. Não necessariamente na hora. Mas sente.
Quando a tensão é maior do que a proposta, o mercado não lembra do que você quis dizer. Lembra do barulho. E barulho acumulado vira desconfiança. Desconfiança vira o ambiente em que todos operamos hoje.
A pergunta R.U.M.O. não é se a provocação funciona. É: que tipo de atenção você está construindo, e para quem?
Porque atenção sem direção não é posicionamento. É contribuição para o ruído que todos dizemos odiar.
Se você quer entender que tipo de atenção sua marca está construindo, e se ela está te aproximando ou afastando dos clientes certos, o Mapa R.U.M.O. é o lugar para começar.




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