IA vs câmera: como o Pomelli do Google entra na fotografia de produto e muda o jogo comercial
- há 13 horas
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O avanço da inteligência artificial na produção de imagens comerciais deixou de ser uma tendência difusa para ganhar forma operacional dentro das plataformas.

Com o lançamento do Photoshoot no Pomelli, ferramenta gratuita do Google Labs voltada a pequenas e médias empresas, a fotografia de produto entra em uma nova fase. Não apenas como linguagem visual, mas como infraestrutura automatizada de marketing.
A proposta é direta. Partir de uma foto simples de produto e gerar automaticamente imagens de aparência publicitária, com fundo, ambientação e estilo consistentes com a identidade visual da marca. Em poucos passos, sem estúdio, sem direção e sem fotógrafo.
O que o Pomelli faz na prática
O Photoshoot do Pomelli transforma uma imagem básica de produto em um visual de campanha ou catálogo.
O sistema combina a foto enviada com dados de marca armazenados no que o Google chama de “Business DNA”, aplicando templates e geração visual baseada no modelo de imagem Nano Banana. O usuário escolhe um estilo, ajusta elementos como fundo ou iluminação e exporta variações prontas para e-commerce, anúncios ou redes sociais.
O objetivo não é realismo fotográfico absoluto nem autoria visual. É consistência, velocidade e escala.

Por que o Google mira a fotografia de produto
A fotografia de produto ocupa o centro da economia visual digital. Vale lembrar que milhões de negócios aqui e lá fora nem entraram neste mundo online ainda. O potencial é gigantesco...
Para pequenos negócios, a qualidade das imagens influencia confiança, taxa de clique e conversão. Mas sessões fotográficas recorrentes têm custo, logística e dependem de disponibilidade profissional.
Ao oferecer geração visual gratuita integrada ao ecossistema de marketing, o Google remove a principal fricção desse processo. A produção de imagens deixa de ser um serviço contratado e passa a ser uma função da plataforma.
Isso desloca o papel da fotografia dentro do comércio online.
De serviço especializado para recurso operacional.
Também não podemos esquecer que o Google é um ecossistema gigantesco. É hoje não só o maior organizador de informações, mas também o maior álbum de fotos do mundo (Google Photos) e expande sua força com a IA como parte disso...já são quase 1 bilhão de usuários só de IA da marca.
O impacto real para fotógrafos
A área mais exposta é a fotografia de produto básica, especialmente imagens de catálogo limpo ou fundo neutro.
Para muitos pequenos clientes, o critério dominante não é autoria ou fidelidade absoluta, mas aparência profissional suficiente. Se a IA entrega isso instantaneamente, a contratação deixa de ser automática.
O efeito não é apenas substituição direta. É mudança de expectativa.
Clientes passam a comparar o custo zero da geração com o custo de produção humana.
Isso altera a conversa comercial. O fotógrafo precisa justificar valor onde antes havia necessidade implícita.
Precisão, verdade e responsabilidade visual
Há também um ponto menos visível, mas relevante.
Imagens geradas a partir de referência podem alterar textura, proporção ou materialidade do produto. Diferenças pequenas, mas suficientes para criar discrepâncias entre imagem e objeto real.
Na fotografia comercial tradicional, a responsabilidade pela representação é atribuível. Há captura, luz, objeto, decisão técnica.
Na imagem sintetizada, a autoria se dilui entre sistema, modelo e plataforma. A relação entre fotografia e registro se torna menos estável.
Isso reabre uma questão antiga sob nova forma.
A imagem de produto representa ou interpreta o objeto?
Uniformidade estética como efeito colateral
Ferramentas automatizadas tendem à padronização.
Templates e estilos compartilhados entre milhares de negócios produzem imagens visualmente corretas, mas próximas entre si. A eficiência que o sistema oferece também comprime a diversidade visual.
A diferenciação de marca sempre esteve ligada a nuances de composição, luz e narrativa. Em ambientes gerados, essas nuances se tornam parametrizadas.
O resultado provável é um mercado com duas camadas visuais.
Uma camada automatizada e homogênea.
Outra deliberadamente autoral. É nesta parte que fotógrafos vão ter que contar uma bela história para sobreviverem ao avanço da IA.
Um movimento maior do que o Pomelli
O Photoshoot do Pomelli não surge isolado.
Adobe já incorporou mockups e edição generativa de produto ao Firefly. Shopify introduziu geração automática de fundo para lojistas. Amazon testa imagens assistidas por IA em listings. Plataformas de comércio passam a internalizar a produção visual. Aliás, o próprio Nano Banana e ChatGPT fazem isso e existem dezenas de geradores de IA voltados para isso também...
Nesse contexto, a fotografia deixa de ser apenas criação e passa a ser componente de infraestrutura digital. Algo embutido no sistema de venda. Mais uma vez, a fotografia é uma moeda digital ao mesmo tempo relevante e abundante...as marcas sabem disso e neste ambiente de IA e das gigantes do setor não seria um olhar distinto quanto a isso.
Continuidade de um sinal que já estava dado
Esse avanço não é repentino.
Em 2025, o próprio Google já havia sinalizado sua entrada direta na produção visual comercial com ferramentas generativas voltadas a marketing e produto. A questão colocada então era se a IA passaria a substituir a fotografia de produto básica como serviço recorrente.
O lançamento do Pomelli indica que essa transição começa a se materializar em escala.
O que permanece humano
A automação não elimina toda a fotografia de produto.
Superfícies complexas, materiais reflexivos, alimentos, moda, objetos técnicos e campanhas conceituais ainda dependem de controle físico, direção e solução de problemas reais. A fotografia de alto nível permanece difícil de sintetizar com consistência. A narrativa, forma de contar e como mostrar esse valor "humano" se tornam mais importantes do que nunca (hello marketing/branding). Aliás, abordei isso no detalhe para membros da comunidade:
→ Leia também: O fim das diárias de fotos com a IA do Google Gemini
Mas é um fato: o território intermediário encolhe.
E era nele que grande parte do mercado operava. (os fotógrafos operando no meio estão cada vez mais espremidos).
Para refletir
O Pomelli Photoshoot não substitui a fotografia de produto.
Ele redefine quais imagens ainda precisam ser fotografadas.
A captura deixa de ser o padrão e passa a ser a exceção em parte do comércio digital. A imagem funcional tende à geração. A imagem distintiva permanece na produção.
Para fotógrafos, a mudança não está apenas na tecnologia.
Está na economia visual em que a tecnologia passa a operar.
A conversa expandida continua aqui
A automação da fotografia de produto com IA é um dos movimentos que mais rapidamente estão redesenhando o valor da imagem comercial.
Dentro da comunidade Fotograf.IA+C.E.Foto, essas mudanças são analisadas de forma contínua, com implicações práticas para preço, posicionamento e portfólio em 2026.



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