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Fotos para comer com os olhos



Fotos: Eduardo Almeida


Eduardo Almeida é fotógrafo brasileiro de excelência em fotografia gastronômica no Porto, em Portugal. Suas imagens parecem estimular todos os sentidos, sobretudo a vontade de comer os pratos retratados. Nesta entrevista, ele conta sobre sua trajetória, desafios e como é trabalhar e viver da fotografia em Portugal.




O fotógrafo Eduardo Almeida. Nova fase em Portugal com um trabalho sofisticado


Leo Saldanha - como começou na fotografia? E como é trabalhar em Portugal?


Eduardo Almeida - Eu sempre gostei muito de fotografia desde criança, mas na altura de escolher uma carreira e prestar vestibular não imaginava que a Fotografia poderia ser uma profissão e fui primeiro pra faculdade de informática em 2003 e depois mudei para o curso de desenho industrial. Foi então, só aí que decidi que queria ser fotógrafo, mas nessa época as revistas e os jornais estavam em crise e demitiram jornalistas todas as semanas e eu também não tinha a menor noção de como ser freelancer, profissional liberal, empreendedor ou o nome que queira dar a esse tipo de carreira.


Trabalhei então um tempo como designer em duas empresas diferentes para juntar algum dinheiro e poder me dar um ano para tentar ser fotógrafo. A ideia era ter um dinheiro guardado para ter tempo livre e estar disponível para freelas esporádicos, até que eles se tornassem mais frequentes.


Pois, quando larguei o emprego pra me dedicar exclusivamente à Fotografia, o primeiro passo foi contactar o fotógrafo mais bem sucedido que eu conhecia na época para tentar ser assistente e foi assim que passei quase dois anos trabalhando com o Alexander Landau e tive experiências de ajudá-lo em projetos como as embalagens da Sadia e um livro da Ana Maria Braga, para citar alguns exemplos. Foi com ele que eu aprendi muito, no dia a dia, como é ser fotógrafo, desde a iluminação de um prato a como se relacionar com clientes durante as sessões fotográficas.


Depois ainda fui assistente de outros fotógrafos que trabalhavam mais com retratos para revistas até começar a fazer o meu próprio trabalho e conquistar os meus próprios clientes no Rio.


Porém depois de 3 anos no mercado, decidi imigrar para Portugal. Eu percebi que tinha aprendido o mecanismo de prospectar, negociar, realizar e entregar o trabalho. E, aquele era o momento de arriscar em um novo mercado. Portugal era o destino mais fácil pela burocracia, custo de vida e língua, permitindo ainda acesso relativamente fácil para o resto da Europa.


Assim, vim para o Porto em 2019 com experiência do mercado carioca, um portfólio bacana e dinheiro para sobreviver o primeiro ano. A vida no Porto é mais tranquila, os prazos aqui são muito mais flexíveis, mas a adaptação ao mercado não foi tão fácil como imaginei. Quando finalmente consegui os primeiros clientes, você já deve imaginar, pois todo mundo tem uma história parecida para contar, veio a covid e eu tinha dinheiro contado para sobreviver, apenas com aluguel e alimentação, pelos próximos 2 meses. Por sorte foi o tempo exato em que ficamos totalmente confinados no início, e a partir de maio de 2020 eu não tinha dinheiro nenhum guardado e muito pouco trabalho. Foram 2 anos de muito trabalho e dinheiro contado, crescendo e conquistando novos clientes bem lentamente. Até finalmente atingir um equilíbrio no ano passado.





Leo Saldanha - o que busca na criação das fotos de comida? Qual seu processo de criação?

Eduardo Almeida - Uma boa fotografia de comida pra mim, tem que dar vontade de comer! É lógico que toda a ambientação, louça, decoração são importantes para vender a experiência e atrair clientes para o restaurante. Além disso, um retrato do chef e da equipe do restaurante também ajuda a contar histórias nas redes sociais dessas casas. Mas o meu objetivo é ajudar os meus clientes a atraírem mais clientes para os seus negócios e eu acredito que o elemento mais importante é ter fotos que valorizem a comida. E pra isso eu aplico toda a bagagem do curso de design para criar as composições e a experiência trocada com os meus clientes para criar imagens impactantes e que deem vontade de comer.


O meu processo criativo é muito simples: eu tento encontrar no restaurante um canto e um ângulo para posicionar os pratos onde eu acho que pode trazer alguma cor, forma ou textura que valorize a comida sem criar conflito visual. Defino a composição e tento encontrar o melhor ângulo de cada prato.




Leo Saldanha - como faz a divulgação e como está sua atuação hoje no mercado?

Eduardo Almeida - Eu faço a minha divulgação hoje pelo meu site e pelo instagram. Além disso, tento fazer networking com profissionais de marketing que possam ser parceiros. Trabalhar com parceiros é o melhor cenário: Primeiro porque eu acredito que a fotografia é apenas uma peça de um trabalho maior. Ela não é o fim. Depois, seguindo essa mesma lógica, uma fotografia que faz planejamento de marketing e sem a divulgação correta não tem metade do valor e eficiência. Mas, se for uma boa foto, ela pode potencializar o trabalho do marketing também. Ou seja, é uma relação em que os dois ganham.

Hoje o meu desafio é justamente encontrar esses parceiros e transmitir aos meus clientes essa visão, que acaba por me diferenciar de fotógrafos que querem fazer "arte" ou ficam muito fechados em seus próprios estilos.





Leo Saldanha - Qual a melhor parte do seu trabalho? o que te dá mais prazer?


Eduardo Almeida - A melhor parte do meu trabalho é poder fotografar pratos, chefs e restaurantes diferentes a cada dia, criar imagens novas, conseguir muitas vezes superar as expectativas dos clientes e ouvir: "nossa, deu fome!"




Leo Saldanha - Qual o grande desafio na criação de fotos de gastronomia?


Eduardo Almeida - 2023 deve ser um ano de muitos desafios, eu estou em expansão para o mercado de Lisboa e gostaria de fazer também alguns trabalhos em outros países. Além disso, existem desafios a serem superados, como a crise financeira que não sabemos ainda qual o tamanho e os impactos e as novas tecnologias como IA que estão evoluindo e se popularizando muito rapidamente.





Leo Saldanha - Quais equipamentos você usa? E quanto tempo leva uma sessão?


Eduardo Almeida - Eu uso uma câmera canon 5d, uma lente 100mm macro, uma 50mm e uma zoom grande angular. Levo sempre dois flashs, mas muitas vezes só utilizo um. Tripé de câmera, tripé de luz, modificadores (softboxes, sombrinhas, panelas e snoot) e rebatedores de luz. A sessão dura 4 horas, geralmente os clientes preferem trabalhar no intervalo entre o almoço e o jantar que é muito comum aqui em Portugal, entre às 15 e às 19h.





Leo Saldanha - Quais as principais diferenças entre o mercado português e brasileiro?


Eduardo Almeida - Não sei dizer qual é a diferença entre os dois mercados porque além do fator geográfico, há também uma evolução e adaptação muito grande nos últimos anos provocadas pela tecnologia e pela pandemia. Mas posso dizer que o mercado no Brasil é muito mais ágil mas também há uma pressa e um imediatismo exagerados enquanto em Portugal já é excessivamente oposto. Além disso, no Brasil os clientes gostavam de jornadas longas de um dia inteiro (muitas vezes por mais de 8 horas), com a casa fechada ou em um espaço isolado para isso e com a equipe em função das fotos. Aqui em Portugal é mais comum usarmos esse período de intervalo entre o almoço e o jantar. E é suficiente. Eu acho que o meu trabalho está muito cada vez mais completo e consistente.







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