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Quando a fotografia vira lugar de respiro: duas histórias brasileiras sobre aflição e saúde mental

Em contextos radicalmente distintos, duas fotógrafas mostram como a imagem pode ajudar a atravessar períodos de tensão, desgaste e reconstrução.

Leonie Zettl/Unsplash
Leonie Zettl/Unsplash

A fotografia nem sempre nasce do entusiasmo.

Em muitos casos, ela aparece quando algo aperta por dentro. Quando a vida cobra demais. Quando o corpo, a mente ou o entorno social entram em estado de alerta.


Nos últimos dias, duas histórias brasileiras publicadas na imprensa chamaram atenção não pelo ineditismo, mas pela honestidade. Em ambas, a fotografia surge como um espaço possível de reorganização emocional, ainda que em cenários completamente diferentes.


Fotografia, território e desgaste contínuo

Em Belém do Pará, segue em cartaz até 20 de fevereiro a exposição Quem é pra ser já nasce, da fotojornalista Ana Mendes. O trabalho reúne retratos e entrevistas com mulheres indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e assentadas da reforma agrária do Maranhão.


São lideranças que vivem sob tensão permanente: ameaças, conflitos por terra, pressão constante sobre seus corpos e modos de vida. O projeto nasceu de uma pergunta feita pela própria fotógrafa às mulheres retratadas, mas que também se voltava para si mesma: o que acontece com a gente depois de longos períodos de aflição?


Ao longo do processo, Ana também se reconheceu como parte dessa narrativa. Seu trabalho com comunidades tradicionais a colocou, em diferentes momentos, sob vigilância e perseguição. A fotografia deixou de ser apenas registro externo e passou a ser também um modo de elaborar, compreender e seguir.


A exposição inclui um autorretrato. Não como vaidade, mas como reconhecimento de que quem fotografa também sente, cansa e precisa se cuidar.



Discussões como essa fazem parte do que aprofundamos na comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto: fotografia como prática profissional, mas também como atravessamento humano em tempos de pressão, tecnologia e excesso. Comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto | IA, estratégia e futuro da fotografia com Leo


Quando fotografar vira um jeito de voltar a si

No interior de São Paulo, a fotógrafa Michelle Rodrigues encontrou na fotografia um caminho para lidar com um colapso silencioso. Após o fechamento da empresa da família, uma separação e a sobrecarga de cuidados com filhos e parentes, vieram as crises de ansiedade e a depressão.


A fotografia entrou sem promessas. Uma câmera emprestada. Uma ideia simples. Fotos instantâneas vendidas em eventos locais. O gesto de fotografar, imprimir e entregar começou a devolver algo essencial: ritmo, presença e sentido.


Michelle não fala em cura milagrosa. Fala em processo. Em reconstrução gradual. Em trabalho que devolve autonomia, renda e, principalmente, dignidade emocional.

Nesse caso, a fotografia não resolve tudo. Mas ajuda a sustentar o dia seguinte.



O que essas histórias dizem sobre fotografia hoje

Em contextos extremos ou cotidianos, a fotografia segue sendo um território de negociação entre vida pessoal, trabalho e saúde mental. Não como discurso romântico, mas como prática concreta.


É sobre isso que trata o encontro presencial Fotografia Humana em Tempos de IA. Não sobre tecnologia em si, mas sobre como fotógrafos e fotógrafas estão lidando com aflições reais em um mercado acelerado, automatizado e exigente.


📍 Fotografia Humana em Tempos de IA

25 de fevereiro - São Paulo


Quem participa do encontro também entra na comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto, ampliando essa conversa no longo prazo.

Porque, no fim, fotografia continua sendo sobre pessoas. Inclusive quem está atrás da câmera.

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