A foto de turma que a Duke faz quatro anos antes da formatura
Desde 2006, mais de 1.700 calouros formam no gramado o ano em que irão se graduar. A tradição trocou giz, flashes e plataformas elevatórias por robôs e drones.

Na Duke University, nos Estados Unidos, uma das fotografias mais tradicionais da instituição acontece justamente no início da vida universitária. Os novos alunos são posicionados no gramado formando os números do ano em que deverão concluir o curso. A turma que chegou em 2026, por exemplo, formou um enorme “2030”.
A tradição começou em 2006 e completou 20 anos. O que parece uma fotografia aérea relativamente simples envolve uma operação planejada durante cerca de três meses para organizar mais de 1.700 estudantes, equipe, equipamentos e logística.
Nos primeiros anos, o processo era muito mais trabalhoso. A equipe calculava aproximadamente dois pés quadrados por aluno e levava entre oito e nove horas para desenhar os números no gramado. Cinco plataformas elevatórias de até 60 pés (cerca de 18 metros) eram utilizadas: quatro carregavam equipamentos de iluminação e uma posicionava o fotógrafo acima da cena.
A tecnologia mudou completamente essa operação. Desde 2019, um robô faz a marcação do gramado em cerca de 20 minutos. No mesmo período, os drones substituíram as plataformas na captura da imagem. Para a foto da turma de 2030, a nova piloto Ayanna Shepherd ensaiou três vezes a trajetória do drone antes do evento.
O mais interessante, porém, talvez seja aquilo que permaneceu. A tecnologia tornou a produção mais rápida, segura e previsível, mas a fotografia continuou existindo porque se transformou em um ritual da universidade.
O fotógrafo Bill Snead, responsável pela tradição durante duas décadas, resume essa mudança de forma interessante: com o drone, o protagonismo deixou de estar na grande operação fotográfica e passou para a experiência dos estudantes. A foto virou parte de algo maior.
Para quem trabalha com fotografia de formaturas e eventos, é um bom exemplo de como uma imagem ganha valor quando deixa de ser apenas registro e passa a marcar pertencimento, memória e tradição. Na Duke, equipamentos e processos mudaram muito em 20 anos. A razão para reunir toda a turma em uma única fotografia, não.
Para quem vive de fotografia, fica uma boa provocação: quanto do valor do seu trabalho está apenas na imagem e quanto está na experiência, no ritual e na memória que você ajuda a construir?



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