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A foto do salto de Michael Jordan vai a leilão. O fotógrafo só tinha uma chance

há 39 minutos
4 min de leitura

Registrada em 1988 por Bill Smith, a imagem que ajudou a eternizar um dos saltos mais famosos do basquete volta ao mercado. A história envolve uma objetiva de 50 mm, uma escolha de posição e uma importante decisão sobre direitos autorais.


Foto: Bill Smith/Goldin
Foto: Bill Smith/Goldin

A foto do salto de Michael Jordan vai a leilão. O fotógrafo só tinha uma chance

Registrada em 1988 por Bill Smith, a imagem que ajudou a eternizar um dos saltos mais famosos do basquete volta ao mercado. A história envolve uma objetiva de 50 mm, uma

escolha de posição e uma importante decisão sobre direitos autorais.



Em 6 de fevereiro de 1988, Michael Jordan saltou da linha de lance livre durante o concurso de enterradas da NBA, em Chicago. O movimento durou menos de um segundo. A fotografia atravessou décadas.


Agora, uma ampliação original da época, assinada pelo jogador e autenticada pela PSA, está sendo oferecida em um leilão da Goldin, especializada em itens de coleção.


A imagem foi produzida por Bill Smith, fotógrafo do Chicago Bulls. A cópia de 20 × 25 cm é classificada como Type I, designação utilizada para fotografias reveladas a partir do negativo original em um período próximo ao registro, geralmente de até dois anos.


Segundo a Goldin, existem apenas três exemplares dessa fotografia com certificação Type I conhecidos pela empresa. O exemplar oferecido também tem sua procedência associada ao Nike Flight Camp de 1989. Mas o que torna essa história especialmente interessante para fotógrafos aconteceu antes do clique.


Uma câmera, uma objetiva e uma única oportunidade


Smith sabia que Jordan poderia tentar uma enterrada partindo da linha de lance livre. Já havia observado o movimento durante os treinos.


Por isso, escolheu uma posição lateral que mostrasse a distância percorrida pelo jogador entre o ponto de partida e a cesta. A câmera era uma Canon com objetiva normal de 50 mm. A iluminação dependia de flashes instalados na estrutura superior do ginásio.


O equipamento tinha uma limitação decisiva: os flashes precisavam de tempo para recarregar. Uma segunda fotografia imediatamente após a primeira poderia não receber iluminação suficiente.


Smith precisava antecipar o movimento, acertar o enquadramento e disparar no instante certo. Depois do evento, levou os filmes a um laboratório que funcionava durante a madrugada. Só na manhã seguinte conseguiria verificar o resultado.


Entre suas preocupações estavam a possibilidade de Jordan aparecer com os olhos fechados, o enquadramento estar incorreto ou a bola esconder parte do rosto.

A fotografia havia funcionado.


Jordan estava suspenso no ar, com a bola em uma das mãos e o espaço da quadra visível abaixo de seus pés. O enquadramento ajudou a produzir a sensação de que o jogador realmente desafiava a gravidade.


Uma fotografia que continuou gerando valor


A imagem passou a circular em pôsteres, materiais esportivos e produtos licenciados.

Em uma entrevista publicada pelo The Ringer em 2020, Smith revelou que a Nike demonstrou interesse em comprar integralmente os direitos da fotografia.


Ele preferiu manter os direitos autorais e negociar licenças de utilização. Foi uma decisão comercial importante. Ao longo dos anos, a imagem continuou sendo licenciada para diferentes produtos.


Isso não significa que qualquer fotografia esportiva possa gerar resultados semelhantes. A notoriedade de Jordan, o momento histórico da NBA e a distribuição realizada por grandes empresas tiveram participação fundamental nesse processo.


Ainda assim, o caso mostra como uma fotografia pode continuar tendo valor comercial muito tempo depois de sua produção.


O que está sendo vendido agora?


O leilão apresenta uma cópia fotográfica de época, assinada por Jordan e acompanhada de documentação de autenticidade e procedência.


É importante distinguir esse objeto do negativo original e dos direitos autorais da fotografia.

A compra de uma ampliação física não representa automaticamente a aquisição do direito de reproduzir ou explorar comercialmente a imagem. O mercado de fotografias históricas valoriza fatores como raridade, estado de conservação, autenticidade, procedência e relevância cultural.


No caso de Bill Smith, esses elementos se encontram em uma imagem associada a um dos momentos mais reconhecidos do esporte. O leilão da Goldin segue até o início de novembro, com a disputa entrando na fase final em 4 de novembro nos Estados Unidos.


A fotografia que ficou e a história por trás dela


O salto de Jordan também foi registrado por Walter Iooss Jr., fotógrafo da Sports Illustrated, a partir de outro ângulo. As duas imagens ajudaram a construir a memória visual daquele concurso.


A fotografia de Smith, porém, carrega uma história particular: a escolha da posição, as limitações técnicas, a espera pela revelação e uma decisão posterior sobre o valor de seu trabalho. Quase quatro décadas depois, essa história continua relevante.


A imagem preservou um acontecimento. O relato do fotógrafo permite compreender como aquele registro foi construído.


Sua fotografia também tem uma história. O Spotlink quer conhecê-la.

O trabalho de Bill Smith mostra como os bastidores de uma imagem podem acrescentar uma nova dimensão ao que vemos.


É essa proposta de A História da Foto, projeto editorial do Spotlink que abre espaço para fotógrafos apresentarem seus trabalhos e contarem como foram realizados.


Você pode compartilhar uma fotografia ou um ensaio de até cinco imagens. A partir de cinco perguntas, sua história é organizada em uma publicação com apresentação do autor, informações sobre o trabalho e links para conhecer sua produção.




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