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Flickr cria festival presencial e transforma comunidade online em novo produto

há 2 dias
3 min de leitura

O MODE estreia em Minneapolis com passes de até US$ 380 e programação sobre fotografia, negócios, tecnologia, vídeo e processos analógicos.


O Flickr começa nesta sexta-feira, 18 de setembro, a primeira edição do MODE by Flickr, festival de três dias realizado em Minneapolis. A programação reúne fotografia, música, workshops, photowalks, demonstrações, screenings, instalações e encontros presenciais. O próprio Flickr apresenta o evento como uma extensão física da comunidade que mantém online há mais de 20 anos.


O festival foi organizado em sete eixos. Entre eles estão Money, dedicado ao negócio da fotografia, com temas como venda de impressões, licenciamento, crescimento e escala; Next, voltado a novas tecnologias, edição e inteligência artificial; IRL, sobre processos analógicos; além de Culture, Motion, Change e Earth.


A programação inclui nomes como Chris Burkard, Brooke Shaden, Penny De Los Santos, Sandro Miller e Art Streiber, além de músicos, artistas multimídia e atividades distribuídas por diferentes pontos da cidade.


Os passes para os três dias custam atualmente US$ 240 na modalidade geral e US$ 380 no VIP. Há também ingressos de um dia. O pacote VIP inclui acesso ampliado à programação, encontros com fotógrafos e criadores e um ano de Flickr Pro.


Uma comunidade digital vira experiência presencial


O MODE amplia o papel do Flickr para além de uma plataforma de hospedagem e compartilhamento de imagens. A empresa passa a oferecer uma experiência presencial paga construída sobre uma comunidade que já existe online.


O próprio material do evento reforça essa estratégia. O Flickr descreve o MODE como uma forma de levar a fotografia “para fora dos aplicativos e para as ruas”, combinando aprendizado, networking, música, tecnologia e experiências fotográficas em uma programação de três dias.


O modelo reúne diferentes camadas de relacionamento com o público. A plataforma digital mantém a comunidade conectada durante o ano, enquanto o evento cria uma nova oferta presencial com ingressos, patrocinadores, atividades exclusivas e experiências ligadas à marca.


Eventos ganham espaço em um momento de fadiga digital


A iniciativa também aparece em um momento de renovado interesse por experiências presenciais dentro das estratégias de marketing e branding.


Dados citados pela Cvent a partir do IPA Bellwether indicam crescimento de 14,7% no investimento em eventos no primeiro trimestre de 2026, acima da expansão registrada no trimestre anterior. A empresa relaciona esse movimento à busca por interações presenciais em um ambiente digital marcado por excesso de conteúdo, preocupações com confiança e crescimento de material produzido por inteligência artificial.


O movimento não está restrito a grandes festivais. O mercado de marketing experiencial também vem destacando formatos menores, atividades analógicas e encontros que reduzem a presença de telas.


Em setembro, a Event Marketer apontou a chamada “fadiga digital” como um dos fatores associados ao crescimento de experiências analógicas promovidas por marcas. Outra análise publicada pela mesma plataforma destaca que orçamentos maiores não são necessariamente condição para gerar engajamento relevante em eventos presenciais.


Para marcas, o evento pode cumprir funções que vão além da receita de ingressos. Ele pode gerar contato direto com o público, reforçar identidade, criar relacionamento e produzir material que depois volta a circular nos canais digitais.


O que esse movimento pode significar para fotógrafos


Para fotógrafos, escolas, estúdios, comunidades e criadores de conteúdo, o caso do Flickr mostra uma possibilidade de expansão que não depende apenas de produzir mais conteúdo para a internet.


Uma audiência ou comunidade já existente pode dar origem a workshops, encontros com clientes, photowalks, experiências temáticas, atividades educacionais ou pequenos eventos presenciais.


O formato não precisa reproduzir a escala do MODE. Um encontro para poucas pessoas pode funcionar como produto, ação de relacionamento ou ferramenta de posicionamento, desde que exista relação entre a proposta, o público e o negócio.


Nesse sentido, o caso do Flickr ajuda a colocar outra pergunta na mesa: além dos serviços e conteúdos que já oferece hoje, que experiências um profissional da fotografia poderia criar a partir das pessoas que já acompanham seu trabalho?


Momento R.U.M.O.


No Mapa R.U.M.O., eu analiso posicionamento, serviços, público e possibilidades de expansão do negócio de cada fotógrafo.


A proposta é identificar oportunidades que façam sentido para a realidade do profissional, incluindo novos serviços, formatos de relacionamento, produtos e experiências que possam ampliar sua atuação sem depender apenas das ofertas que já existem no mercado.

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