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Do FotoDoc ao MIS: como um mesmo projeto fotográfico continua abrindo portas

há 1 dia
2 min de leitura

Ensaio de Fabrício Augusto sobre o Círio de Nazaré foi selecionado pelo FotoDoc em fevereiro e agora chega ao programa Nova Fotografia 2026, do MIS. O percurso mostra como um trabalho pode continuar circulando depois da primeira seleção.



No dia 6 de outubro, Fabrício Augusto abre no Museu da Imagem e do Som de São Paulo a exposição “Círio de Nazaré. Do Sagrado ao Profano: Uma Extensão do Brasil”. Aos 26 anos, o fotógrafo de Ferraz de Vasconcelos integra o Nova Fotografia 2026, programa do MIS que seleciona séries por meio de convocatória pública. A mostra reúne 20 fotografias e permanece em cartaz até 15 de novembro, com entrada gratuita.


A seleção ocorreu entre mais de 500 inscritos, segundo o Diário de Suzano. Fabrício está entre os seis fotógrafos escolhidos nesta edição. O Nova Fotografia prevê exposições individuais no museu e, depois do período de exibição, as séries selecionadas passam a integrar permanentemente o acervo do MIS.


O projeto já havia encontrado outro espaço


O que torna o caso particularmente interessante para quem acompanha chamadas e oportunidades é que o trabalho não começa sua circulação no MIS.


Em 27 de fevereiro, “Círio de Nazaré. Do Sagrado ao Profano: Uma Extensão do Brasil” já aparecia entre os projetos selecionados pelo Prêmio Portfólio FotoDoc 2026. O portfólio publicado pelo FotoDoc apresenta a mesma investigação sobre fé, cultura popular, corpos em movimento, promesseiros, distribuição de água e formas de organização coletiva durante o Círio.


Agora, meses depois, o ensaio chega a uma exposição individual dentro do programa do MIS. Não significa que uma seleção tenha provocado a outra. São processos diferentes, com critérios e instituições diferentes. O que o percurso mostra é que o mesmo corpo de trabalho pode encontrar mais de um espaço de circulação.


Um projeto não precisa terminar na primeira seleção


Fabrício produziu o ensaio a partir de uma experiência em Belém. Em 2025, foi convidado pela Mídia Ninja e pela Casa Amazônia para cobrir o Círio de Nazaré. O projeto resultante observa a manifestação religiosa, mas também acompanha situações de cuidado, pertencimento, solidariedade e movimentação coletiva.


No FotoDoc, o trabalho apareceu como portfólio selecionado. No MIS, transforma-se em uma exposição de 20 imagens e posteriormente passa a integrar o acervo da instituição. São destinos diferentes para uma mesma pesquisa fotográfica.


Esse percurso ajuda a corrigir uma expectativa comum em torno de concursos, editais e chamadas. A utilidade de uma oportunidade não depende apenas de conquistar um grande prêmio. Uma seleção pode gerar publicação; outra, exposição; outra pode colocar o trabalho em contato com uma nova instituição ou público.


Para quem desenvolve projetos autorais, isso também significa que uma negativa ou uma primeira seleção não determina o fim do percurso. Se o trabalho continua adequado aos critérios de outras chamadas, ele pode seguir sendo apresentado em contextos diferentes.


Curadoria Essencial


Na Curadoria Essencial, acompanho chamadas, prêmios, bolsas e oportunidades e analiso onde cada uma pode fazer sentido. O caso de Fabrício Augusto mostra uma parte importante desse processo: não procurar uma única oportunidade capaz de resolver tudo, mas entender onde um projeto consistente ainda pode circular, ser publicado, selecionado ou exposto.



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