IMS Paulista recebe exposição sobre fotolivros históricos de mulheres
- há 7 horas
- 4 min de leitura
Mostra reúne 106 publicações de 1843 a 1999 e propõe uma nova leitura da história do fotolivro a partir da produção feminina

A Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista inaugura no dia 17 de março a exposição O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999. A mostra apresenta 106 fotolivros produzidos por mulheres ao longo de mais de um século e meio, propondo uma nova leitura da história da fotografia e da cultura visual.
Realizada em colaboração com a organização 10x10 Photobooks, sediada em Nova York, a exposição reúne títulos do acervo da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles, incluindo obras recém-incorporadas a partir da aquisição de uma coleção dedicada à produção feminina.
Fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich, a 10x10 Photobooks é uma organização voltada à pesquisa, preservação e difusão de fotolivros, promovendo exposições, publicações e projetos de investigação sobre esse formato editorial que se tornou central na história da fotografia.
Segundo as curadoras, a historiografia dos fotolivros foi construída durante décadas a partir de uma perspectiva majoritariamente masculina. A proposta da exposição é ampliar esse olhar e apresentar uma narrativa mais diversa da produção fotográfica.
“Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham se consolidado nas últimas décadas, grande parte deles foi escrita por homens e focada em publicações masculinas”, explicam as curadoras. “Uma nova história precisa emergir.”
A exposição é organizada em dez seções cronológicas, que também dialogam com contextos sociopolíticos e transformações culturais ao longo do tempo. Entre elas estão recortes como Pioneiras (1843-1919), A nova mulher (1920-1935), Políticas sexuais (1976-1979) e Em busca de uma fotodemocracia (1990-1999).
Uma das características marcantes da mostra é que todos os livros poderão ser manuseados pelo público, reforçando o caráter de sala de leitura e pesquisa da exposição.
Entre os destaques está Anna Atkins, que publicou em 1843 Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, considerado um dos primeiros livros ilustrados com fotografias da história. A obra reúne centenas de cianotipias de algas britânicas e é frequentemente citada como um marco inicial da fotografia em formato editorial.
Outro destaque da seção inicial é Dream Children (1901), da fotógrafa norte-americana Elizabeth B. Brownell, que combina textos literários com imagens encenadas no estilo tableaux vivant, uma estética popular no final do século XIX e início do século XX.
Nas décadas seguintes, a exposição acompanha como diferentes fotógrafas dialogaram com transformações culturais e políticas de seus tempos. Em African Journey (1945), por exemplo, a antropóloga Eslanda Goode Robeson publica um dos primeiros livros sobre a África escritos por uma pesquisadora negra norte-americana, em um momento marcado pelo fortalecimento do pensamento pan-africanista.
Nos anos 1970, a artista francesa Annette Messager provoca um debate sobre o corpo feminino com Les Tortures volontaires (1974), reunindo imagens de revistas que expõem procedimentos estéticos e rotinas de beleza como espaços de pressão e violência simbólica.
No final do percurso expositivo, aparecem obras como Passion (1989), da fotógrafa camaronense Angèle Etoundi Essamba, que subverte representações estereotipadas de mulheres negras, e Hiromix (1998), da artista japonesa Hiromix, um retrato íntimo da cultura jovem urbana dos anos 1990.
A exposição também inclui sete fotógrafas brasileiras. Entre elas estão Claudia Andujar, com o livro Amazônia (1979), resultado de seu trabalho junto aos Yanomami; Maureen Bisilliat, com A João Guimarães Rosa (1969), inspirado no universo do sertão mineiro; e Gretta Sarfaty, pioneira da body art no Brasil, com Autophotos (1978).
Para a versão brasileira da mostra, o IMS incorporou ainda outros títulos importantes do acervo da instituição, incluindo Dor (1998), de Vilma Slomp; Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe; Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani; e Entre (1974), de Stefania Bril.
Segundo Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do IMS, a exposição reforça o papel da instituição como centro de referência para o estudo de fotolivros.
“Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, a exposição amplia o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, afirma.
A mostra já passou por importantes instituições internacionais, como Getty Research Institute, em Los Angeles, Museo Reina Sofía, em Madri, Rijksmuseum, em Amsterdã, e New York Public Library.
O catálogo da exposição, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843-1999, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo.
A exposição fica em cartaz até 2 de agosto e convida o público a revisitar a história da fotografia a partir de um ponto de vista mais amplo, reconhecendo o papel das mulheres na produção, circulação e autoria de fotolivros ao longo de quase dois séculos.
Serviço
Exposição
O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
Local
IMS PaulistaBiblioteca de FotografiaAvenida Paulista, 2424, São Paulo
Período
17 de março a 2 de agosto
Horário
Terça a domingo e feriados, das 10h às 20h
Conversa de abertura
17 de março, às 18h30Com participação de Russet Lederman
Retirada de senhas 60 minutos antes



Comentários