top of page

Evoto vira marketplace, Meta insiste no hardware e Jessops muda de mãos

há 5 horas
4 min de leitura

Software procura novas receitas, a Meta testa caminhos para além do smartphone e uma tradicional rede de fotografia mostra que vender câmeras continua sendo um negócio desafiador.



Três movimentos recentes ajudam a enxergar para onde parte do mercado da imagem está procurando crescer. A Evoto quer transformar fotógrafos também em vendedores dentro de sua plataforma. A Meta continua apostando que IA e hardware podem criar uma experiência para além do smartphone. E a tradicional Jessops, no Reino Unido, passa para as mãos de um grande varejista de eletrônicos.


Não são negócios diretamente relacionados. O interessante é observar o que cada um revela.


Evoto quer ganhar também com aquilo que fotógrafos criam



A atualização 8.0 da Evoto trouxe novas ferramentas de IA, inclusive para organização narrativa de ensaios, assunto que analisei separadamente neste post sobre o Evoto 8.0.

Mas talvez uma das novidades mais importantes para o negócio esteja fora da edição.


O novo Asset Hub permite comprar e vender presets, AI Looks, fundos e céus diretamente dentro da plataforma. A Evoto anunciou ainda um fundo de US$ 500 mil para incentivar criadores, com 60% das vendas líquidas destinados aos participantes aprovados.

É um movimento conhecido em outras áreas do software: deixar de vender apenas a ferramenta e começar a operar também o mercado criado em torno dela.



Para fotógrafos, surge uma possibilidade adicional de transformar repertório, estética e ativos produzidos ao longo do trabalho em produtos digitais. Para a Evoto, significa ampliar seu negócio para além de assinaturas e créditos de edição.


A questão deixa de ser apenas o quanto a IA automatiza a fotografia. Passa também por quem controla e monetiza o ecossistema em volta dela.


A era pós-smartphone parece menos simples do que parecia

Os óculos inteligentes foram apresentados nos últimos anos como candidatos importantes a uma computação mais presente no cotidiano e a câmera fazia parte dessa promessa.


Agora a Meta apresentou justamente um Ray-Ban com IA sem câmera. O modelo mantém microfones, áudio e acesso ao assistente Muse, mas elimina fotografia e vídeo, oferecendo uma alternativa para quem não quer carregar uma câmera no rosto. A própria discussão sobre privacidade e pessoas sendo gravadas sem perceber aparece como parte do contexto dessa decisão.


É uma inversão curiosa. A câmera ajudava a justificar os óculos como possível plataforma pós-smartphone; ao mesmo tempo, ela também cria uma das maiores barreiras sociais para sua adoção.



E a Meta não está apostando apenas nos óculos. Apresentou também o Muse Charm, pequeno dispositivo independente para acessar seu agente de IA sem abrir o celular. O produto ainda chega com várias incógnitas (preço, bateria e especificações finais nem foram revelados) e entra em uma categoria na qual outros dispositivos dedicados de IA já tiveram dificuldade para conquistar o público.


Chama atenção a quantidade de energia que a Meta vem colocando em hardware e novas interfaces. A companhia já controla WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger, plataformas presentes diariamente na vida de bilhões de pessoas. Mesmo assim, procura criar novos pontos físicos de contato com a IA.


Talvez o pós-smartphone não aconteça simplesmente substituindo uma tela por óculos, pingentes ou pequenos dispositivos. O desafio parece ser descobrir qual problema esses novos objetos resolvem melhor do que o telefone que já está no bolso.


Jessops: vender câmeras continua difícil


Enquanto empresas de tecnologia tentam inventar novas categorias, uma velha categoria continua enfrentando seus próprios desafios.


A Jessops, uma das redes fotográficas mais conhecidas do Reino Unido, foi comprada pela AO World, grande varejista de eletrônicos e eletrodomésticos.


A dimensão da transformação é significativa. A Jessops chegou a ter mais de 200 lojas físicas antes de 2013. O negócio adquirido agora inclui apenas sete lojas. A empresa registrou crescimento de receita no último ano, mas ainda teve prejuízo de £1 milhão em 2025 e já havia passado por processos de administração em 2019 e 2021.

Isso não significa que o mercado de câmeras esteja acabando. Há segmentos crescendo e novos produtos encontrando demanda.


O caso mostra outra coisa: a loja especializada em fotografia continua buscando seu lugar num mercado em que compra online, usados, smartphones e grandes varejistas mudaram a forma de consumir equipamento.


A própria AO parece enxergar valor justamente na integração. Além da marca Jessops e das lojas restantes, recebe o Camera Jungle, operação online de equipamentos usados, e pode conectar tudo à escala e ao tráfego de um varejista muito maior.


Três movimentos, uma mesma pergunta


Evoto quer deixar de ser apenas software. A Meta quer deixar de depender apenas das telas que já domina. A Jessops deixa de operar isoladamente como uma tradicional rede de fotografia.


Em todos os casos existe uma busca por novos lugares para capturar valor.


Para quem acompanha fotografia, talvez esse seja o ponto mais relevante. As mudanças importantes do setor já não vêm apenas de Canon, Nikon, Sony ou Fujifilm.


Elas também aparecem em marketplaces de software, agentes de IA, dispositivos vestíveis, plataformas sociais, comércio eletrônico e modelos de distribuição.


A fotografia continua no centro da imagem.


O negócio em volta dela está ficando cada vez menos parecido com o antigo mercado fotográfico.


É esse tipo de mudança de mercado que acompanho e analiso no Essencial, conectando tecnologia, fotografia e negócio ao que pode afetar o profissional.

Comentários


CONTATO

São Paulo, SP

  • Canal de Notícias no Insta
  • Telegram
  • logo-whatsapp-fundo-transparente-icon
  • Youtube
  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Facebook

© 2026 - Leo Saldanha. 

bottom of page