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Frame IA - DJI usa apresentadora criada por IA em anúncio e recebe críticas de criadores

  • há 21 horas
  • 4 min de leitura

A campanha estava identificada como conteúdo gerado por IA, mas abriu uma discussão sobre coerência: o que acontece quando uma marca de equipamentos substitui justamente os profissionais que formam seu público?


A DJI usou uma apresentadora criada por inteligência artificial em um anúncio do DJI Mic Mini publicado no TikTok. A peça era patrocinada e aparecia identificada pela própria plataforma como conteúdo gerado por IA.


Mesmo com a identificação, a escolha provocou críticas entre criadores, cineastas e usuários da marca.


O incômodo não nasceu exatamente da tentativa de enganar o público. A campanha informava que havia sido gerada por IA. O problema foi a contradição percebida: uma empresa que vende câmeras, drones, microfones e estabilizadores para profissionais criativos escolheu uma personagem artificial para apresentar um produto destinado a pessoas reais que produzem conteúdo.


A crítica não foi à tecnologia isoladamente


O cineasta Jakob Owens foi um dos profissionais que questionaram publicamente a campanha. Para ele, a DJI poderia ter contratado um criador real para apresentar o microfone, especialmente em um momento de pressão sobre o trabalho de fotógrafos, cineastas e produtores de conteúdo.


A discussão também chegou ao Reddit. Em uma comunidade dedicada à DJI, usuários criticaram a decisão de uma empresa dependente do mercado criativo usar IA justamente no lugar de quem compra e divulga seus produtos.


A reação, porém, não foi unânime. Alguns participantes argumentaram que a inteligência artificial é mais uma ferramenta publicitária e que seu uso por grandes marcas tende a se tornar comum.


Por isso, seria exagerado falar em uma revolta generalizada dos consumidores. O que existe é uma reação relevante dentro de comunidades profissionais, justamente onde a DJI construiu boa parte de sua reputação.


O anúncio foi retirado

O anúncio original não está mais disponível no TikTok. A DJI não esclareceu publicamente se a remoção ocorreu devido às críticas ou se a campanha simplesmente chegou ao fim.


Em declaração enviada à PetaPixel, a empresa afirmou que explora novas tecnologias e formatos criativos, como outras marcas do setor, mas que o anúncio não deve ser interpretado como uma mudança mais ampla em sua estratégia.


A DJI também declarou que criadores, cineastas, fotógrafos e contadores de histórias continuam centrais para sua identidade e para suas ações de marketing.


A existência do anúncio pode ser confirmada por capturas compartilhadas no Reddit. Elas mostram a publicação patrocinada, o perfil oficial da DJI e a identificação de conteúdo gerado por IA.


Transparência não resolve tudo


A DJI fez algo importante: não apresentou a personagem artificial como se fosse uma pessoa real. O conteúdo estava rotulado.

Isso reduz o problema de transparência, mas não elimina a discussão sobre coerência.


Uma marca não comunica apenas pelo que diz. Ela também comunica pelas pessoas que escolhe contratar, mostrar ou substituir. Quando uma empresa vende ferramentas para criadores, usar uma pessoa artificial no lugar deles pode transmitir uma mensagem diferente daquela pretendida.


A decisão pode parecer eficiente do ponto de vista operacional, mas gerar um custo de percepção:


  • A marca deixa de remunerar alguém pertencente ao próprio ecossistema.

  • O produto perde a demonstração feita por uma pessoa que realmente poderia utilizá-lo.

  • A economia de produção passa a disputar espaço com a percepção de autenticidade.

  • O público começa a questionar se o apoio declarado aos criadores também aparece nas decisões comerciais.


A questão, portanto, não é simplesmente determinar se uma marca pode usar IA em sua publicidade. Evidentemente, pode.


A pergunta estratégica é se essa escolha combina com o produto, o público e a relação que a empresa afirma manter com sua comunidade.


O que fotógrafos podem aprender com o caso


A situação também oferece uma lição para pequenos negócios de fotografia.

Usar inteligência artificial não diminui automaticamente a qualidade ou a credibilidade de uma comunicação. A IA pode ajudar no planejamento, na criação de conceitos, na adaptação de formatos e em diferentes etapas de produção.


Mas cada aplicação carrega uma mensagem.


Um fotógrafo que promete experiência humana, memória, presença e confiança precisa observar se sua comunicação visual reforça esses valores. Preencher todo o perfil com famílias, casais ou profissionais gerados artificialmente pode ser tecnicamente eficiente, mas enfraquecer justamente aquilo que diferencia seu trabalho.


A transparência é necessária, mas não é suficiente. Também é preciso coerência.



Uma escolha pequena pode revelar uma mudança maior


O anúncio da DJI não prova que a empresa esteja abandonando criadores reais. A própria marca negou essa interpretação, e não existem evidências de uma mudança ampla em sua estratégia.


Mesmo assim, o episódio antecipa uma tensão que deverá aparecer cada vez mais.

Empresas que dependem economicamente de fotógrafos, cineastas, ilustradores e criadores passarão a usar ferramentas capazes de substituir parte desse mesmo trabalho.


Em alguns casos, o público aceitará. Em outros, a economia obtida poderá produzir desgaste, rejeição ou perda de confiança.


A questão já não é apenas se a imagem foi feita com IA.


É entender quem foi substituído, o que a escolha comunica e quanto essa eficiência pode custar à marca.


Acompanhe as mudanças antes que elas cheguem ao seu trabalho


No Fotograf.IA Essencial, analisamos ferramentas, movimentos de mercado e casos como o da DJI pela perspectiva de quem vive de fotografia e imagem.

O objetivo não é apenas acompanhar lançamentos. É entender onde surgem oportunidades, riscos e decisões que podem afetar seu trabalho, seu posicionamento e sua relação com os clientes.



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