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Frame IA: Concurso da OAB-PR mistura fotografia e imagem gerada por IA e provoca reação

  • há 20 horas
  • 4 min de leitura

Decisão provocou reação da Arfoc-PR e abriu uma questão difícil: trabalhos produzidos por processos tão diferentes podem ser julgados pelos mesmos critérios?



A OAB Paraná abriu as inscrições para a 18ª edição de seu Concurso de Fotografia com uma mudança que provocou reação no mercado da imagem.


Além de fotografias tradicionais, o regulamento permite a inscrição de imagens inteiramente geradas por inteligência artificial e de trabalhos híbridos, que combinem fotografia e recursos de IA.


Nos casos de geração por inteligência artificial, o participante deverá informar o prompt utilizado e a plataforma adotada. Cada pessoa pode inscrever uma imagem na categoria livre e outra na categoria temática, dedicada ao impacto da tecnologia e da IA sobre a advocacia.


A decisão foi criticada pela Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Paraná, a Arfoc-PR.


Para a entidade, imagens geradas por IA não possuem a mesma natureza e a mesma linguagem da fotografia. Colocar os diferentes processos dentro de um concurso fotográfico desvalorizaria a identidade da fotografia e enfraqueceria os critérios usados para avaliar os trabalhos.


A OAB-PR argumenta que o concurso não pretende ser um prêmio profissional de fotojornalismo ou de fotografia comercial. Trata-se de uma atividade cultural e recreativa, restrita a advogados e colaboradores da instituição, criada para estimular a expressão artística e a reflexão sobre as transformações tecnológicas.


A instituição também afirma que o regulamento distingue fotografia tradicional, imagem gerada e produção híbrida, embora preserve no título o termo histórico “Concurso de Fotografia”.


O problema não está apenas na entrada da IA


A inclusão de imagens geradas por inteligência artificial pode ser coerente com o tema escolhido pela OAB-PR. A advocacia está sendo diretamente afetada pela automação, pelos modelos generativos e por novas formas de produção de informação.


A questão aparece quando processos muito diferentes passam a ocupar o mesmo espaço de competição.


Uma fotografia depende de algum tipo de relação com uma cena, uma pessoa, um objeto ou uma situação existente diante de uma câmera. Há escolha de momento, posição, enquadramento, luz e distância.


Uma imagem gerada por IA nasce de outro processo. Ela pode simular câmeras, lentes, iluminação, pessoas e acontecimentos sem que nenhum deles tenha existido diante do autor.


Já uma obra híbrida pode envolver desde pequenos ajustes realizados com recursos generativos até a substituição de partes importantes da imagem original.

São formas legítimas de produção visual, mas não necessariamente comparáveis pelos mesmos critérios.


O envio do prompt e a indicação da plataforma ajudam na transparência. Ainda assim, essas informações não respondem como a comissão julgadora deverá comparar observação, captura, direção, manipulação e geração sintética dentro de uma mesma premiação.


Três modalidades, duas categorias


A divulgação oficial informa que o concurso possui uma categoria livre e outra temática. Dentro de cada uma, podem ser inscritos os três tipos de produção: fotografia tradicional, imagem gerada por IA ou obra híbrida. As 30 imagens classificadas participarão de uma exposição na sede da OAB Paraná, e 12 serão premiadas e incluídas no calendário de 2027 da instituição.


Esse desenho mantém separados os temas, mas não necessariamente os processos de criação.


Uma alternativa seria estabelecer categorias próprias para fotografia, imagem híbrida e imagem sintética. Isso permitiria reconhecer a experimentação com IA sem tratar como equivalentes trabalhos produzidos por práticas diferentes.


Também ajudaria a criar critérios específicos de avaliação.


Na fotografia, poderiam entrar aspectos como observação, momento, composição e relação com o assunto fotografado. Na geração, poderiam ser avaliados conceito, direção visual, construção da imagem, originalidade e domínio da ferramenta. Nas obras híbridas, seria possível considerar tanto a fotografia de origem quanto a intervenção realizada posteriormente.


Uma mudança maior do que parece


Na edição anterior, realizada em 2025, o concurso convidava os participantes a registrar diferentes interpretações da liberdade. As fotografias eram avaliadas por uma comissão formada por fotógrafos e os trabalhos selecionados compuseram uma exposição e o calendário oficial da OAB Paraná.


A edição de 2026 muda o tipo de obra que pode participar, mesmo mantendo o nome tradicional da iniciativa.


É um detalhe importante porque nomes orientam a percepção do público. Quando uma instituição anuncia um concurso de fotografia, a expectativa ainda é de que exista alguma conexão entre a imagem apresentada e algo registrado por uma câmera.

A discussão levantada pela Arfoc-PR, portanto, não precisa ser interpretada como uma tentativa de impedir novas formas de criação.


Ela pode ser entendida como uma defesa da diferenciação.


Em um cenário no qual qualquer pessoa já consegue gerar imagens visualmente convincentes em poucos segundos, separar fotografia, imagem híbrida e geração sintética se torna cada vez mais necessário. Não para determinar qual delas possui maior valor artístico, mas para que cada processo seja compreendido e avaliado de maneira coerente.



O que tirar disso...


O episódio da OAB-PR mostra que a inteligência artificial está avançando mais rapidamente do que os critérios usados para organizar concursos, exposições e premiações.


A tecnologia já entrou. O desafio agora está em construir categorias, regras e formas de avaliação capazes de acompanhar essa transformação.

Chamar tudo de imagem pode parecer inclusivo. Chamar tudo de fotografia elimina diferenças que continuam relevantes.


Para fotógrafos profissionais, acompanhar essas mudanças deixou de ser uma discussão abstrata. Elas afetam concursos, contratos, autoria, comunicação com clientes e o próprio valor atribuído ao trabalho realizado com uma câmera.


No Fotograf.IA + C.E.Foto, acompanhamos esses movimentos para entender como a inteligência artificial está transformando a fotografia, a produção visual e os negócios de quem vive da imagem.


O Fotograf.IA Essencial reúne análises, encontros, conteúdos exclusivos e ferramentas para fotógrafos que querem usar a IA sem perder pensamento crítico, identidade e direção profissional.




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