top of page

C.A.O.S. Fotográfico: Mercado, IA e o fim do meio em 2026

Como o mercado, a IA e o posicionamento estão redesenhando o valor da fotografia



Na live de hoje do C.A.O.S. Fotográfico, analisei os principais movimentos que estão redesenhando o valor da fotografia, do luxo extremo ao fotógrafo espremido no meio do preço, passando pelo uso preguiçoso da Inteligência Artificial e pelo colapso dos modelos tradicionais de educação no setor.


👉 Assista ao vídeo completo abaixo. O texto a seguir organiza os principais pontos para leitura, reflexão e decisão prática.


O mercado não está confuso. Ele está seletivo.

A ideia de que “o mercado está difícil” é imprecisa. O mercado está funcionando exatamente como deveria em um cenário de abundância técnica.

A tecnologia automatizou o que antes exigia habilidade média. Hoje, imagens tecnicamente corretas, textos aceitáveis e vídeos funcionais são produzidos em escala por ferramentas de IA. O resultado é simples: o valor do “bom o suficiente” despencou.

Isso criou o maior risco de 2026: o fotógrafo espremido.


O fotógrafo espremido e a zona da morte do preço médio

O fotógrafo espremido é aquele que ficou preso no meio.

Não é barato o suficiente para competir com automação.

Não é autoral o suficiente para justificar valor premium.

Sem uma narrativa clara de valor, o mercado escreve a história por ele. E essa história quase sempre termina em preço. Preço sempre comunica algo.


Se você não domina essa narrativa, sobra apenas uma mensagem implícita:

“Compre de mim porque sou mais barato.”

Será essa a zona da morte em 2026?


Leica vale 1 bilhão. Não por tecnologia, mas por posicionamento.

Enquanto o meio do mercado sofre, a Leica prospera.

Segundo a Bloomberg, a marca alemã, que completou 100 anos, atingiu avaliação próxima de 1 bilhão de euros, com recordes históricos de faturamento. Isso em um mercado que muitos insistem em chamar de “em crise”.


A Leica não compete por especificação. Ela compete por significado.

Ela sustenta, ao mesmo tempo:

• tradição analógica

• sistemas digitais de alto padrão

• presença estratégica no mercado de smartphones, via Xiaomi


Suas lojas funcionam como galerias. Seus produtos são tratados como luxo cultural, não como equipamento.


A especulação sobre aumento de investimento chinês (em um movimento semelhante ao da DJI com a Hasselblad) apenas reforça um ponto central: marca com alma vira ativo financeiro.


IA não é o problema. O problema é o uso medíocre.

A Inteligência Artificial já é, comprovadamente, mais criativa do que o ser humano médio. Isso não é opinião, é dado.


Mas ela ainda perde feio para talentos reais, com repertório, decisão e assinatura própria.

O risco não é a substituição. É a preguiça intelectual.


O uso indiscriminado de IA para gerar legendas, ideias e discursos criou um padrão facilmente reconhecível: textos iguais, imagens seguras, linguagem genérica. O que chamo de efeito Jargonator.


Quando tudo soa igual, tudo passa a valer o mesmo.

Delegar completamente a curadoria e a edição atrofia o músculo criativo. A fotografia sempre foi sobre escolha. E quem para de escolher, desaparece.


A IA deve ser estagiária, assistente, apoio.

Nunca piloto automático.


Exemplos reais: quando a assinatura cria mercado

O cenário brasileiro mostra caminhos claros para quem observa além do eixo óbvio.

Israel Lucas (Manaus)

Em parceria com plataformas como a Fotto, construiu uma assinatura forte na fotografia esportiva. Prova de que mercados regionais são potências quando há identidade e tecnologia bem aplicada. Carinha da Escada: como Israel Lucas criou uma identidade única na fotografia esportiva


Cinema nacional como farol

O trabalho de Adolfo Veloso em Sonhos de Trem e Agente Secreto, com projeção internacional e presença na Netflix, reforça que o olhar autoral segue sendo o ativo mais valioso da cadeia visual. O Brasil entra no radar do Oscar não por técnica, mas por linguagem.


Fotografia como respiro em um mundo saturado

No meio do ruído digital, a fotografia ressurge também como ferramenta de dignidade emocional.

Ana Mendes (PA) documenta comunidades quilombolas e indígenas e lança uma pergunta essencial: o que acontece conosco após longos períodos de aflição?

Michele Rodriguez (SP) encontrou na fotografia instantânea um caminho de reconstrução emocional após crises de ansiedade. O clique físico devolve ritmo, presença e sentido.

Em um mundo acelerado, fotografar pode ser resistência.


Congressos presos em 2018 não funcionam mais

O modelo tradicional de congresso fotográfico morreu.

Platéias passivas, excesso de informação e pouca aplicação prática não dialogam mais com o profissional de 2026. O consumo mudou. A atenção mudou. A expectativa mudou.

Hoje, não falta conteúdo. Falta síntese, contexto e decisão.

Eventos que não entregam transformação real tendem a perder relevância rapidamente.


Próximos passos: não caminhar sozinho

Consumir conteúdo não basta. É preciso pertencer a um ecossistema que pensa junto.


Mentoria Coletiva

Toda quarta-feira, às 20h, dentro da Comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto. Um espaço de troca real para decisões estratégicas em meio ao C.A.O.S.

Encontro Presencial em São Paulo – 25/02

Blog e Newsletter

Análises aprofundadas, curadoria e conteúdo contínuo em👉 enfbyleosaldanha.com


As lives acontecem todas as segundas-feiras, às 21h. no Instagram @leosaldanha.br

Entender o caos com clareza deixou de ser diferencial. Virou condição de sobrevivência.

Comentários


CONTATO

São Paulo, SP

  • Canal de Notícias no Insta
  • Telegram
  • logo-whatsapp-fundo-transparente-icon
  • Youtube
  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Facebook

© 2026 - Leo Saldanha. 

Vamos conversar? Obrigado pelo envio

bottom of page