C.A.O.S. Fotográfico: Mercado, IA e o fim do meio em 2026
- Leo Saldanha

- há 4 dias
- 4 min de leitura
Como o mercado, a IA e o posicionamento estão redesenhando o valor da fotografia

Na live de hoje do C.A.O.S. Fotográfico, analisei os principais movimentos que estão redesenhando o valor da fotografia, do luxo extremo ao fotógrafo espremido no meio do preço, passando pelo uso preguiçoso da Inteligência Artificial e pelo colapso dos modelos tradicionais de educação no setor.
👉 Assista ao vídeo completo abaixo. O texto a seguir organiza os principais pontos para leitura, reflexão e decisão prática.
O mercado não está confuso. Ele está seletivo.
A ideia de que “o mercado está difícil” é imprecisa. O mercado está funcionando exatamente como deveria em um cenário de abundância técnica.
A tecnologia automatizou o que antes exigia habilidade média. Hoje, imagens tecnicamente corretas, textos aceitáveis e vídeos funcionais são produzidos em escala por ferramentas de IA. O resultado é simples: o valor do “bom o suficiente” despencou.
Isso criou o maior risco de 2026: o fotógrafo espremido.
O fotógrafo espremido e a zona da morte do preço médio
O fotógrafo espremido é aquele que ficou preso no meio.
Não é barato o suficiente para competir com automação.
Não é autoral o suficiente para justificar valor premium.
Sem uma narrativa clara de valor, o mercado escreve a história por ele. E essa história quase sempre termina em preço. Preço sempre comunica algo.
Se você não domina essa narrativa, sobra apenas uma mensagem implícita:
“Compre de mim porque sou mais barato.”
Será essa a zona da morte em 2026?
Leica vale 1 bilhão. Não por tecnologia, mas por posicionamento.
Enquanto o meio do mercado sofre, a Leica prospera.
Segundo a Bloomberg, a marca alemã, que completou 100 anos, atingiu avaliação próxima de 1 bilhão de euros, com recordes históricos de faturamento. Isso em um mercado que muitos insistem em chamar de “em crise”.
A Leica não compete por especificação. Ela compete por significado.
Ela sustenta, ao mesmo tempo:
• tradição analógica
• sistemas digitais de alto padrão
• presença estratégica no mercado de smartphones, via Xiaomi
Suas lojas funcionam como galerias. Seus produtos são tratados como luxo cultural, não como equipamento.
A especulação sobre aumento de investimento chinês (em um movimento semelhante ao da DJI com a Hasselblad) apenas reforça um ponto central: marca com alma vira ativo financeiro.
IA não é o problema. O problema é o uso medíocre.
A Inteligência Artificial já é, comprovadamente, mais criativa do que o ser humano médio. Isso não é opinião, é dado.
Mas ela ainda perde feio para talentos reais, com repertório, decisão e assinatura própria.
O risco não é a substituição. É a preguiça intelectual.
O uso indiscriminado de IA para gerar legendas, ideias e discursos criou um padrão facilmente reconhecível: textos iguais, imagens seguras, linguagem genérica. O que chamo de efeito Jargonator.
Quando tudo soa igual, tudo passa a valer o mesmo.
Delegar completamente a curadoria e a edição atrofia o músculo criativo. A fotografia sempre foi sobre escolha. E quem para de escolher, desaparece.
A IA deve ser estagiária, assistente, apoio.
Nunca piloto automático.
Exemplos reais: quando a assinatura cria mercado
O cenário brasileiro mostra caminhos claros para quem observa além do eixo óbvio.
• Israel Lucas (Manaus)
Em parceria com plataformas como a Fotto, construiu uma assinatura forte na fotografia esportiva. Prova de que mercados regionais são potências quando há identidade e tecnologia bem aplicada. Carinha da Escada: como Israel Lucas criou uma identidade única na fotografia esportiva
• Cinema nacional como farol
O trabalho de Adolfo Veloso em Sonhos de Trem e Agente Secreto, com projeção internacional e presença na Netflix, reforça que o olhar autoral segue sendo o ativo mais valioso da cadeia visual. O Brasil entra no radar do Oscar não por técnica, mas por linguagem.
Fotografia como respiro em um mundo saturado
No meio do ruído digital, a fotografia ressurge também como ferramenta de dignidade emocional.
• Ana Mendes (PA) documenta comunidades quilombolas e indígenas e lança uma pergunta essencial: o que acontece conosco após longos períodos de aflição?
• Michele Rodriguez (SP) encontrou na fotografia instantânea um caminho de reconstrução emocional após crises de ansiedade. O clique físico devolve ritmo, presença e sentido.
Em um mundo acelerado, fotografar pode ser resistência.
Congressos presos em 2018 não funcionam mais
O modelo tradicional de congresso fotográfico morreu.
Platéias passivas, excesso de informação e pouca aplicação prática não dialogam mais com o profissional de 2026. O consumo mudou. A atenção mudou. A expectativa mudou.
Hoje, não falta conteúdo. Falta síntese, contexto e decisão.
Eventos que não entregam transformação real tendem a perder relevância rapidamente.
Próximos passos: não caminhar sozinho
Consumir conteúdo não basta. É preciso pertencer a um ecossistema que pensa junto.
• Mentoria Coletiva
Toda quarta-feira, às 20h, dentro da Comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto. Um espaço de troca real para decisões estratégicas em meio ao C.A.O.S.
• Encontro Presencial em São Paulo – 25/02
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As lives acontecem todas as segundas-feiras, às 21h. no Instagram @leosaldanha.br
Entender o caos com clareza deixou de ser diferencial. Virou condição de sobrevivência.



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