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Frame IA Especial - Brasil lidera uso de imagens no ChatGPT. A fotografia está usando melhor a IA?

  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

O país já está entre os três maiores mercados do ChatGPT, registra cerca de 215 milhões de mensagens por dia e tem a maior taxa de uso do ChatGPT Images no mundo. Para fotógrafos e empresas da fotografia, a adoção deixou de ser a questão principal. Agora importa como essa tecnologia está sendo usada.



A inteligência artificial já não ocupa uma posição periférica no cotidiano digital brasileiro.

Nesta quinta-feira, 27 de agosto, a OpenAI anunciou o início de suas operações comerciais no Brasil e divulgou novos números sobre o uso do ChatGPT no país.


Segundo a empresa, o Brasil está entre os três maiores mercados do ChatGPT em usuários ativos semanais. O número de usuários brasileiros quase dobrou no último ano e atualmente são enviadas cerca de 215 milhões de mensagens por dia a partir do país.


Mas há um dado especialmente relevante para quem trabalha com fotografia e imagem: o Brasil tem a maior taxa de uso do ChatGPT Images no mundo.



O Brasil não está apenas perguntando para a IA

Os números mostram também que o uso começa a deixar a fase da experimentação.

Em junho de 2026, 35% das mensagens classificadas de contas individuais brasileiras estavam relacionadas ao trabalho, contra 30% na média global.


Dentro dessas conversas profissionais, 53% pediam ao ChatGPT para executar uma tarefa ou produzir alguma coisa, como analisar informações, preparar propostas ou criar materiais de marketing.


A adoção empresarial também acelerou. Segundo a OpenAI, o número de licenças do ChatGPT Enterprise no Brasil cresceu cinco vezes em um ano, colocando o país entre seus dez maiores mercados em número de clientes empresariais.


Há, portanto, dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo: mais pessoas incorporando a IA ao cotidiano e empresas começando a integrá-la diretamente à operação.



E imagem é uma parte importante dessa história

Outro levantamento recente da OpenAI ajuda a colocar o dado brasileiro em perspectiva.

Desde o lançamento do ChatGPT Images 2.0, em abril, multimídia tornou-se a categoria de uso que mais cresce globalmente dentro do ChatGPT. No segundo trimestre de 2026, 7,8% das mensagens no mundo estavam relacionadas à geração, análise ou recuperação de conteúdo multimídia.


Brasil e Colômbia se destacam: nos dois países, mais de uma em cada dez mensagens já pertence à categoria multimídia. Veja os dados globais do OpenAI Signals


Isso interessa diretamente à fotografia.


O fotógrafo está justamente no encontro de várias atividades que aparecem nesse novo uso da IA: criação e análise de imagens, escrita, pesquisa, planejamento, atendimento, marketing, edição, apresentação de propostas e desenvolvimento de ofertas.


Para profissionais independentes e pequenos negócios, uma única ferramenta começa a ocupar espaços que antes exigiam softwares diferentes, prestadores externos ou simplesmente mais horas de trabalho.


A pergunta sobre IA na fotografia, portanto, mudou.

Já não é apenas: “os fotógrafos vão usar?”

Estão usando. A questão começa a ser outra.



Usar mais não significa necessariamente usar melhor

A velocidade da adoção não garante maturidade no uso.

Uma ferramenta capaz de gerar dezenas de alternativas em poucos minutos também permite produzir dezenas de soluções previsíveis, genéricas ou inadequadas ao posicionamento de um profissional.


E quanto melhor a tecnologia fica tecnicamente, menos óbvio se torna esse problema.

Uma imagem pode ser impecável em iluminação, composição, textura e resolução e continuar sendo uma escolha ruim.


Uma imagem pode estar tecnicamente impecável e, ainda assim, ser genérica, destoar de quem a publica ou enfraquecer a percepção de autenticidade de um negócio que depende de proximidade, memória, presença e confiança.


É aí que aparece uma diferença importante entre gerar e escolher.


A ferramenta resolve cada vez melhor o problema técnico. O desafio passa a ser outro: reconhecer o que tem identidade, o que faz sentido para aquela marca e o que deveria ser descartado.


Por isso venho insistindo em uma palavra que ganhou peso justamente quando gerar imagens ficou mais fácil: gosto.



Quando a capacidade de produzir alternativas se torna abundante, cresce o valor de saber selecionar, editar, combinar e principalmente rejeitar. A ferramenta consegue oferecer vinte possibilidades. Ainda cabe a alguém decidir qual delas merece existir.



Existe também uma questão de coerência

O mesmo raciocínio vale para empresas da fotografia.

Não existe nada necessariamente contraditório em uma marca fotográfica utilizar inteligência artificial. Ela pode melhorar atendimento, pesquisa, planejamento, edição, marketing, produção e inúmeros processos internos.


O problema aparece quando o uso entra em conflito com aquilo que a própria marca promete vender.



Uma empresa que constrói seu valor em torno de presença, autenticidade, memória familiar ou registro de acontecimentos reais precisa pensar com mais cuidado sobre onde uma imagem sintética aparece em sua comunicação.


Isso não significa proibir IA.


Significa entender que cada uso também comunica alguma coisa sobre o negócio.

E essa talvez seja uma habilidade que ainda esteja se desenvolvendo mais lentamente do que as ferramentas.


Talvez o problema já não seja atraso tecnológico

Durante muito tempo, a preocupação dentro da fotografia foi saber quem ficaria para trás diante da inteligência artificial.


Os números brasileiros sugerem que vale considerar o problema inverso.

Podemos estar usando muito antes de decidir bem onde usar, por que usar e o que não deveria ser automatizado.


O ChatGPT está se tornando infraestrutura cotidiana. As ferramentas de imagem estão entrando rapidamente em fluxos profissionais. E novos recursos continuarão chegando.


Nesse cenário, saber escrever um prompt tende a perder parte de seu caráter diferencial.

Saber reconhecer uma ideia fraca, uma imagem genérica, uma automação inadequada ou uma escolha que contradiz o próprio posicionamento pode se tornar muito mais importante.


A próxima etapa da IA na fotografia talvez tenha menos a ver com descobrir ferramentas e mais com desenvolver critério, repertório e capacidade de escolha.


A propósito: essa mudança com o avanço da IA no Brasil também deve afetar a forma como fotógrafos aprendem, se atualizam e diferenciam seu trabalho. Mas esse é um impacto que ainda merece ser observado com mais cuidado.


Fotograf.IA Essencial

É justamente essa segunda etapa da conversa que trabalho dentro da Fotograf.IA Essencial.

Não apenas quais ferramentas estão surgindo, mas onde elas melhoram o trabalho, onde podem reduzir valor, o que está mudando no comportamento do mercado e quais decisões passam a importar para quem vive de fotografia e imagem.


E quando a questão ultrapassa a IA e chega à comunicação, oferta, preço e percepção de valor do próprio negócio, existe outro caminho.


O Desafio R.U.M.O. começa em 31 de agosto e propõe cinco dias de trabalho prático para rever como o negócio fotográfico está se apresentando e para onde ele pode avançar.


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