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Bolsa ZUM/IMS abre chamada para projetos inéditos de fotografia e vídeo com R$ 80 mil

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

A iniciativa seleciona dois projetos autorais, individuais ou coletivos, e reforça a importância da fotografia como pesquisa, linguagem e produção cultural no Brasil.



A Revista ZUM e o Instituto Moreira Salles abriram inscrições para a 14ª edição da Bolsa ZUM/IMS, uma das chamadas mais relevantes do país para projetos inéditos no campo da fotografia e do vídeo. A seleção vai contemplar dois projetos com bolsas no valor bruto de R$ 80 mil cada, destinados ao desenvolvimento e à finalização dos trabalhos. As inscrições ficam abertas até 26 de junho de 2026. S


A chamada não define tema, perfil ou suporte. Esse detalhe é importante. O edital não busca apenas uma série fotográfica tradicional nem limita a participação a um formato específico. Podem ser inscritos projetos em fotografia, vídeo e outras vertentes da imagem, desde que sejam inéditos e apresentados por artistas individuais ou coletivos.


Para quem vive da imagem, a Bolsa ZUM/IMS é mais do que uma oportunidade financeira. Ela mostra um outro lado da fotografia brasileira, menos ligado à prestação de serviço e mais próximo da pesquisa visual, da arte contemporânea, da memória, da experimentação e da construção de linguagem.


Os dois projetos selecionados terão até oito meses para entregar os resultados finais, contados a partir do pagamento da primeira parcela da bolsa. O pagamento será feito em três etapas, com descontos de impostos e contribuições previstos na legislação. O resultado final, ou parte dele, será incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles.


Esse ponto também merece atenção. A bolsa não é apenas um prêmio em dinheiro. Ela envolve produção, acompanhamento, apresentação pública e entrada em uma coleção institucional. Os selecionados deverão apresentar o resultado em uma das sedes do IMS e participar de uma conversa aberta ao público. Durante o processo, haverá reuniões de acompanhamento com a comissão de seleção.


A seleção será feita em duas etapas. Primeiro, os projetos passam por habilitação e avaliação de acordo com as exigências do edital. Depois, a comissão considera critérios como qualidade artística, qualificação do candidato e viabilidade prática da proposta. Segundo a ZUM, os selecionados serão anunciados em agosto de 2026 no site e nas redes da revista.


Para artistas e fotógrafos que pensam em se inscrever, há uma leitura prática importante: uma chamada desse tipo não premia apenas boas imagens. Ela exige projeto. Isso significa saber formular uma ideia, defender uma pesquisa, mostrar repertório, apresentar viabilidade e explicar por que aquele trabalho precisa existir agora.


Esse talvez seja o ponto mais interessante para o mercado fotográfico como um todo.


Muitos fotógrafos se acostumaram a pensar a própria produção apenas pela lógica do portfólio, do ensaio, do cliente e da entrega. Nada disso é menor. Mas a Bolsa ZUM/IMS lembra que a fotografia também pode ser pensamento, investigação, linguagem e documento cultural. Em um momento em que a imagem está cada vez mais acelerada, descartável e contaminada por automatismos, projetos autorais bem estruturados ganham outro peso.


Também é um edital que exige maturidade. Como só é permitido o envio de um projeto por artista ou coletivo, a escolha precisa ser cuidadosa. A proposta enviada não poderá ser modificada depois da inscrição. Isso obriga o candidato a chegar com uma ideia minimamente amadurecida, com documento de projeto, currículo, portfólio e documentação organizados.


A Bolsa ZUM/IMS existe desde 2013 e, ao longo dos anos, passou a reunir artistas e projetos que ajudam a expandir o entendimento sobre fotografia no Brasil. A edição de 2026 mantém essa direção ao selecionar trabalhos sem restrição temática, abrindo espaço para abordagens documentais, experimentais, políticas, poéticas, audiovisuais ou híbridas.


Para o fotógrafo profissional que atua no mercado comercial, a chamada pode parecer distante à primeira vista. Mas ela deixa uma provocação importante: qual parte da sua produção tem densidade suficiente para virar projeto, pesquisa ou narrativa autoral?


Nem todo fotógrafo precisa disputar edital. Nem todo trabalho precisa entrar no circuito institucional. Mas entender esse universo amplia a forma como o profissional enxerga a própria imagem. Em muitos casos, o que falta não é talento visual. Falta projeto, texto, recorte, argumento e consciência do lugar que aquela produção ocupa.


As inscrições para a Bolsa ZUM/IMS 2026 seguem até 26 de junho, pelo site da Revista ZUM. Para quem tem uma pesquisa visual em andamento, um corpo de trabalho ainda não finalizado ou uma ideia autoral com força para ser desenvolvida, é uma oportunidade rara. Não apenas pelo valor da bolsa, mas pelo tipo de reconhecimento que ela pode abrir.


Na Fotograf.IA + C.E.Foto, eu acompanho oportunidades como essa porque elas ajudam a entender a fotografia para além do mercado imediato. Editais, bolsas, chamadas, novas tecnologias e movimentos culturais também moldam o futuro da profissão. Para quem vive da imagem, olhar para esses sinais pode abrir caminhos que o feed sozinho não mostra.


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