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Araquém Alcântara celebra 50 anos de fotografia com exposição e livro em Brasília

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Mostra no Superior Tribunal de Justiça reúne imagens em grandes formatos e marca a trajetória de um dos nomes centrais da fotografia de natureza no Brasil.


Araquém Alcântara, um dos nomes fundamentais da fotografia de natureza no Brasil, celebra 50 anos de carreira com uma grande exposição em Brasília e o lançamento de um livro comemorativo que revisita sua trajetória. A abertura acontece no dia 1º de junho de 2026, às 19h, no Superior Tribunal de Justiça, onde o fotógrafo também participa de uma noite de autógrafos.


A exposição, intitulada “O Brasil de Araquém Alcântara”, reunirá imagens em grandes formatos, com obras de 2,20 m x 1,50 m, selecionadas para sintetizar cinco décadas de trabalho. As fotografias atravessam a Amazônia, a Mata Atlântica e outros biomas brasileiros, além de cenas do cotidiano do povo brasileiro.


A mostra chega em um momento simbólico. Em uma época dominada por imagens rápidas, excesso visual e produção automatizada, a obra de Araquém lembra outra dimensão da fotografia: a imagem como presença, travessia, memória e responsabilidade. Seu trabalho não nasceu de uma relação passageira com o território. Nasceu de deslocamento, repetição, escuta, permanência e contato direto com a paisagem brasileira.


Fotos: Araquém Alcântara
Fotos: Araquém Alcântara

O release da exposição apresenta Araquém como precursor da fotografia de natureza no Brasil e destaca que ele foi o primeiro fotógrafo a registrar todos os parques nacionais brasileiros. Também aponta seu pioneirismo na documentação visual dos ecossistemas e unidades de conservação do país.


Esse dado ajuda a entender a dimensão de sua obra. Araquém não fotografou apenas a natureza como beleza. Fotografou a natureza como patrimônio, conflito, alerta e campo de disputa. Sua produção se move entre encantamento e denúncia, entre a força visual dos biomas e a violência da destruição ambiental.


O livro comemorativo, lançado junto à exposição, é apresentado como uma “crônica visual da beleza e do horror”. Segundo o material de divulgação, a publicação reúne 220 imagens em mais de 500 páginas e sintetiza uma trajetória iniciada em Santos, no litoral paulista, nos anos 1970, atravessando florestas, rios, serras e comunidades brasileiras.


Fotos: Araquém Alcântara
Fotos: Araquém Alcântara

Ao longo de cinco décadas, Araquém construiu um acervo com cerca de 500 mil imagens, considerado um dos patrimônios visuais mais importantes da biodiversidade brasileira. Sua produção documenta a Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal, os Pampas, a Amazônia e seus povos.


Mas reduzir sua carreira à fotografia de natureza seria pouco. A trajetória de Araquém passa também pela fotografia como gesto político. O novo livro revisita desde as primeiras imagens feitas no cais de Santos, com prostitutas, marinheiros e estivadores, até registros recentes de queimadas na Amazônia e no Pantanal. Entre esses momentos, há uma imagem simbólica feita em 1980, retratando seu pai, Manoel Alcântara, em protesto contra a instalação de usinas nucleares na Juréia.


Essa fotografia marca uma virada importante em sua produção. Mais do que registrar o mundo natural, Araquém passa a afirmar a câmera como instrumento de resistência. A paisagem, em sua obra, não aparece como cenário neutro. Ela é território vivo, ameaçado, habitado e atravessado por decisões políticas, econômicas e humanas.


Essa talvez seja a força mais atual da exposição. Em tempos de crise climática, avanço tecnológico e banalização das imagens, a obra de Araquém recoloca uma pergunta essencial: o que uma fotografia ainda pode defender?


A resposta está menos na técnica e mais na postura. Araquém construiu uma carreira em torno de um compromisso. Fotografou por décadas aquilo que o Brasil muitas vezes só percebe quando já perdeu. Florestas, rios, animais, povos, modos de vida, devastação, beleza e ruína aparecem em sua obra como partes de uma mesma narrativa visual.


Fotos: Araquém Alcântara
Fotos: Araquém Alcântara

Com 62 livros autorais, 75 exposições individuais, mais de 40 prêmios nacionais e internacionais e obras em acervos como Masp, Pinacoteca de São Paulo, MAM-SP, Centro Georges Pompidou e Museu Britânico, Araquém consolidou uma trajetória rara na fotografia brasileira.


A exposição em Brasília, portanto, não é apenas uma homenagem a uma carreira longa. É também uma oportunidade de olhar para a fotografia brasileira em uma de suas expressões mais consistentes: a imagem como documento, arte, denúncia e permanência.


Em um mercado muitas vezes concentrado na lógica da visibilidade imediata, a obra de Araquém lembra que algumas imagens não nascem para desaparecer no fluxo. Nascem para permanecer como testemunho.


Serviço


Exposição: O Brasil de Araquém Alcântara

Lançamento: livro “50 anos de fotografia”

Data: 1º de junho de 2026

Horário: 19h

Local: Mezanino do Edifício dos Plenários, Superior Tribunal de Justiça, Brasília



Na Fotograf.IA + C.E.Foto, acompanho movimentos como esse porque eles ajudam a entender a fotografia para além da técnica, do equipamento e do feed. Grandes trajetórias, exposições, livros, acervos e debates culturais também mostram para onde a imagem está indo e o que ainda sustenta valor em um mercado em transformação.

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