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Nova feira em Nova York aposta na venda direta de fotografias e proíbe imagens de IA

há 19 horas
3 min de leitura

Primeira edição do 5 Boro Foto Fest foi marcada para 25 de outubro, reunindo fotógrafos, coletivos e livrarias em um mercado presencial de impressões, fotolivros e zines.


Uma feira dedicada à venda de fotografias impressas, fotolivros e publicações independentes estreou em Nova York com uma proposta comercial simples: aproximar fotógrafos e compradores em um mesmo espaço, sem depender exclusivamente de galerias tradicionais ou plataformas digitais.


O 5 Boro Foto Fest teve sua primeira edição programada para domingo, 25 de outubro, no Culture Lab LIC, em Long Island City, no Queens. A entrada era gratuita para visitantes.

O evento foi concebido como um mercado de arte independente, reunindo fotógrafos, galerias, coletivos, livrarias especializadas e empresas ligadas à fotografia.


Além do formato de venda direta, uma regra chamou a atenção: obras produzidas por inteligência artificial generativa não seriam aceitas.


Segundo os organizadores, os trabalhos participantes passaram por verificação. Não foram apresentados, porém, detalhes suficientes para avaliar de forma independente esse procedimento.


Uma feira para comprar fotografias, não equipamentos


A proposta surgiu de Chris Gampat, fundador e editor-chefe do site The Phoblographer, em colaboração com Corse Design, Mallon Productions e Culture Lab LIC.


Em entrevista à Street Photography Magazine, Gampat explicou que queria criar um evento presencial no qual fotógrafos pudessem apresentar e vender suas obras diretamente ao público.


O formato se aproxima das feiras independentes de arte e das áreas de artistas presentes em convenções culturais.


Em vez de concentrar a experiência em lançamentos de câmeras e equipamentos, a organização apostou em mesas e espaços dedicados a impressões fotográficas, livros, zines e trabalhos autorais.


A proposta também busca criar uma relação diferente entre público e fotografia.

Uma impressão pode ser examinada de perto, ter sua história apresentada pelo autor e ser adquirida imediatamente. Essa experiência é distinta de visualizar uma imagem durante poucos segundos no Instagram.



A IA como critério de diferenciação


A proibição de obras produzidas por IA faz parte da identidade do festival.

Para Gampat, o crescimento das imagens sintéticas representa uma ameaça econômica e cultural para fotógrafos, especialmente quando seus trabalhos são utilizados sem reconhecimento ou remuneração adequada.


A organização transformou essa posição em um critério de participação.

Mas a ausência de IA não garante, por si só, interesse comercial. Uma fotografia produzida por uma pessoa ainda precisa encontrar um público disposto a pagar por ela.


A autoria humana pode ser um atributo importante para determinados compradores, colecionadores e instituições. Seu valor depende também do trabalho apresentado, da reputação do fotógrafo, da qualidade da impressão, da tiragem e da relação construída com o comprador.


O que esse modelo oferece aos fotógrafos brasileiros?


Talvez o aspecto mais interessante do 5 Boro Foto Fest seja seu formato comercial.

Um pequeno grupo de fotógrafos pode organizar uma feira local em parceria com uma galeria, laboratório de impressão, livraria, café ou espaço cultural.


Os produtos não precisam se limitar a obras de alto valor. Uma mesma iniciativa pode reunir impressões de diferentes tamanhos, zines, cartões, séries fotográficas e publicações independentes.


Essa variedade permite testar diferentes faixas de preço e observar o interesse dos compradores.


Também abre possibilidades para fotógrafos que não têm representação em galerias ou uma audiência numerosa nas redes sociais.


Entretanto, organizar uma feira envolve custos de impressão, montagem, comunicação, transporte e operação. A venda direta elimina alguns intermediários, mas transfere responsabilidades comerciais para os próprios participantes.


Ainda não há dados públicos suficientes sobre o número de compradores, as vendas realizadas e os resultados financeiros da primeira edição do festival.


Portanto, o 5 Boro Foto Fest representa uma experiência de comercialização, não uma comprovação de que o modelo seja economicamente sustentável.


Fotografias precisam encontrar compradores


O crescimento da inteligência artificial tem ampliado a discussão sobre o valor das imagens e as formas de remuneração dos fotógrafos.


Nesse contexto, uma feira dedicada a trabalhos impressos propõe uma experiência em que o público pode conhecer o autor, examinar o objeto e decidir pela compra.


A iniciativa de Nova York também sugere uma pergunta para o mercado brasileiro: quantos fotógrafos poderiam criar oportunidades comerciais próprias, em pequena escala, reunindo autores, espaços culturais e potenciais compradores?


O resultado dessa experiência dependerá menos do discurso contrário à IA e mais da capacidade de gerar vendas, construir relacionamentos e oferecer condições viáveis aos participantes.


O próximo passo será acompanhar se o 5 Boro Foto Fest consegue repetir o modelo e demonstrar resultados concretos para os fotógrafos envolvidos.



Toda fotografia tem uma história. Qual é a sua?


Uma das maneiras de valorizar uma fotografia é permitir que as pessoas conheçam sua origem, seu autor e o que aconteceu por trás da imagem.


Em A História da Foto, o Spotlink publica fotografias selecionadas acompanhadas das histórias de quem as produziu.


É um espaço de apresentação editorial para trabalhos autorais, com imagem, relato e ficha técnica.


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