11 de Setembro: o que a fotografia acompanhou depois daquele dia
Nos 25 anos dos ataques, exposições revisitam os meses de trabalho em Ground Zero e os registros que documentaram as consequências da tragédia.

As fotografias dos ataques de 11 de setembro de 2001 registraram um acontecimento que o mundo acompanhava em choque. Em Nova York, porém, a documentação continuou durante meses. Entre os escombros do World Trade Center, fotógrafos acompanharam as equipes de resgate, a retirada dos destroços e a transformação do local. Neste aniversário de 25 anos, exposições nos Estados Unidos voltam a apresentar esse trabalho.

Um dos registros mais extensos é o de Joel Meyerowitz, que fotografou Ground Zero durante nove meses. A exposição Aftermath, no NSU Art Museum Fort Lauderdale, na Flórida, reúne 28 fotografias coloridas de grande formato desse período. Segundo a instituição, Meyerowitz foi o único fotógrafo autorizado a manter acesso artístico contínuo ao local. Suas imagens acompanham a passagem da devastação à retirada dos escombros, com bombeiros, policiais, engenheiros, trabalhadores da construção e voluntários. A mostra segue até 14 de fevereiro de 2027.
A duração desse trabalho oferece uma perspectiva sobre a cobertura de grandes acontecimentos. Permanecer no local permite registrar mudanças que uma fotografia isolada não consegue reunir: o avanço das operações, as pessoas envolvidas e a alteração da paisagem ao longo dos meses. No conjunto de Meyerowitz, esse processo passa a integrar o relato visual do 11 de Setembro.
As fotografias já participaram de uma exposição itinerante organizada pelo Departamento de Estado americano em 2002, que passou por mais de 200 cidades em 60 países. Em 2025, foram doadas pelo fotógrafo ao NSU Art Museum. A apresentação atual dá continuidade a essa circulação, com a proposta de alcançar também uma geração que não viveu os ataques.

Outra experiência de acompanhamento aparece em Remember the Love: Resilience After 9/11, na CU Denver Experience Gallery. Michael Rieger, um dos dois fotógrafos oficiais enviados a Nova York pela FEMA, a agência federal americana de gestão de emergências, passou seis semanas em Ground Zero. Nesse período, conversou com sobreviventes e equipes de resposta e registrou situações de solidariedade em meio à devastação. A exposição, em cartaz até 27 de setembro, apresenta fotogravuras produzidas a partir dessas fotografias.
Na Flórida, a Crealdé School of Art apresenta uma perspectiva geograficamente mais distante. Beneath a Clear Blue Sky: Photographs of September 11 reúne imagens em preto e branco feitas por David Forrest a partir do Brooklyn enquanto os ataques aconteciam. A mostra permanece aberta em Winter Park até 26 de setembro. Seu registro se soma às diferentes posições a partir das quais aquele dia foi testemunhado.
Vistas em conjunto, essas exposições permitem acompanhar diferentes tempos da fotografia: o instante do ataque, as semanas de resposta e os meses de trabalho no local. Cada conjunto documenta uma parte dessa história, marcada pelo acesso e pelo tempo que o fotógrafo teve para observá-la.
Aos 25 anos do 11 de Setembro, revisitar esses arquivos ajuda a reconhecer a extensão do acontecimento na vida de quem permaneceu entre suas consequências. A continuidade da cobertura deixou um registro dos trabalhos e das pessoas que também precisam fazer parte dessa memória.
A propósito, a foto que mais me marcou naquela data não foi das torres caindo, mas sim do Falling Man. Eu nem consigo olhar a foto que me faz mal. Mas fiz uma reflexão sobre ela aqui: Falling Man: fotografia e memória 25 anos após o 11 de Setembro
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