top of page

Wim Wenders e a fotografia do que quase passa despercebido

há 16 horas
3 min de leitura

De Paris, Texas a Dias Perfeitos, o cinema do diretor alemão convida a olhar para os lugares, as cores e os pequenos acontecimentos do cotidiano



Um homem atravessa o deserto. Outro fotografa a luz entre as folhas durante o intervalo do trabalho. Entre essas duas imagens, separadas por décadas na filmografia de Wim Wenders, existe uma atenção persistente ao que os lugares revelam sobre quem vive neles.


Em um vídeo dedicado ao cineasta e fotógrafo alemão, a criadora Tatiana Hopper aproxima cenas de seus filmes e fotografias para investigar essa maneira de olhar. A análise passa por paisagem, cor e rotina: elementos que ajudam a entender por que algumas imagens continuam conosco depois que a história termina.



Quando o lugar conta parte da história


Na abertura de Paris, Texas, Travis aparece pequeno diante da paisagem do sudoeste americano. A distância, o vazio e a escala do deserto dão forma ao seu isolamento antes que saibamos muito sobre ele.


Ao longo do filme, fotografado por Robby Müller, motéis, estradas e interiores participam dessa construção. O ambiente oferece pistas sobre os personagens e suas relações.


É uma observação que também interessa à fotografia: quanto de uma pessoa pode ser contado pelo espaço ao redor dela? Uma distância dentro do enquadramento, um objeto ou uma parede vazia podem mudar a leitura de um retrato.


A cor participa da narrativa


Hopper também chama atenção para o trabalho de Wenders com Müller em O Amigo Americano. Na leitura apresentada no vídeo, a cor ajuda a organizar relações dentro da imagem, destacar figuras e construir atmosferas.


Essa contribuição merece ser vista para além de uma paleta bonita. Uma luz vermelha, um ambiente esverdeado ou a repetição de um tom podem interferir na maneira como acompanhamos uma cena.


O cinema de Wenders oferece bons motivos para observar essas escolhas com mais calma... incluindo o trabalho dos profissionais com quem ele constrói suas imagens.


Voltar ao mesmo lugar e perceber outra coisa


Em Dias Perfeitos, acompanhamos Hirayama, um homem que trabalha na limpeza de banheiros públicos em Tóquio. Música, leitura, deslocamentos e fotografias de árvores atravessam seus dias.


A repetição torna pequenas mudanças perceptíveis. Um encontro, uma expressão ou uma alteração na luz ganha importância porque começamos a conhecer aquela rotina.

Para quem fotografa, há uma provocação nessa experiência: o lugar conhecido ainda pode render uma imagem que não vimos. Voltar permite perceber o que uma passagem apressada deixou escapar.


Um olhar que também existe fora da tela


A relação de Wenders com a fotografia aparece em Written in the West, projeto associado às suas viagens pelo oeste americano durante a preparação de Paris, Texas.

Estradas, fachadas, placas e vestígios da presença humana ocupam essas imagens. Os lugares sustentam o interesse mesmo quando estão vazios.


O vídeo de Hopper é uma boa porta de entrada para essa relação entre cinema e fotografia. E um convite para revisitar os filmes prestando atenção ao que acontece nas bordas da ação: os espaços, as cores e os detalhes que ajudam uma história a existir.


Considere assinar o Essencial


Se este conteúdo ampliou seu olhar, considere assinar o Essencial e apoiar a continuidade deste trabalho editorial.


A assinatura reúne a Curadoria Essencial de prêmios, bolsas e editais, conteúdos exclusivos sobre negócios e inovação e orientação para quem vive da fotografia.

Comentários


CONTATO

São Paulo, SP

  • Canal de Notícias no Insta
  • Telegram
  • logo-whatsapp-fundo-transparente-icon
  • Youtube
  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Facebook

© 2026 - Leo Saldanha. 

bottom of page