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Sony FX5 leva RAW interno e Open Gate a uma câmera compacta de cinema

  • há 3 horas
  • 6 min de leitura

Nova câmera profissional grava em 5K, usa toda a área do sensor e facilita a criação de versões horizontais e verticais a partir da mesma captação



A Sony anunciou a FX5, nova câmera da Cinema Line voltada à produção profissional de vídeo. O modelo combina um corpo compacto com recursos que, até recentemente, estavam concentrados em equipamentos maiores e mais caros da marca.


Entre os principais destaques estão a gravação interna em RAW de 16 bits, o uso de toda a área do sensor no formato Open Gate e três níveis de ISO base. A câmera também incorpora estabilização de imagem, foco automático assistido por inteligência artificial e controles inspirados na linha VENICE.



O lançamento interessa principalmente a profissionais de vídeo, produtoras pequenas e operadores que trabalham sozinhos. Também merece atenção dos fotógrafos que passaram a incluir filmes curtos, entrevistas, bastidores, casamentos e conteúdo para redes sociais em seus serviços.



Um novo sensor voltado ao vídeo

A FX5 utiliza um novo sensor full frame empilhado de 16,6 megapixels e o processador BIONZ XR2. A câmera grava em 5K a até 60 quadros por segundo usando toda a área do sensor em proporção 3:2.


Também é possível gravar em 5K no formato 16:9 a até 120 quadros por segundo. Em 4K, a câmera chega a 120 fps, enquanto a gravação em Full HD pode alcançar 240 fps.

A resolução relativamente baixa para os padrões da fotografia indica a especialização do equipamento. A FX5 foi desenvolvida para vídeo e não oferece um modo tradicional de captura fotográfica.


Essa distinção importa. A câmera não pretende substituir modelos híbridos da linha Alpha. Seu objetivo é oferecer um fluxo de cinema em um equipamento menor, com recursos de operação e pós-produção mais avançados.



Por que o Open Gate importa

Na gravação convencional, a câmera utiliza apenas uma faixa horizontal do sensor. No modo Open Gate, a FX5 registra praticamente toda a sua área, preservando uma imagem mais alta.


Isso dá ao profissional maior liberdade para definir o enquadramento na edição. Uma mesma tomada pode gerar uma versão horizontal para YouTube, outra vertical para Instagram e diferentes cortes para publicidade ou plataformas digitais.


O recurso não elimina a necessidade de planejar cada formato. Pessoas, textos, produtos e elementos importantes ainda precisam ser posicionados dentro de uma área segura. A vantagem está em ampliar as possibilidades de aproveitamento da mesma captação.


Essa flexibilidade responde a uma mudança concreta no mercado. Campanhas e coberturas deixaram de ter apenas uma entrega principal. Um único trabalho pode exigir filmes horizontais, reels, stories, anúncios e cortes para diferentes telas.



RAW interno sem gravador externo

A FX5 pode gravar internamente no formato X-OCN, o codec RAW de 16 bits utilizado pela Sony em sua linha profissional de cinema. O arquivo preserva mais informações do sensor e oferece maior margem para correção de cor, exposição e contraste durante a pós-produção.

Até agora, o acesso ao X-OCN estava associado principalmente a câmeras de categorias superiores. Sua inclusão na FX5 reduz a necessidade de usar um gravador externo para obter esse tipo de arquivo.


A câmera oferece diferentes níveis de compressão, incluindo X-OCN LT, C1 e C2. As opções mais compactas procuram tornar o RAW mais viável para produções com equipes e estruturas menores.


A praticidade tem limites. Arquivos RAW continuam exigindo cartões rápidos, mais espaço de armazenamento, computadores preparados e um fluxo adequado de backup. O custo real do equipamento inclui toda essa infraestrutura.


A FX5 possui dois slots compatíveis com cartões SD e CFexpress Type A. Para os formatos mais pesados, o uso de cartões CFexpress certificados será necessário.



Três níveis de ISO base

A nova câmera trabalha com ISO base 800, 4000 e 12800. Em termos práticos, o operador pode escolher diferentes pontos de partida para gravar em ambientes iluminados, interiores ou cenas com pouca luz.


Essa característica pode ser especialmente útil em eventos, documentários e produções nas quais a equipe tem pouco controle sobre a iluminação.


A Sony informa que a câmera pode entregar até 16 stops de latitude. O resultado final dependerá do modo de gravação, da exposição, das lentes, da iluminação e da forma como o arquivo será tratado na pós-produção.



Autofocus e inteligência artificial

A FX5 utiliza reconhecimento de pessoas para auxiliar o foco automático. O sistema analisa olhos, rosto, cabeça, corpo e postura para continuar acompanhando o personagem mesmo quando parte do rosto deixa de aparecer.


Esse tipo de automação é relevante para profissionais que trabalham sem assistente de câmera. Pode ajudar em entrevistas, eventos, movimentos com gimbal e situações nas quais o operador precisa controlar várias funções ao mesmo tempo.


A câmera também usa processamento baseado em inteligência artificial para auxiliar o balanço de branco automático. São recursos voltados à operação, não à criação autônoma de imagens.


A presença da IA mostra como tecnologias inicialmente popularizadas nas câmeras fotográficas estão sendo incorporadas aos equipamentos de cinema. O objetivo é diminuir erros operacionais e facilitar trabalhos realizados por equipes reduzidas.



Uma câmera pensada para estruturas menores

A FX5 pesa aproximadamente 734 gramas e possui estabilização interna de cinco eixos, tela articulada de 3,5 polegadas e montagem E, compatível com a ampla linha de lentes da Sony e de fabricantes independentes.


A empresa também apresentou acessórios opcionais, incluindo uma empunhadura com entradas XLR e um visor eletrônico removível. Essa estrutura modular permite montar uma configuração mais leve ou adicionar controles e conexões conforme a produção.


O corpo compacto não transforma a FX5 em uma câmera simples. Para aproveitar seus recursos mais avançados, o profissional precisará dominar exposição, codecs, gerenciamento de cor, armazenamento e pós-produção.



O espaço entre a FX3 e a FX6

A FX5 passa a ocupar uma posição intermediária na Cinema Line. Ela é mais especializada do que a FX3, mas mantém um corpo menor do que o da FX6.


A nova câmera também recebe funções associadas a modelos mais caros da Sony. O Open Gate e a gravação interna em X-OCN aproximam seu fluxo de equipamentos como BURANO e VENICE, embora existam diferenças importantes de sensor, construção, conexões e operação.


Esse movimento aumenta a pressão sobre outras fabricantes. Canon, Nikon, Panasonic e Blackmagic já oferecem câmeras compactas com RAW, Open Gate ou recursos voltados à produção profissional.


A disputa deixou de acontecer apenas em torno de resolução e qualidade de imagem. As marcas estão competindo pela capacidade de entregar vários formatos, reduzir acessórios externos e facilitar a operação por profissionais independentes.



Algumas funções chegarão depois

Nem todos os recursos apresentados estarão disponíveis imediatamente. Segundo informações divulgadas no lançamento, funções como Open Gate em XAVC-I, interface otimizada para gravação vertical, extração de quadros como imagens e RAW em taxas mais altas deverão chegar por meio de futuras atualizações de firmware.


A previsão divulgada para parte dessas atualizações vai até agosto de 2027 ou depois. Isso significa que a compra inicial não dará acesso imediato a tudo o que aparece no roteiro da Sony.


A distinção entre função disponível e recurso prometido precisa ser considerada na avaliação do equipamento.




O que a FX5 representa para fotógrafos

A Sony FX5 não foi criada para fotografar. Mesmo assim, seu lançamento acompanha uma transformação que já chegou ao mercado fotográfico.


Fotógrafos de casamento, eventos, retratos corporativos, publicidade e conteúdo de marca recebem cada vez mais pedidos de vídeo. Muitas dessas demandas não envolvem grandes produções cinematográficas. São entrevistas curtas, reels, bastidores, movimentos de cena e materiais destinados a várias plataformas.


O Open Gate facilita esse tipo de entrega ao permitir diferentes enquadramentos a partir da mesma gravação. O autofocus avançado e a estabilização ajudam quem trabalha sozinho. O RAW interno oferece mais controle quando a produção exige tratamento cuidadoso de cor.


Isso não significa que todo fotógrafo precise migrar para o vídeo ou investir em uma FX5. A câmera custa US$ 4.899,99 somente no corpo nos Estados Unidos e será vendida por US$ 5.499,99 no conjunto com a empunhadura XLR. A disponibilidade está prevista para agosto de 2026 no mercado norte-americano.


O lançamento é relevante porque mostra como a indústria está respondendo a um profissional que precisa produzir com estruturas menores e entregar conteúdo em diferentes proporções, durações e canais.


A FX5 reúne essas demandas em um único corpo. É uma câmera de cinema, mas também um retrato bastante concreto da produção visual atual.


Equipamentos como a FX5 mostram para onde a produção visual está avançando. No Fotograf.IA Essencial, acompanhamos essas mudanças para entender o que elas alteram na prática, nas entregas e no valor do trabalho do fotógrafo.

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