Frame IA - Samsung e Apple - duas rotas para a IA
- 28 de jul.
- 2 min de leitura
Samsung transforma arquivos em novas entregas. Apple transforma cautela em valor de mercado.

A Samsung e a Apple estão mostrando duas maneiras bastante diferentes de avançar na inteligência artificial.
Uma transforma IA em recurso.
A outra transforma cautela em valor de mercado.
Nos novos Galaxy Z Fold8, a Samsung apresentou o My FanCam, ferramenta que permite selecionar uma pessoa dentro de um vídeo e reenquadrar automaticamente toda a gravação ao redor dela.
O processamento acontece depois da captura. Isso significa que um vídeo amplo, inclusive gravado anteriormente, pode originar uma nova versão centrada em um personagem específico.
Para o mercado da imagem, a aplicação chama atenção porque mexe menos com geração sintética e mais com o reaproveitamento do que já foi registrado.
Uma cobertura de formatura pode gerar um corte individual para cada formando. Um vídeo de casamento pode originar versões centradas nos noivos, nos pais ou em determinados convidados. Uma gravação corporativa pode ser reorganizada ao redor de cada palestrante.
O arquivo deixa de representar apenas uma entrega final e passa a funcionar como matéria-prima para várias versões.
A Apple aparece nessa história por um caminho quase oposto.
Criticada nos últimos anos por avançar lentamente em IA, a empresa ultrapassou brevemente os US$ 5 trilhões em valor de mercado em 28 de julho. Entre os fatores apontados para a valorização está justamente sua postura mais contida diante dos enormes gastos com modelos, chips e data centers.
Enquanto outras companhias assumiram investimentos bilionários para construir suas próprias infraestruturas, a Apple preservou caixa, recorreu a parceiros e evitou disputar todas as camadas da tecnologia internamente.
Isso não significa que a empresa tenha vencido a corrida da IA. A valorização também depende das vendas do iPhone, da política de preços, dos serviços e das expectativas sobre os próximos produtos.
Mas houve uma mudança importante na percepção do mercado.
O que parecia atraso começou a ser visto como disciplina.
Samsung e Apple chegam, assim, à mesma pergunta por caminhos diferentes:
onde a IA realmente produz valor?
Para a Samsung, a resposta está em transformar uma gravação existente em novas entregas.
Para a Apple, pode estar em escolher o que desenvolver, o que contratar e onde não gastar bilhões apenas para acompanhar os concorrentes. Mas vale lembrar que recentemente a marca conseguiu atualizar recursos de IA inclusive na parte de imagens. E o ganho foi notável.
Há uma lição importante para fotógrafos e empresas da imagem.
Adotar IA não exige colocar inteligência artificial em todas as etapas do negócio. Também não significa perseguir cada ferramenta lançada.
O valor pode surgir de uma aplicação específica que amplia uma entrega já existente. E pode surgir da decisão de não investir em algo cujo custo ainda não encontrou uma utilidade proporcional.
O My FanCam também expõe um limite.
A IA consegue manter uma pessoa dentro do quadro. Ainda não consegue compreender plenamente por que um olhar, uma aproximação ou uma reação importa para aquela história.
Ela encontra o personagem.
A construção da narrativa continua dependendo de quem sabe observar.
Talvez a disputa mais importante da IA não seja entre quem possui a tecnologia mais impressionante.
Será entre quem consegue transformar tecnologia, arquivos e investimento em valor percebido.



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