C.A.O.S. Fotográfico: Quando o problema não é o que parece
- há 18 horas
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A vitrine sem loja e o jargão do posicionamento

Tem um fotógrafo que eu conheço bem. Anos de estrada, portfólio sólido, Instagram com milhares de seguidores. E uma queixa que volta sempre com a mesma cara: os trabalhos que vinham com facilidade pararam de vir. O mercado mudou. Os clientes sumiram. Algo quebrou, mas onde, ninguém sabe dizer.
O diagnóstico que essa pessoa recebe quase sempre é o mesmo: presença digital. Posta mais. Usa Reels. Aparece com mais frequência.
Só que ela já aparece. O Instagram está ativo, o engajamento existe, os seguidores crescem. Não é visibilidade que falta.
É o que acontece depois que alguém a encontra.
Quando você constrói presença sem construir estrutura, o alcance vira ruído. A pessoa te descobre, se interessa, procura saber mais e não tem para onde ir. Sem site, sem uma narrativa clara do que você entrega. Uma vitrine sem loja. O Instagram, que deveria ser o começo de uma jornada, vira o fim dela. Parece coisa besta...mas difícil é encontrar algum fotógrafo referência sem site.
Esse exemplo envolve parte importante do marketing "presença e ponto", mas antes vem algo mais relevante ainda...estratégia e critério.
O mito do posicionamento: O que você acha que comunica e o que o cliente entende
Aqui tem uma segunda camada que quase ninguém considera. Ela é estratégica. Você pode ter definido seu nicho, seu público, o tipo de trabalho que quer fazer. Tudo certinho no papel. Mas o cliente que chega até você leu a sua comunicação com os olhos dele, não com os seus. E muitas vezes o que ele entendeu é diferente do que você quis dizer.
Resultado: o briefing começa torto. A expectativa já estava errada antes da primeira reunião. E aí o problema não é execução, é que os dois estavam falando de coisas diferentes desde o início.
Isso não se resolve só definindo nicho. Se resolve calibrando o que você diz com o que o cliente de fato recebe.
Ou pior: você define que é de luxo e o cliente não te vê assim. Mais comum do que parece...
Esse exemplo envolve o núcleo do marketing moderno: posição na cabeça do cliente é território de valor.
O voo de galinha
Tem ainda uma terceira camada. Uma sequência de movimentos que fazem sentido um por um, mas que se cancelam. Um mês o foco é casamento, no outro é newborn, depois aparece uma oportunidade corporativa e tudo muda de direção. Cada pivô apaga um pouco do que foi construído antes. A audiência para de saber o que esperar e quando para de saber o que esperar, para de indicar. É bem comum também e ganhou força em um mercado super competitivo em que fotógrafos não podem ficar sem trabalho...o famoso faz tudo. Nada de errado com isso, só que é difícil montar um plano quando você atacar em todas as frentes.
O sintoma é a queda de trabalho. O problema veio antes disso.
Esse exemplo envolve a falta de alvo e propósito...não que você deva dizer não para trabalho, mas tentar servir todo mundo é bem difícil (eu diria impossível).
Amanhã, às 21h
Na live do C.A.O.S. Fotográfico às 21h no leosaldanha.br eu vou fazer ao vivo o que faço em sessões privadas: leitura estratégica de casos reais. Esse é um deles. Tem mais um, diferente, com um erro que parece acerto até o momento em que tudo desmorona.
Se você se reconheceu em algum ponto desse texto, amanhã vai valer a hora.
E se quiser mergulhar nos assuntos de negócios da fotografia sugiro conferir a nova série: Momento Rumo: o que sustenta um negócio de fotografia antes de crescer
Se isso já apareceu no seu negócio, a leitura estratégica começa antes de qualquer ação.
Por que fotógrafos perdem clientes mesmo com Instagram ativo?
Porque presença não garante continuidade. Sem estrutura clara, o interesse não se converte em contato.
O problema é falta de marketing?
Nem sempre. Em muitos casos, o problema está no posicionamento e na ausência de uma proposta clara.
Vale a pena investir mais em conteúdo?
Só se houver estrutura para receber esse interesse. Caso contrário, aumenta o ruído.



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