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A “pior fotógrafa do mundo” entregou as fotos. A Icelandair transformou o resultado em exposição

  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

Depois de escolher Blanche Mortemard entre mais de 127 mil candidatos, a Icelandair revelou as imagens da viagem pela Islândia e prolongou a campanha com uma exposição em Londres. O case mostra como uma ideia pode continuar produzindo valor muito depois da entrega.



MOMENTO R.U.M.O.

uma série do R.U.M.O.


Em março, a Icelandair lançou uma campanha improvável: procurava alguém realmente ruim em fotografia para passar dez dias na Islândia e receber US$ 50 mil pelo trabalho.

A aposta da companhia aérea era simples e provocativa. O país seria tão fotogênico que nem o pior fotógrafo conseguiria estragá-lo completamente.


Mais de 127 mil pessoas se candidataram. A escolhida foi a francesa Blanche Mortemard, de 28 anos, que viajou pelo país com um iPhone 17 Pro e a missão explícita de não melhorar demais.


Agora chegou a parte que faltava: as fotografias da viagem foram divulgadas. E a Icelandair decidiu levar o projeto mais longe. As imagens serão exibidas nos dias 11 e 12 de setembro, em Londres, no White Rabbit Studios, com direito inclusive a uma conversa da própria Blanche sobre a experiência.


fotos: Blanche Mortemard
fotos: Blanche Mortemard

Algumas são realmente ruins


As imagens cumprem bem o papel prometido pela campanha.

Há paisagens sem um ponto de interesse claro, enquadramentos estranhos, fotografias inclinadas, elementos invadindo o quadro e erros que normalmente seriam eliminados durante uma seleção profissional.


O Digital Camera World resolveu inclusive analisar algumas delas tecnicamente e apontar como poderiam ter sido melhoradas. Em meio aos erros, aparece também uma fotografia de um papagaio-do-mar que funciona surpreendentemente bem.


Essa discussão é curiosa, mas talvez nem seja a parte mais interessante do projeto.

A Icelandair nunca precisou que Blanche produzisse as piores fotografias já feitas. Precisava que a ideia continuasse funcionando. E funcionou.


fotos: Blanche Mortemard
fotos: Blanche Mortemard

fotos: Blanche Mortemard
fotos: Blanche Mortemard

A campanha não terminou quando a fotógrafa foi escolhida


Esse é o detalhe que vale observar do ponto de vista de negócio.

A Icelandair poderia ter lançado o concurso, conseguido repercussão, anunciado a vencedora e encerrado a ação.


Em vez disso, criou uma sequência.


Primeiro veio a procura pelo pior fotógrafo. Depois, mais de 127 mil inscrições. Em seguida, a revelação da vencedora, a viagem pela Islândia, os bastidores, as fotografias produzidas e, agora, uma exposição em Londres.


Uma ideia relativamente simples foi transformada em vários momentos de comunicação distribuídos ao longo de meses.


O ativo principal da campanha, portanto, não são apenas as fotografias.

É a história construída ao redor delas.


Blanche Mortemard, a Pior Fotógrafa do Mundo em missão na Islândia com um iPhone 17 Pro (Crédito da imagem: Icelandair)
Blanche Mortemard, a Pior Fotógrafa do Mundo em missão na Islândia com um iPhone 17 Pro (Crédito da imagem: Icelandair)

van da ação: Icelandair
van da ação: Icelandair

Uma fotografia pode valer pelo que faz acontecer


Para quem trabalha profissionalmente com imagem, esse case ajuda a separar duas coisas que frequentemente são tratadas como se fossem iguais: qualidade da fotografia e valor produzido pela fotografia.


Uma imagem pode ter enorme qualidade técnica e pouca capacidade de circulação. Outra pode ser imperfeita e, dentro de uma ideia bem construída, gerar conversa, imprensa, compartilhamento e lembrança de marca.


Isso não diminui a importância da técnica. A própria brincadeira da Icelandair só funciona porque todos reconhecemos o que normalmente seria considerado um erro fotográfico.


O ponto é outro: a fotografia está dentro de uma estratégia maior.

Nesse caso, até o erro foi planejado como parte da experiência de marca.


O trabalho acabou. A história não precisa acabar.


Talvez essa seja a leitura mais útil dessa nova fase da campanha.

Fotógrafos costumam concentrar enorme energia na entrega: fotografar, selecionar, editar e enviar o material ao cliente. Comercialmente, porém, um trabalho pode continuar produzindo valor depois disso.


Pode virar bastidor, história, exposição, conteúdo, relacionamento, imprensa, nova oferta ou argumento para uma próxima ação.


A Icelandair pagou US$ 50 mil por uma fotógrafa deliberadamente ruim.

Meses depois, ainda estamos falando sobre isso.


É um bom lembrete de que, no mercado da imagem, o valor nem sempre termina quando a fotografia fica pronta.


E o seu trabalho: termina na entrega?


O Mapa R.U.M.O. é uma leitura individual de posicionamento, oferta, comunicação e percepção de valor para fotógrafos que querem entender melhor como o trabalho que já produzem pode ser percebido, apresentado e transformado em oportunidades.

A análise inclui também a camada AURA, voltada ao que o próprio conjunto de imagens está comunicando.




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