top of page

Pinterest corta quase 15% da equipe e acelera virada para IA

A plataforma que moldou referências visuais por mais de uma década entra na mesma rota de reestruturação das big techs, levantando sinais importantes para o mercado criativo.

Swello/Unsplash
Swello/Unsplash


O Pinterest anunciou que vai demitir quase 15% de sua força de trabalho como parte de uma reestruturação focada em produtos e capacidades baseadas em inteligência artificial. A decisão foi formalizada em um documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos no dia 27 de janeiro de 2026.


Além das demissões, a empresa também prevê redução de espaços físicos e uma reorganização interna voltada a acelerar a adoção de IA em áreas estratégicas, como desenvolvimento de produto, vendas e distribuição. Os custos da reestruturação devem ficar entre US$ 35 milhões e US$ 45 milhões, majoritariamente em despesas em dinheiro.


Fundado como um “motor de descoberta visual”, o Pinterest sempre ocupou uma posição singular no ecossistema digital. Diferente das redes sociais orientadas à performance imediata, a plataforma se consolidou como espaço de pesquisa estética, construção de desejo e referência visual, tanto para consumidores quanto para profissionais da imagem.


A mudança anunciada, no entanto, aproxima o Pinterest do mesmo movimento já adotado por outras gigantes da tecnologia.


IA no centro, pessoas em segundo plano


No comunicado oficial, a empresa afirma que está “realocando recursos para funções e equipes focadas em IA”, priorizando produtos baseados em inteligência artificial e acelerando a transformação de sua estratégia comercial.


O discurso segue um padrão cada vez mais comum no setor: menos estrutura humana, mais automação, mais eficiência algorítmica. O Pinterest se junta a empresas como a Meta, que recentemente cortou cerca de mil postos de trabalho em sua divisão de realidade estendida para redirecionar investimentos a produtos de IA e wearables.


Embora o número absoluto de demissões varie entre empresas, o padrão é consistente. Plataformas digitais estão redesenhando seus modelos com base em sistemas automatizados capazes de substituir tarefas, acelerar decisões e reduzir custos operacionais.


O impacto dessa transição, porém, vai além dos funcionários diretamente afetados.


O que muda quando a curadoria vira código


Para o mercado criativo, o Pinterest sempre funcionou como um termômetro de linguagem visual. Tendências de fotografia, design, moda e branding passaram anos sendo observadas, replicadas e refinadas a partir do que ganhava tração dentro da plataforma.


Com a centralidade crescente da IA, a lógica de curadoria tende a mudar. Sistemas automatizados passam a decidir o que é mostrado, com base em padrões de comportamento, desempenho e previsibilidade estética. Isso pode acelerar a homogeneização visual e reduzir o espaço para desvios, rupturas e propostas menos óbvias.


Não se trata de uma ruptura imediata, mas de um deslocamento gradual. A inspiração deixa de ser resultado de escolhas humanas e passa a ser consequência de modelos estatísticos.


Esse movimento levanta uma questão prática para quem vive da imagem: quanto mais as plataformas se tornam eficientes em gerar, recomendar e otimizar imagens, menor é o valor de propostas que dependem apenas de estética previsível.


Para quem trabalha com fotografia, criação visual e marca pessoal, essas mudanças não são apenas tecnológicas, mas estratégicas. Esse tipo de leitura de cenário, aplicada a decisões reais de posicionamento e negócio, é discutida de forma contínua dentro da comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto.


Um sinal que vai além do Pinterest


O anúncio também dialoga com alertas recentes feitos por líderes da indústria de IA. Em janeiro, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que sistemas de inteligência artificial podem alcançar níveis próximos ao humano já em 2026 ou 2027, com potencial para eliminar até metade dos cargos profissionais de entrada nos próximos cinco anos.


Ao mesmo tempo, executivos como Vlad Tenev, CEO da Robinhood, defendem que a IA pode gerar uma explosão de novos tipos de trabalho, criando funções que hoje ainda não existem.


Entre previsões otimistas e cenários de risco, o que se consolida é um ponto intermediário: o trabalho não desaparece, mas muda. E muda rápido.


No caso do Pinterest, a reestruturação não significa abandono da imagem como linguagem central, mas sua incorporação definitiva a um modelo onde eficiência, escala e automação se tornam prioridades explícitas.


Para profissionais criativos, isso reforça um dilema cada vez mais presente: depender exclusivamente de plataformas algorítmicas para visibilidade é uma decisão de negócio, não apenas uma escolha de marketing.


Dima Solomin/Unsplash
Dima Solomin/Unsplash

Decidir antes que o algoritmo decida


A demissão de quase 15% da equipe do Pinterest não é um evento isolado. É mais um capítulo de um processo maior de reconfiguração do mercado digital em torno da inteligência artificial.


Plataformas mudam. Algoritmos mudam. O que permanece é a necessidade de clareza sobre posicionamento, proposta de valor e relação com o próprio trabalho.


Em um cenário onde referências visuais se tornam abundantes e cada vez mais parecidas, o diferencial tende a migrar para intenção, contexto, leitura de mercado e decisões conscientes sobre o que se oferece e para quem.


Essas questões estarão no centro do encontro presencial Fotografia Humana em Tempos de IA, que acontece no dia 25 de fevereiro, reunindo fotógrafos para uma conversa direta sobre posicionamento, negócio e escolhas práticas em um mercado cada vez mais automatizado.

 
 
 

Comentários


CONTATO

São Paulo, SP

  • Canal de Notícias no Insta
  • Telegram
  • logo-whatsapp-fundo-transparente-icon
  • Youtube
  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Facebook

© 2026 - Leo Saldanha. 

Vamos conversar? Obrigado pelo envio

bottom of page